Confira a Sinopse da Caprichosos de Pilares

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GRÊMIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA CAPRICHOSOS DE PILARES

CARNAVAL 2020

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos não por ser exótico

Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto

Quando terá sido o óbvio

Caetano Veloso

Passados mais de 500 anos desde que Cabral por estas águas aportou, pouco sabemos sobre aqueles que habitavam Pindorama antes da Invasão Caraíba. Muito do que, no imaginário coletivo, se estabelece como verdade sobre os povos indígenas antes do contato com os brancos ainda é essencialmente pautado na carta de Caminha: Homens nus carregando arcos e flechas.

Quais eram suas histórias? Seus mitos? Seus medos e suas crenças? Mergulhar no universo indígena sempre nos revela elementos ocultos ao olhar que o eurocentrismo nos impõe dia após dia, e nos faz redescobrir uma cultura originária, que não consta no relato português, da suposta carta de descobrimento, que alguns assumem como a certidão de nascimento do Brasil.

Livre dos grilhões que aprisionam os pensamentos nas salas de aula e na literatura oficial enraizadas na visão da raça branca julgando-se superior a todas as outras e pintando o “índio” à sua maneira ou conveniência: Ora o canibal de Hans Staden, ora o bom selvagem de Rousseau, ou ainda o romântico Peri de Alencar. O desfile das Escolas de Samba tem sido, ao longo dos anos, uma página onde o povo pode reescrever e redescobrir a sua história.

Redescobrimento, essa é a palavra chave do desfile da Caprichosos de Pilares para o ano de 2020. Uma das agremiações mais tradicionais do carnaval brasileiro que, vestida pelo manto tupinambá, reencontra a sua história e redescobre o Brasil.

URUÇUMIRIM PARAÍSO TUPINAMBÁ

Inicialmente o criador

Da perfeita natureza

Fazendo as primeiras criaturas

Que povoaram a terra brasileira

Caprichosos de Pilares, 1979

Tupã em sua divina infinidade é o criador do mundo, e de tudo que nele existe. Na terra​ sem males onde habitam os homens e as mulheres de pele avermelhada, Deuses convivem em total consonância com as forças da natureza.

Guaraci é filho de Tupã, ele é o guardião da aldeia em cada amanhecer. Jaci é a Deusa Lua, que habita o coração dos guerreiros e esconde nos mistérios da noite os seres místicos que assombram a tribo.

A mata exuberante emoldura a costa que abraça o oceano até beijar o mar. Ouve-se o canto que vem do ventre da floresta, é o som tupinambá em sua essência, com chocalhos, flautas, tambores e maracas ressoando nos rituais sagrados de cura. É canto de paz e também é o canto que da guerra que dilacera a vida.

A bruma do mar oculta sorrateiramente a serpente alada que se aproxima. As velas das naus e das caravelas parecem asas pintadas no horizonte azul confundindo o olhar tupinambá. O Caraíba aporta na baía sem pedir licença, invade o paraíso pindorama em busca de ouro e riquezas, caçando, matando e aprisionando o nativo. É o sangue indígena jorrando na ponta da espada em nome da conquista, da fé e da civilidade portuguesa.

Sob a proteção de Jaci, Aimberê, fugido do cativeiro, começa a luta na aldeia Uruçumirim. Goytacazes e Aimorés a ele se uniram e, de tribo em tribo, um canto único Tupi ia sendo orquestrado. Nenhum filho de Tupã seria mais escravizado, violentado ou catequizado. Tribos que antes eram inimigas agora unidas se chamavam tamoios​ e,​ sob o comando de Cunhambebe, a revolta começou.

Na frente de batalha, fortalezas foram derrubadas e o homem branco enfim conheceu a força daquele que lutava por liberdade. Flechas e tacapes misturados às espingardas francesas defendiam o solo sagrado do Brasil curumim onde a alma guerreira não se deixava abater.

Cunhambebe sucumbiu, mas o sonho de liberdade e a esperança de uma terra sem males perduram até hoje na alma do povo de pele pintada que, mesmo depois de tantos anos, ainda precisa lutar em defesa do seu chão e de sua gente. A árvore que a Confederação dos Tamoios plantou, tronco forte de pau brasil, deu frutos que hoje cantam em nome dos verdadeiros donos dessa terra juntos com a tribo caprichosos.

Ninguém ouviu um soluçar de dor No canto do Brasil.

Um lamento triste sempre ecoou

Desde que o índio guerreiro Foi pro cativeiro e de lá cantou.

Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

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