Rocinha apresenta sinopse do enredo e regras para escolha do samba de 2021

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Na última quinta-feira, dia 09 de julho, a Diretoria de Carnaval juntamente com o carnavalesco Marcus Paulo se reuniram com a comunidade e compositores para apresentar a sinopse e explanar o que esperam para o samba de 2021, onde a escola apresentará o enredo “Eu sou o Samba, a voz do morro sou eu mesmo sim senhor”: carnaval e samba a mais bela expressão cultural de uma raça”.

“Esperamos um samba com melodia e letra que tenha alegria e fale de carnaval e o orgulho que a Rocinha carrega, espero que seja uma verdadeira poesia. Mostrar que a comunidade da Rocinha faz samba, sabe fazer samba e que tem orgulho de fazer parte dessa festa que é o Carnaval”, é o que diz Marcus Paulo.

Jorge Mariano, Diretor de Carnaval, entregou as normas e datas para a escolha do samba para o próximo Carnaval:

-Entrega de sinopse dia 09/07 as 19:00h

-Entrega do samba dia (03/09) das 18:00h até as 22:00 h não haverá recebimento de samba após esse horário.

-As reuniões com o carnavalesco para tirar dúvidas serão: 23/07 – 13/08 – 27-08, sempre às quintas feiras das 18:00h as 22:00 h;  Atendimento por ordem de chegada.

-Só será permitido 6 (seis) compositores por parcerias.

-Caso haja um número excessivo de sambas inscritos haverá uma pré-seleção feita pela DIREÇÃO DE CARNAVAL e o DEPARTAMENTO MUSICAL do GRESAR.

-As eliminatórias terão início em: 12/09 às 18:00h.

-No ato da inscrição cada parceria deverá apresentar 1CD/10 cópias digitalizadas ou um pen drive.

– As eliminatórias acontecerão de maneira virtual (LIVE) sendo transmitida em caráter simultâneo e ao vivo pelo canal de youtube do GRESAR.

-Será destinado para cada parceria uma quantidade de 15 (quinze) pulseiras que dará acesso à entrada na quadra para que possa ser destinado aos músicos e convidados.

-Não será permitido a entrada de nenhum tipo de bebida ou comida.

-Pedimos que os músicos que subirem ao Palco no evento, usem trajes adequados, evitando, por exemplo: bermudas, shorts e etc. Não será permitido que compositor suba ao palco ficando o mesmo restrito somente aos músicos.

-Não será permitido nenhuma exibição de imagem ou vídeo  ao vivo por nenhum participante, caso haja caberá a direção punir quem desrespeitar essa norma.

-O samba que não se apresentar no horário marcado será desclassificado automaticamente.

-Após o sorteio não haverá troca ou inversão de apresentação, ficando assim todas as parcerias obrigadas a se apresentarem na ordem sorteada.

-As eliminatórias acontecerão sempre aos sábados, caso haja necessidade de troca haverá uma comunicação prévia pela direção.

-Após o término de cada etapa já estará disponível no Site do GRESAR o resultado de cada eliminatória.

-A direção não disponibilizará  músicos para fazer acompanhamento exceto a bateria e um pedal.

– Caso haja necessidade haverá uma junção de samba feita pela DIREÇÃO DE CARNAVAL e o DEPARTAMENTO MUSICAL do GRESAR.

-E se houver necessidade também haverá uma divisão de chaves para apresentação, a fim de fazer com o evento não fique muito longo.

-O tempo de apresentação de cada composição será determinado pela de DIREÇÃO DE CARNAVAL antes de cada apresentação.

-Os sorteios para as próximas eliminatórias serão realizados sempre às quintas-feiras antes de cada eliminatória.

OBS: Essa regra se aplicará nas eliminatórias seguintes, e somente; a semifinal e final o sorteio Será feito duas horas antes do início das apresentações.

-Toda e qualquer dúvida, reclamação e orientação durante as eliminatórias deverá.

ser encaminhadas ao nosso DIRETOR DE CARNAVAL (MARIANO), e/ou DIRETOR DE HARMONIA (RAFAEL).

Os casos omissos são de responsabilidade da direção do GRESAR.

