G. R. E. S. IMPERADORES RUBRO-NEGROS
Presidente: Serginho Aguiar
Vice-Presidente: Christiano Moreno
Carnavalesco: Fran Sergio
Diretora de Carnaval: Maria Mariana
CARNAVAL 2025
Enredo: Mãe Edelzuita de Oxaguian, a guardiã da fé. O Início, meio e a continuidade
SINOPSE:
INTRODUÇÃO AO ITÃ DE OXAGUIÃ
Itã, que traduzido da língua iorubá para o português significa história, é uma palavra que se refere aos relatos míticos que contemplam a história ancestral dos Orixás. Por meio da oralidade praticada nos terreiros de candomblé, ao longo de séculos de resistência, os itãs foram – e ainda são – uma das mais impressionantes formas de transmissão do conhecimento africano e afro-brasileiro.
Um dos mais belos itãs que conheci contava a história de Oxaguiã – Orixá funfun, que veste branco e participou da grande criação. Diz o relato que Oxaguiã nasceu filho de Obatalá, e apenas dele, surgindo num igbin – um caramujo.
Mas Oxaguiã não tinha cabeça, e por isso não tinha destino. Então, andando de forma incerta, o jovem encontrou Ori e lhe pediu uma cabeça. Ori o atendeu e deu-lhe uma cabeça de inhame pilado, uma cabeça branca. Acontece que a cabeça esquentava muito, machucando Oxaguiã e o impedindo de pensar.
Então ele seguiu a procura de uma solução, até que encontrou Icu – a morte. Dançando e tentando chamar a atenção do filho de Obatalá, Icu ofereceu-lhe uma cabeça, e o jovem, com medo, decidiu recusar. Contudo, a demora em encontrar uma cabeça fez com que ele acabasse voltando atrás e aceitando. Então Icu lhe deu uma cabeça escura e fria, e Oxaguiã também sentia dor com ela.
Foi apenas quando Ogum apareceu que o seu caminho se alumiou: o Orixá da guerra se compadeceu do menino Oxaguiã e deu-lhe uma espada, com a qual ele espantou as sombras da morte; depois, Ogum usou uma faca para tirar a cabeça fria dada por Icu, e sem conseguir separá-la da cabeça quente dada por Ori, as duas se fundiram sob a lâmina do guerreiro, azulando-se.
Assim, Oxaguiã atingiu enfim o equilíbrio: nem de todo frio e nem de todo quente, mas frio quando é preciso e quente quando se precisa também. Com Ogum, Oxaguiã aprendeu a ser guerreiro, e tornou-se destemido e poderoso, porque tinha o equilíbrio e a força, porque sabia guerrear com o saber e com a espada.
SINOPSE:
Abertura
Filha preta de pai e mães pretos. Filha do Axé, de África e Brasil.
Nascida em Salvador, na primeira metade do século XX, Edeulzuita Lourdes Santos de Oliveira carrega em sua trajetória os traços deste mágico itã do candomblé. Filha de João dos Santos, ela recebeu de seu pai, aos dez anos, no Terreiro Ilê Iya Omi Axé – o lendário Terreiro de Mãe Menininha do Gantois – a missão de cuidar de um tesouro ancestral: o ita (pedra) sagrada de Xangô; o próprio fundamento do orixá da justiça, trazido da Nigéria pelos seus ancestrais.
O pai de Edeulzuita era filho de Ogum, e transmitiu para a filha de Oxaguiã um destino, uma predestinação, uma forma de viver e lutar, como se o relato mítico narrado pelo itã, que conecta os dois orixás – o do pai e o da filha – se materializasse nessa vivência.
“O itã não mente! O itã nunca mente!”
Segundo Setor
Feita Ialorixá, a sacerdotisa entendeu, no ofício sagrado de sua missão, a ouvir orixá e trabalhar sua energia. E fez de tudo que aprendeu no mistério uma prática de vida, uma atitude para transformar a realidade de seu povo.
