Que valha a nossa voz é o enredo da Caprichosos de Pilares para 2026

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Escola exaltará a música preta brasileira em seu próximo desfile

Visando retomar o acesso à Série Prata, a Caprichosos de Pilares levará para 2026 o enredo “Que valha a nossa voz”, do carnavalesco Guto Carrilho. A voz preta será exaltada através de ritmos, nomes e canções singulares que se destacam no Brasil. O protagonismo preto através da música, dita para a Caprichosos um cenário sócio musical, onde o som conclama ideologias, verdades e a realidade cultural de jovens e artistas, que através das décadas foram se reinventando e levando para a sociedade um grito rítmico.

Guto comentou sobre o enredo da escola para o próximo ano: “A Caprichosos conclama um som, chamado de som de preto e de favelado, muitas vezes rimado, festivo e tradicional, mas que inserido na arte e na cultura, sobressai como um dos pilares musicais de uma nação. Do Hip-Hop ao Funk, do Axé ao Samba e o Pagode. Apresentaremos toda a riqueza da música preta que encanta o Brasil e o mundo e que deixa a sua mensagem fazendo realmente valer a voz de uma comunidade.”

A sinopse já foi apresentada pela agremiação aos compositores e, em breve, divulgará os sambas concorrentes.

Em 2026, a azul e branca de Pilares abrirá o sábado das campeãs, na Intendente Magalhães.

Confira a Sinopse da Caprichosos

E assim começa o nosso desfile… Anos 70, Rio de Janeiro os bailes do Movimento Black Rio tomam conta da cidade. Influenciados pela música negra norte-americana: soul, jazz e funk. Os chamados Bailes da Pesada iniciaram no extinto Canecão com os Dj’s com Big Boy e Ademir Lemos. Liderado pela juventude, a contracultura, reivindicava contra o conservadorismo da época. Era rebelde, mas pacífico de teor artístico, social e filosófico. Em alto e bom som explodindo pelas caixas, a musicalidade embalava os passos reverberando o grito de liberdade e resistência. Concomitante, a Banda Black Rio trouxe a fusão entre o jazz, o funk, o samba e a gafieira com reconhecimento internacional. Hoje reencontramos os sucessos de sempre na avenida do Carnaval com passos e luzes. “Menina mulher da pele preta”, de “olhos coloridos”, vamos cantar o que é raiz e melódico. Reviver a rebeldia periférica, “mistérios da raça”. A Música Preta Brasileira tem forte referência em nomes como Sandra de Sá, inspiração para muitas. Salve Tim Maia, Tony Tornado, Jorge Ben Jor, entre tantos artistas que levantam a voz contra toda a forma de preconceito, galgando o empoderando o que é genuíno. Aumenta o volume, que o batidão hoje é em Pilares!

Resistência e igualdade

Nas esquinas os primeiros passos marcados. Força de vontade e energia positiva na mente. Aqueles garotos do passado, não tinham ideia do que plantavam e o que um dia seria colhido. Nas composições, um retrato do cotidiano de cada um deles. Racismo, desigualdade e resistência. Mais parecia um “beco sem saída”, nas composições, letras e melodias se juntavam às rimas e gestos, gerando a superação e dia melhores. De um “Negro Drama”, cantos e sons inteligentes, eram “Racionais” para a chegada de um novo tempo que daria às ruas as cores de um movimento, grafitado nos muros e cantado nas praças do subúrbio. “Levanta-se e anda”, das calçadas, para os palcos populares, dos palcos populares para a mídia, levando para o mundo o protagonismo, a essência suburbana. Se o tempo passou, a mensagem ainda ecoa nas ruas, superação pessoal, esperanças e acolhimento, se o tempo passou, ele viu cabelos crespos libertos e o preconceito ser detido pela arte de um “Emicida” que refletia e politizava. Palco de homens, e hoje de um espaço ocupado também por mulheres, flores com espinhos que exalam o seu perfume cantando e compondo, deixando lágrimas de uma vida nem sempre doce, mas que leva a sua arte, através de sua vaidade. Afinal elas sabem que: “Já que é pra tombar… Tombei”.