Confira a Sinopse da Rocinha

Acadêmicos da Rocinha

Presidente: Marcos Freitas

Diretor de Carnaval: Jorge Mariano

Carnavalesco: Marcus Paulo

Sinopse

“Eu sou o Samba, a voz do morro sou eu mesmo sim senhor”: carnaval e samba a mais bela expressão cultural de uma raça

O carnaval é um espetáculo sem ribalta e sem divisão entre atores e espectadores. (…) Não se contempla (…), nem se representa o carnaval, mas ‘vive-se’ nele (…), e vive-se conforme as suas leis enquanto estas vigoram(…).
Esta é uma vida desviada da sua ordem ‘habitual’, em certo sentido uma ‘vida às avessas’, um ‘mundo invertido…’

Mikhail Bakhtin

Eu Rocinha e meu legado nas raízes africanas

Sou Rocinha, sou carioca e venho confirmar minha carioquice preta. Tenho história marcada pelo samba uma das mais belas expressões culturais cariocas. Minhas raízes vêm de muitas histórias carnavalescas. Nos embalos dos Blocos Império da Gávea, Sangue Jovem e da Unidos da Rocinha fiz minha comunidade vibrar com a força do batuque de legado africano.

E foi que assim nasci como a Princesinha da Zona Sul, com meu manto tricolor e me apresentando sobre o símbolo da borboleta encantada, me tornei Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha. E como a velocidade de um cometa ascendi um rastro de luz no carnaval carioca ao me tornar tricampeã sobre o comando de Joãosinho Trinta.

E hoje venho homenagear àqueles que do passado foram a razão do meu existir. Povo pobre, sofrido, moradores dos morros e periferias cariocas, que não se rendeu as perseguições das elites, e fez da arte de tocar, cantar e dançar a mais bela representação da cultura carioca, o carnaval.

E assim como Acadêmicos da Rocinha venho mergulhar na magnífica história do povo preto e sua resistência pacífica, em não deixar que sua cultura fosse suprimida pelos ideais daqueles que se envergonhavam por sua presença e batuques pelas ruas da cidade, mas que não carregavam nenhum remorso por ter feito desse povo seus pés e mãos como força de trabalho.

Rocinha narra às memórias do carnaval carioca

A festa de momo carioca foi caracterizada pela celebração conhecida como Carnaval Veneziano: festas marcadas pela presença das elites da cidade em bailes, que compareciam adornadas com luxuosos trajes e máscaras, e futuramente Grande Carnaval com desfiles de carros abertos, corso e as grandes sociedades pelas ruas.

Em sua história de festejo carnavalesco a cidade contou com o entrudo, uma brincadeira violenta que durou por décadas, que foi substituído pelos ranchos carnavalescos, cordões e blocos, nesse festejo o povo preto encontrou espaço para cantar suas cantigas e danças de origem africana.

A Praça Onze, conhecida também como pequena África, era o centro dos foliões do carnaval carioca, e o quintal de Tia Ciata. Era reduto da música, da fé e da resistência. Esse movimento coincide com o declínio do Grande Carnaval burguês, dando espaço para o Carnaval Popular. O carnaval para o povo preto foi um instrumento de tática de penetração coletiva para divulgar sua cultura no centro da cidade, uma vez que nesse período desciam os morros e saiam da periferia da cidade para mostrarem o que sabiam fazer muito bem: tocar, dançar, cantar e ser feliz.

Rocinha vem celebrar a história do povo preto e do samba carioca

Com o passar do tempo, e após muitas perseguições do poder público e das elites, a festa ganhou seu espaço, passa ser adotada pelo Estado que viu nela a possibilidade de divulgação da cidade para o exterior e assim trazer turismo.

O povo preto não parou de inventar novas práticas culturais. Durante o ano, mesmo com a vida difícil marcada pela labuta pesada, ainda assim arrumava tempo para se divertir nos morros e periferias fazendo encontros que geralmente aconteciam nos terreiros, após as funções religiosas de matriz africana, que terminavam com cantigas de samba.

E foi assim que o samba se eternizou e deu uma identidade a cidade do Rio de Janeiro, a partir de uma cultura considerada marginalizada. A biografia das escolas de samba é também uma parte da história da relação dos grupos populares do Rio de Janeiro com seu espaço vivido e ambiente de boa convivência. Esses grupos edificaram e aperfeiçoaram o convívio comunitário, se reinterpretaram e conquistaram uma identidade na cidade. Identidade que passou a ser não só a da cidade, mas a da própria nação.

Eu sou o samba, sou a voz do morro, sou filho do povo preto, sou a cultura carioca, e a Rocinha vem celebrar minha história.

Autores:

Marcus Paulo e Cristina da Conceição Silva

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