SINOPSE

“WILSON MOREIRA, MODERNO SEM PERDER A TRADIÇÃO, SAMBISTA SEM DEIXAR DE SER JONGUEIRO”

Wilson nasceu em Realengo em 12/12/1936, filho de Hilda e Francisco Moreira Serra.

Começou muito cedo na labuta. Foi vendedor de café, bolinhos e amendoim (de onde veio seu primeiro apelido, AMENDOIM). Aos 12 anos entregava marmitas, em seguida foi guia de cego, trabalhou em estamparia e na FAET. Trabalhou também como bombeiro hidráulico e, finalmente, como agente penitenciário por 35 anos.

Viveu em Realengo até os 40 anos e, até hoje, ainda vai até lá para visitar um irmão.

Das visitas ao Vale do Paraíba, onde moravam seus parentes – tios, primos e avós – que tocavam sanfona de oito baixos, jogavam caxambú, eram calangueiros e dançavam jongo, absorveu esta cultura, que foi seu primeiro contato com a música.

O samba veio naturalmente. Aos 12 anos compunha, com 16 cantava e, aos 17, saía tocando tamborim e mostrava suas primeiras composições na Escola de Samba Unidos da Água Branca, que alavancou Wilson Moreira para a Mocidade Independente de Padre Miguel.

Ficou na Mocidade de 1957 a 1968. Ganhou dois sambas enredo e vários de terreiro. Um desentendimento com um diretor levou Wilson a deixar a Ala dos Compositores e a afastar-se da Escola.

Chegou à Portela, conduzido pelo lendário Natal. Reverenciado por diretores e sambistas, compôs um samba de grande sucesso: “O MAIS BELO REQUINTE”. Conheceu Candeia, de quem se tornou amigo e parceiro constante na Escola. Gravaram juntos inúmeros sucessos.

Wilson Moreira participou da fundação da QUILOMBO, com seu amigo e parceiro Candeia, em 1975. Tornou-se, então, Diretor de Harmonia, além de compositor. Até hoje tem a carteira de fundador da QUILOMBO e, ali, juntamente com Nei Lopes, emplacou dois belos sambas enredo: “AO POVO EM FORMA DE ARTE” e “NOVENTA ANOS DA ABOLIÇÃO”.

A parceria de Wilson e Nei surgiu pelas mãos de Délcio Carvalho, que os apresentou: – “Nei, aqui está um cara que põe música até em bula de remédio: Wilson Moreira!” Essa dupla rendeu dois LPs que foram da maior importância para a cultura negra: “A ARTE NEGRA DE WILSON MOREIRA E NEI LOPES” e “O PARTIDO MUITO ALTO DE WILSON MOREIRA E NEI LOPES”, além de inúmeros sucessos gravados pela nata da MPB.

Participou de dois grupos de samba: “CINCO SÓ” e “PARTIDO EM CINCO”. Gravou seu primeiro disco, um compacto duplo, em 1966. No final dos anos 80, lançou seu LP solo “PESO NA BALANÇA” e o CD “OKOLOFÉ”.

Wilson Moreira, sambista consagrado, não era muito de beber, mas reservava momentos para um chopinho, especialmente um schinite ou uma cerveja estupidamente gelada.

Participou das mais famosas Rodas de Samba da cidade. Em Copacabana, às segundas-feiras, rolavam as famosas Noitadas de Samba do Teatro Opinião, com os mais consagrados sambistas da época. Muitos dos participantes se reuniam, antes e depois dos shows, na tradicional Adega Pérola, reduto, até hoje, das classes artística e cultural da cidade. No Centro e em Botafogo, aconteciam outras rodas, das quais Wilson também participava.

Hoje, Wilson Moreira, apesar do derrame sofrido em 1997, continua produzindo, fazendo shows e se preparando para seus 80 anos em dezembro. Ângela Nenzy, pesquisadora, produtora, mulher e companheira de todos os momentos, cuida de sua agenda, do Centro Cultural Solar Wilson Moreira e do Bloco Amigos do Wilson Alicate, que agita a Praça da Bandeira. Aliás, o apelido ALICATE foi criado pelo grande partideiro XANGÔ DA MANGUEIRA, por causa do poderoso aperto de mão de Wilson.

Nei Lopes escreveu sobre seu parceiro:

“Wilson Moreira ouviu os jongos, calangos e curimbas cantadas por seus parentes valeparaibanos, e essa vivência plasmou seu modo todo especial de compor, sendo moderno sem deixar de lado a tradição, sendo sambista sem nunca deixar de ser jongueiro”.

PESQUISA E TEXTO:

Edmilson Rocha (Carnavalesco) – edcena@gmail.com

REFERÊNCIAS:

DANTAS, Andréa Ribeiro e MARQUES, Sílvia. O Samba é Meu Dom. Sarau Agência de Cultura Brasileira.

DINIZ, André. Almanaque do Samba. Editora Jorge Zahar

GOLDEMBERG, Eduardo. “Entrevista com Wilson Moreira”

VIANNA, Luiz Fernando. Geografia Carioca do Samba. Editora Casa da Palavra