“Orixá é vida! Orixá é para a vida! Com Exu, aprendeu que a vida está em constante mudança, e que é preciso levar o saber para o outro, para que o conhecimento também o transforme; com Ogum, viu que a luta é parte do caminho, necessária para nos fortalecer; e Oxossi lhe apontou para escolher o melhor para si e para os outros, a ter o olhar para onde emana a fartura.”
Movida por sua coragem, Edeulzuita veio fazer morada no Rio de Janeiro em 1968, onde sua luta em prol do povo preto e do candomblé como filosofia de vida ganhou outra dimensão. Entendendo a religião como força de resistência, para além da própria fé, a Ialorixá fundou seu terreiro na zona oeste da cidade: o Ilê Obá N’lá, uma das casas mais tradicionais de todo o Brasil, casa de prosperidade, onde muitos filhos encontraram caminho.
“Omolu lhe ensinou a repartir o que é bom para que todos estejam bons; enquanto Ossain lhe delegou o dever de disseminar as velhas sabedorias de cura e poder. Oxumaré lhe contou que os ciclos e transformações são essenciais para que a vida avance; e Xangô lhe ensinou que só quem conhece a lei pode lutar por ela; que sem lei não há justiça, e que justiça é necessária para seu povo. E Iroko, foi árvore plantada para preservar as tradições.”
Repartindo o saber e curando as feridas de tantos que a procuraram, ela fez do exercício de sua ancestralidade o olubajé da africanidade, celebração da vitalidade da fé, uma faculdade ancestral. Também foi à cena, do chão de terra de seu axé para as telas do cinema, ser vista, como presença que deixa clara a existência, para que fosse seu encanto também de se admirar. Mas Edeulzuita sabia que a luta de seu povo precisava transcender, então, apoderou-se das leis para que pudesse defender sua gente. E fazendo justiça aos seus preceitos, plantou semente para preservar o que lhe foi passado, uma guarda de tradição.
Terceiro Setor
“Oxum lhe disse que o que é belo tem que ser visto, celebrado e enaltecido; que o vistoso é adorado, compreendido. Obá lhe mostrou que era preciso não ter diferenças unir forças aos outros irmãos; e Iansã lhe soprou no ouvido que o vento bravio pode também afastar a maldade vindoura. Logun-Edé trouxe a ideia de um novo marco para firmar a importância de nossa fé; já Nanã, a levou para ver a sabedoria que se esconde no passado cercado de lama para que se possa aprender com o passado e não repetir no futuro. Por fim, Iemanjá, que guia a correnteza das calungas, a levou para África, para que se encontrasse com a terra mãe ancestral.”
Lutou ao lado de grandes lideranças religiosas e tornou-se influente perante as casas de lei e governo, sendo uma grande representação de toda a gente de axé, um sopro de vitória ante toda a intolerância. De suas escaramuças, um novo marco para uma velha herança foi eternizado no calendário. Consciente de seu pertencimento e missão, lutou pelo reconhecimento das memórias do Velho Cais: Valongo, dos vestígios de vidas roubadas, alerta permanente da necessidade de luta e resgate, de remexer na lama do tempo para que a boa terra floresça no futuro.
E como Mãe, mãe preta de vida e axé, foi elo fundamental da corrente que desaguou na criação dos centros onde o povo encontra cuidado, um avanço para as populações desassistidas e desprivilegiadas de acesso por séculos.
“Oxaguiã lhe acompanhou na caminhada, porque é energia viva em seu ori. E com ele Edeulzuita aprendeu a ser forte e cuidadosa, a dizer e também ouvir.
Oxaguiã a conheceu jovem e também cresceu com ela. Oxaguiã a ensinou que o tempo é amigo da sabedoria e que outras virtudes ele reserva para quem vai ao longe.”
