FBCERJ/GRUPO B – Confira a Sinopse dos Canarinhos das Laranjeiras

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CARNAVAL 2020

FBCERJ / GRUPO B

GRÊMIO RECREATIVO CULTURAL BLOCO CARNAVALESCO CANARINHOS DAS LARANJEIRAS

Presidente – André Luiz Santos da Silva “Dedeco”

Ordem no Desfile – 6º Bloco de Enredo a desfilar

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Enredo: MUITO PRAZER: MADAME SATÃ! MALANDRO DA NOITE, RAINHA DA LAPA!

Carnavalesco – Agnaldo Corrêa

Cai a noite na Zona da Mata, no interior de Pernambuco! Em Glória de Goitá, raios e trovões anunciam que o mais bravo dos homens, João Francisco dos Santos nasceu para lutar! Do céu estrelado, ao sol da manhã, a carruagem de fogo trazia, aquele que seria “Madame Satã!”

Assim começa a trajetória iniciada em 25 de fevereiro de 1900 pelo mais corajoso, temido e intrépido dos homens que, com no fio da navalha teceu sua própria história no mundo da malandragem da Lapa Boêmia do Rio de Janeiro.

Este é o samba que enaltece os excluídos onde um transformista brasileiro, uma figura emblemática e um dos personagens mais representativos da vida noturna e marginal da Lapa Carioca na primeira metade do Século XX.

Essa história não começa na Lapa. Possui o brilho e a triste sina do povo Nordestino que procurava seu lugar ao sol no Sudeste brasileiro.

De uma vida em família com pai, mãe e 17 irmãos. João Francisco, que vivia em condições adversas viveu bem durante alguns anos até a morre do seu pai, que acabou deixando a família em situação precária.

Diante deste infortúnio, sua mãe, Firmina Teresa, resolve trocar João por uma égua e garantir o sustento aos demais. O negociante de cavalos, Sr. Laureano, prometeu a mãe que daria casa e estudo ao menino, porém, colocou-o para trabalhar como escravo em sua fazenda. Triste a sina das crianças brasileiras do Nordeste e do interior brasileiro. Esta realidade de trabalho análogo ao escravo e trabalho infantil acompanha nossos dias até hoje!

Em uma viagem à Paraíba com seu senhor, conheceu Dona Felicidade que convidou o menino para fugir. Seria a tal “felicidade” batendo a sua porta?

Lamentavelmente, as teias do destino como aranhas de grandes teias, foram desenhando uma realidade bem diferente. Ao chegar ao Rio de Janeiro, a tal “Felicidade” montou uma Pensão chamada Hotel Itabaiano e o menino pobre e de destino incerto começou a trabalhar como escravo.

Cansado da convivência com a “infelicidade”, o pobre menino decide fugir e vai morar nas ruas da Lapa!

Assim começa a vida dos meninos de rua: crescem em meio a violência urbana, cometem pequenos furtos, sofrem por diversas surras e prisões! Com ele não seria diferente: este é o país que bem conhecemos!

Começa sua nova trajetória como vendedor ambulante de pratos e panelas de alumínio para garantir seu sustento na sua vida difícil de rua!

Aos 16 anos, eis que surge um chamado divino: em 1916 ocorre a primeira gravação de um samba intitulado “Pelo Telefone” e já em 1918, João começa a trabalhar como garçom na Pensão da Lapa, uma casa de tolerância da época e o jovem rapaz aprende a cozinhar.

Em 1922, ano da Semana de Arte Moderna, o sonho de ser artista começou a florescer devido ao grande sucesso da Companhia Francesa “Ba-ta-clan” que apresentava o Teatro de Revista na Cidade. Estava plantada a semente de “Madame Satã” no coração do jovem artista.

Trabalhando na “Pensão do Cacete” como cozinheiro, conheceu a atriz Sara Nobre que o apresentou ao mundo do Teatro!

Sua juventude foi marcada pela convivência com malandros e já em 1923, o transformista já era conhecido como um malandro respeitado pelo seu soco de esquerda apelidado de “Caranguejo da Praia das Virtudes”. Ele foi treinado pelo malandro “Sete Cordas” que o introduziu na arte da malandragem e no manuseio de truques com navalhas. Ficou a herança, Criou-se o mito!

Seguindo os passos do mestre, começou a trabalhar como travesti-artista no espetáculo “Loucos em Copacabana” assumindo a identidade de “Mulata do Balacochê”. Sentia-se muito realizado com sua carreira do teatro e deixou de lado a vida boêmia da Lapa.

O famoso apelido “Madame Satã” surgiu no Carnaval de 1938. Neste ano, o transformista desfilou pela primeira vez trajando uma fantasia dourada inspirada em um morcego típico de sua cidade natal. O baile era promovido pelo Bloco “Caçadores de Veados” na Praça da República e ele garantiu o primeiro lugar no concurso. Dias depois, ele e seus amigos foram comemorar no Passeio Público e foram presos no parque que era conhecido como ponto de encontro de homossexuais. Na hora de registrar a ocorrência, o delegado perguntou o seu nome e João não quis informar para manter o anonimato. Porém o delegado o reconheceu como vencedor do concurso de fantasia do Teatro da República e o chamou de “Madame Satã” em alusão ao filme “Madam Satan” de Cecil B. DeMille que havia sido recentemente lançado no Brasil.

Depois deste fato, os amigos de João espalharam a história pela cidade e em pouco tempo “Madame Satã” já era uma lenda no Rio de Janeiro.

Há quem diga que “Madame Satã” não tinha vida familiar. Mesmo sendo assumidamente homossexual, João Francisco casou-se com uma mulher aos 34 anos e, com Maria Faissal, criou e educou os seus 6 filhos de criação.

O filho das ruas criou raízes profundas em sua vida marginal e sua fama de valente correu a cidade do Rio de Janeiro rendendo muitas brigas, pequenos delitos, alguns crimes e muito preconceito afinal, quem é que gosta de ser chamado de “veado” pelas ruas?

Sendo assim, a navalha corria a noite e saltitava pelos telhados deixando com medo a polícia e o crime organizado da época. Os “meganhas” respeitavam o mito da valentia, o travesti mais macho da Lapa!

Viveu e cresceu no baixo meretrício, protegeu meretrizes, homossexuais e travestis deixando um rastro de valentia e temor na boemia da Momtmartre Carioca – a Lapa boêmia!

Sua vida e obra marcada por prisões e preconceitos são registros históricos que inspiram as minorias a lutar contra o preconceito, a exclusão social, e a escravidão infantil que deixam marcas profundas na vida das pessoas e da sociedade.

A história é construída por fatos, sejam eles bons ou ruins e que mantêm viva a memória de que diferenças sociais podem transformar vidas de forma não tão  bem vistas.

Por outro lado, registra-se o fato que Madame Satã, temida, respeitada, honrada, artista, excluída e sempre eterna: Rainha da Lapa e da Malandragem!

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