“Um anda bonito, o outro elegante”

Das comunidades, um grito de liberdade, roupas coloridas e passos mais que especiais, dos morros cariocas para os apartamentos de luxo. A música da favela, chegou ao asfalto. “O funk do meu Rio se espalhou pelo Brasil/Até quem não gostava quando ouviu não resistiu” A juventude se fez ouvir, com fé em Deus e querendo ser feliz. “O endereço do baile” foi falado para você. Uma “festa na favela”, onde o preto e o pobre se destacam. “Eu quero ver abalar, sacudir a massa e arrepiar – Um som que “nos envolve, nos fascina, agita o salão” O cenário é o paredão de caixas de som vibrando e a festa é até o amanhecer, pura “melanina carioca”. Verdadeiro Furacão do típico “som preto” – “que quando toca ninguém fica parado”. Da cultura do Baile Black e do funk, romântico e apaixonado, dançante e sincronizado. D“O Baile Todo” até o Baile do Viaduto em Madureira, o “Charme” que dita o ritmo e espalha pelo Centro do Rio e subúrbio. História e pertencimento, ocupação urbana influenciada pela música. Solta o som Dj e vamos caprichar no baile da Caprichosos.

“O canto dessa cidade é meu!”

Uma mistura de ritmos vibrante, que contagia e faz o corpo pular! Este é o Axé Music, ritmo negro e afro-brasileiro de nascimento. O seu som leva a mistura do Ijexá, do frevo e do samba-reggae. É a grande atração do carnaval de Salvador, levando pelas ruas uma multidão de pessoas que são contagiados com a alegria do ritmo. Ritmo este que se projetou nacionalmente, aparado pela grande mídia, adentrou a casa dos brasileiros e ganhou o mundo. “Modernidade negra”, o Axé é herdeiro dos terreiros baianos, emanando em letras e melodias toda uma positividade associada a coreografias e escoltados por gigantescos trios elétricos. Artistas que celebram a vida e fortalecem a economia criativa do Nordeste Brasileiro. A “Pérola negra” da música baiana, a referência da “Raça negra” que se reinventa com o passar dos anos. Salve “Margareth Menezes” com seu Afro-pop, salve às mulheres que cantam o ritmo do positivismo e do amor! Salve o Olodum, a Timbalada e Filhos de Gandhi. Salve a “Baianidade Nagô” que vem nos garantir que “um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar”.

“O som do negro é universal. Canta Caprichosos toda prosa! É a raça negra no seu carnaval.”

Da Pequena África, uma baiana mãe-de-santo e quituteira “Tia Ciata” nasce o ritmo que seria mais tarde referência de uma nação na região central do Rio de Janeiro, onde estava a maior parte da comunidade negra da cidade. Do fundo de sua casa o samba. O ritmo enfrentou a polícia e o preconceito, até ganhar os ouvidos brasileiros e se nacionalizar como uma expressão incomparável. O tempo passou, o samba evoluiu, criou “identidade”, ganhou os bares e fez escola na avenida. Ritmo popular que mostrou também as mazelas de uma gente, cansada de se ajoelhar, rezar e viver de ilusão. O samba é fé, é religião, é ritmo ancestral na batida do tambor, é favela, é cultura, é tradição popular. “Ritmo e música preta que entre banjos, arranjos, tamborins e cavacos se faz reinar nos becos e vielas, provando que, a música preta resiste. No Fundo de Quintal, o pagode surge e reúne, integra e socializa num só canto. ”Sorriso negro” que apaixona, de Almir Guineto até Martinho da Vila, das bandas de pagode do passado à era musical moderna. E se por aqui temos o caprichado e premiado internacional Xande de Pilares, nos afirmamos como celeiro de talento preto, tantos nomes e tantas histórias, tantas vozes a ecoar. Samba e pagode que nunca se calaram, molejando, pirraçando ou só contrariando. Som que eleva “a carne” a cada batida de tambor, a cada acorde ou tom emanado. Somos Elzas e Ivones somos raça e descendência. Somos a batida preta com “sorriso de esperança, braço forte que não cansa”, num circuito cultural e musical que revela aqui, “a raça negra no seu carnaval.”

Pele preta, que compõe, pela preta que canta, manifesta e dá o seu recado. Pele preta que leva o swing na cor. SALVE A NOSSA RAIZ E…

QUE VALHA A NOSSA VOZ!

CARNAVALESCO: GUTO CARRILHO

ENREDISTA E PESQUISADOR: FELIPE DINI

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