“Epá, Babá!”. Edeulzuita de Oxaguiã, que zela pelas Águas de Oxalá em nossa cidade maravilhosa, que zela para que a pureza se renove no ori e na alma de nosso povo, receba as flores em vida sob a forma dos versos. Essa é a nossa homenagem ao seu legado de sentinela, sua luta africana e afro-brasileira, o nosso xirê de samba e amor. No Carnaval de 2025 os Imperadores Rubro-Negros te coroam no Carnaval que é festejo de seu povo, que é festejo de samba criado pelo povo preto, e se vestem de branco, em nome de Oxaguiã e de todos os Orixás. Axé!
Carnavalesco: Fran Sergio
REGULAMENTO DO CONCURSO PARA ESCOLHA DO SAMBA DE ENREDO 2025
1 – A escolha do samba de enredo do G.R.E.S. Imperadores Rubro-Negros para o carnaval 2025 acontecerá com avaliações baseadas no áudio em MP3 entregue pelos concorrentes ao WhatsApp disponível da agremiação. A gravação não precisa ser realizada em estúdio, podendo ser composta apenas por voz e cordas em arquivo com extensão .mp3.
02 – O júri será formado pela diretoria da escola, juntamente com a comissão de carnaval 2025 e integrantes dos setores da escola.
03 – A sinopse do enredo estará disponível nas redes sociais oficiais da escola e nos veículos de imprensa especializados em carnaval, podendo ser disponibilizada por e-mail ou WhatsApp caso seja solicitada.
04 – O carnavalesco da escola fará uma “explanação do enredo” por vídeo, sendo o mesmo disponibilizado nas redes sociais da escola.
05 – Todas as composições apresentadas para a inscrição deverão ser inéditas, tanto na melodia, como na letra.
05 – O valor da inscrição será de R$ 50,00 (cinquenta reais) por compositor, não há limite de compositores por parceria, não será permitido, em caso do samba seja o escolhido, acrescentar compositor suplente ou apoio cultural.
06 – As datas programadas para o concurso são:
– Entrega dos sambas: 09 de setembro (segunda-feira) até as 23h.
-Os sambas inscritos serão disponibilizados nas redes sociais da escola:
1° apresentação 15 de setembro 2025 (domingo)
Anúncio dos finalistas 18 de outubro. (sexta-feira)
– Final: 10 de novembro 2025 (domingo)
As datas das apresentações poderão ser alteradas de acordo com os conflitos e indisponibilidades de datas, sendo divulgada qualquer alteração nas redes sociais da escola, a data da entrega não sofrerá alterações.
07- As obras poderão ser entregues por email (imperadoresrubronegros@gmail.com) ou WhatsApp (21 9 9529-0887) (Maria Mariana diretora de carnaval).
Cada parceria deverá entregar sua obra (samba) através de áudio completo gravado em MP3, mais a letra do samba em meio não editável (pdf) e a Ficha cadastral (anexa a esse regulamento) com os dados dos compositores.
08 – As obras serão apresentadas no dia 15 de setembro (domingo). O resultado sairá na data dia dia 18 de outubro, tendo como final a data do dia 10 de novembro, salvo modificação descrita no tópico 06 no que tange a final, diretamente na quadra, em evento público. Essa apresentação ficará a cargo dos compositores finalistas. As apresentações das obras terão transmissão ao vivo na página de Instagram da escola (@imperadoresrubronegros).
09 – Caberá aos compositores classificados para a final cuidarem das apresentações na mesma, sendo de sua responsabilidade a escolha dos intérpretes e dos acompanhamentos harmónicos.
10 – Será proibida a utilização de materiais cujo manuseio comprometa a integridade física dos componentes da escola, cabos de bandeiras em metal e semelhança de material estão proibidos.
11 – Os sambas finalistas deverão estar cientes que a obra após a escolha passará a ser do G.R.E.S. Imperadores Rubro-negros, portanto a mesma poderá ser alterada conforme necessidade da escola.

