FEDERAÇÃO DOS BLOCOS CARNAVALESCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FBCERJ – GRUPO A – CARNAVAL 2019

2 – GRÊMIO RECREATIVO BLOCO CARNAVALESCO ACADÊMICOS DO VIDIGAL

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Fundação: 28/03/1976 (42 anos)

Presidente Administrativo: Rodrigo Alves

Cores: Verde e Branco

Sede/Quadra: Rua Presidente João Goulart, 737, Vidigal, Rio de Janeiro, RJ

Bateria: Treme Terra

ENREDO: “ILÊ-IFÉ”

Carnavalesco – Junior O’Hara

Sinopse

Ifé é hoje uma cidade de tamanho médio, localizada atualmente no estado de Osun na Nigéria. Sua população é estimada em 501.952 habitantes. O significado da palavra “Ife” na língua Yorubá é “amor”.

A formação de Ifé deu-se em função de populações que migraram do alto do Nilo. No entanto, contam que os Ifés descendem dos Banis Canaã da tribo Nimrod, do Iraque, que expulsos, atravessaram o Egito e a Etiópia até chegarem ao sudoeste da atual Nigéria.

Um grupo de Aksumitas, meroítas e Nobas liderados por Olunwi, fugidos dos exércitos judeus, migrou para o sudoeste africano, vindo se instalar em Okeorá. Okeorá era governada pelo rei (oba) Owerê. Este carregava o título de Obatalá.

Anos se passaram até que Okeorá entrou em colapso devido à seca. Com isso, Olunwi e Obatalá resolveram levar seu povo em busca de uma nova terra.

Saíram do sudoeste em direção ao sul. Após longa peregrinação, travessias e perigos, resolveram se estabelecer em um local aprazível, em formato de vale, circundado por belos morros, revestidos das florestas equatoriais, de onde brotava água em abundância, justamente por quedar-se na confluência dos rios Níger e Benué. Era também um local estratégico, pois não ficava na rota das lutas tribais.

Depois de tantas dificuldades, Obatalá teria escolhido o nome da terra onde ergueriam sua nova morada: Ilê Ifé (a morada permanente), donde veio a contração: Ilê Ifé, ou simplesmente Ifé.

O comércio

A posição geográfica de Ifé teria favorecido seu desenvolvimento. O reino de Ifé torna-se um importante entreposto dos produtos da savana, da floresta e do litoral, face à sua privilegiada logística.

Além da indústria do ferro, a de contas de pedra e de vidro, constituíam fáceis artigos de exportação. Era igualmente forte a comercialização de inhames, peixe seco, sal, dendê, obis (noz de cola), pimentas, gomas, madeiras, ouro, marfim e objetos de arte em ouro, cobre, terracota e bronze. O algodão é cultivado e usado para tecelagem. A gastronomia da Nigéria utiliza em seus pratos ervas de diferentes origens que acrescentam sabores aos alimentos, assim como o azeite de palma na criação de saladas de sabor intenso, as sopas e caldos também são bastante comuns, o prato típico de toda região, e a sopa de pimenta que é feita de um molho de pimenta, onde pode se acrescentar pescados e carne de cabra. Sendo certo que a venda de escravos também rendia grandes lucros, talvez o comércio mais rentável.

Era costume que todo o comércio rendesse taxas ao rei local. Assim, o mercado ativo e variado seria garantia de riqueza perene ao Oba e ao seu povo.

Estrutura de poder

Ifé foi a primeira cidade-estado a adotar a monarquia divina.

Vale dizer que a cultura africana tem como bases três pilares: a temporalidade, a oralidade e a ancestralidade.

Feitos mágicos, místicos e religiosos, tornaram mitos diversos reis, rainhas e guerreiros africanos. Obatalá é um dos mais famosos destes exemplos.

Adjalá, o grande rei de Okeorá, era famoso por suas curas milagrosas. Ao final da vida, alquebrado pela idade e pelo estado de saúde precário devido a torturas que teria sofrido no ataque de tribos inimigas, teve seu corpo todo deformado. Razão pela qual passou a usar um pano branco a lhe cobrir, quando atendia seus súditos doentes. Seu poder divino e sua bondade extrema o fizeram ser reconhecido como um Eborá, uma divindade, ainda em vida.

Por esses princípios, cada vilarejo dividia-se em várias linhagens, cujos chefes eram escolhidos pela idade e pelo parentesco com o grande ancestral.

Os mais velhos da tribo ficavam encarregados das funções religiosas, políticas e judiciárias, enquanto as questões sociais cabiam aos outros grupos mais jovens.

O líder (Oni) representava a unidade do povoado.

Em volta de Ifé, existia uma enorme muralha concêntrica, com cerca de cinco metros de altura, por dois de largura, não só para proteger a cidade, como também para dar abrigo às populações agrícolas nos vilarejos periféricos, quando atacados.

Simbolicamente, todos ficavam sob a proteção do grande Oni, que os defenderia seja pelo aspecto pragmático militar, seja pelos poderes mágicos imateriais.

O místico

As proezas dos grandes Obas e Onis deram notoriedade a seus nomes e fez com que fossem gerados contos e lendas que os imortalizaram.

Nomes como Obatalá e Odudua são até hoje mencionados em lendas, através das quais, pelas metáforas ficcionais, contam a história de seus povos e civilizações.

Ifé teve tamanha importância na formação cultural e política do povo Iorubá, que algumas lendas se referem à constituição desta cidade como a própria criação do mundo.

De acordo com as lendas Iorubás até hoje propaladas, Ifé seria o umbigo do universo, a fonte de todas as coisas, o lugar de onde os homens se espalharam sobre a terra.

Existe um mito de que Olodumarê (o deus supremo) encarregou Obatalá de criar o mundo. É o criador do mundo, dos homens, animais e plantas. E este se embebedou pelo caminho e não fez a tarefa ordenada. Odudua vendo isso, pede a Olodumarê a missão que era de Obatalá. Nisso, Oduduá fica sendo o senhor da criação, enquanto a Obatalá é conferida a tarefa posterior de criar os seres.

A arte ifé

A arte ifé é dotada de beleza e qualidade equiparada às obras clássicas gregas e as renascentistas italianas. Seus artistas expressam com requinte de detalhes seus reis, deuses, animais e também o cotidiano dos habitantes, inclusive com destaque às expressões pessoais e faciais: pessoas saudáveis, com doenças, com espanto, etc. Tais peças, feitas de latão, cobre, terracota, barro e bronze, demonstram não apenas o domínio sobre o metal, mas a capacidade artística de seus autores.

As esculturas Ifé são concisas, serenas, equilibradas e elaboradas de modo impecável.

Em paralelo, há que se destacar a arte Ifé classificada como contemporânea, face ao seu estilo peculiar. Eram representações estilizadas de cabeças e feições humanas.

Como o curso da história da África, pouco se sabe sobre o surgimento e o desaparecimento da arte Ifé.

Uma lenda para justificar o desaparecimento total da arte ifé, conta-se que os artistas que conspiraram com alguns cortesões para esconder a morte de um Oni muito querido, fizeram uma escultura com a imagem do falecido rei e a colocaram no trono. O príncipe descobriu a farsa e mandou decapitar todos os artistas.

*Agradecimento especial ao nosso colunista e diretor cultural da FBCERJ Júlio César Ferreira.

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