Conheça o Enredo da Rosa de Ouro para 2025

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GRÊMIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA ROSA DE OURO

Fundada em 17 de maio de 1970

Presidente Nilce Fran

Carnavalescos: Catia Calixto e Déo Carlos

Cores: azul, amarelo e branco

Símbolo: rosa dourada

Bairro: Oswaldo Cruz

Escola Madrinha: Portela

O GRES ROSA DE OURO orgulhosamente apresenta seu enredo para o Carnaval de 2025, com o tema ANASTÁCIA.

O enredo conta a história da escrava Anastácia, ela representa a voz silenciada de muitos que lutaram e sofreram na época da escravidão no Brasil.

Símbolo de resistência e dor que nos leva a uma reflexão sobre a brutalidade e submissão de trabalhos forçados, degradantes e desumanos.

Sua luta tornou-se um exemplo e até serve de inspiração para a resistência e fé de seus devotos.

A mulher já dizia NÃO aos apelos sexuais, embora não fossem respeitadas.

Evidenciaremos neste passeio pela sua história, a beleza, resistência, luta, doçura e opulência da mulher.

 

SINOPSE

A história de Anastácia começou, portanto, com a chegada do navio negreiro “Madalena” no Rio de Janeiro vindo da África.

Estava carregado com negros Bantus, que eram nobres originários do Congo para serem vendidos como escravos, dentre os quais estava Delminda, já grávida de Anastácia de um homem branco e, foi arrematada a um bandeirante que extraia minérios no norte de Minas Gerais, o que aconteceu assim que o navio chegou ao cais do porto, onde os negros eram disputados, leiloados e em minutos toda a carga estava completamente vendida.

Nasceu aos 12 de maio, Anastácia nas terras de Joaquina Pompeu, onde hoje fica a cidade de Pompeu, nas fronteiras entre Minas Gerais e a Bahia.

O que se falou e escreveu sobre ela, dão conta de que se tratava de uma belíssima mulher negra de olhos azuis penetrantes, cabelo curto, dentes muito brancos, lábios sensuais que não cedeu aos apelos sexuais de seu senhor.

Mulher forte, guerreira e algumas vezes orgulhosa, Anastácia era conhecida por reagir e lutar contra a opressão do sistema escravista. Era muito cobiçada por sua beleza, mas ao mesmo tempo em que se desenvolvia, seu comportamento despertava a ira dos seus senhores e de suas mulheres enciumadas, que não se conformavam com a beleza de uma simples escrava.

Como era muito bonita, o filho de um senhor se apaixonou por ela, ofereceu dinheiro para tê-la o que ela não aceitou e passou então a ser perseguida.

Quase podemos dizer que Anastácia foi uma vítima de sua própria beleza.

Foi amada e respeitada por seus irmãos na dor, escravos como ela própria bem como pelos velhos que nela sempre encontraram a conselheira amiga e alguém que tinha “poderes” de cura para os males da alma e corpo.

Tinha o dom da cura, ela apenas impunha as mãos e, as doenças desapareciam.

Os brancos dominadores resolveram castigá-la ainda mais colocando no rosto uma máscara de Flandes de ferro, a mesma que era usada nos escravos das minas de ouro para não engolir as pepitas, que só era retirada na hora de se alimentar, além de prender no pescoço, um colar de escravo fujão que evitava a fuga, tudo com uma suposta acusação de ladra.

Mas os castigos não surtiram o efeito pretendido, a escrava apurou a telepatia e, comunicando-se também através de seus olhos azuis, continuou a passar aos cativos o seu discurso por liberdade.

Após longos anos suportando bravamente a tortura imposta, a linda escrava foi levada para o Rio de Janeiro e infelizmente passou para o plano espiritual que é o Orun (céu), e recebida sob as bênçãos divinas de Olodumare.

Pelo olhar de nossa agremiação ali ela foi liberta sem a máscara de flanders e o colar de ferro porque agora foi divinizada e exaltada no panteão dos orixás.

O remorso tomou conta dos seus senhores e realizaram o seu enterro como escrava liberta depois de morta.

Coberta por camélias brancas, sendo mais tarde, essas flores, símbolo da Confederação Abolicionista. Foi sepultada na igreja construída pelos seus irmãos de dor e acompanhada por dezenas de escravos.

Além de Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares, os passos das mulheres negras vêm de longe, por isso nesse enredo não poderemos deixar de destacar alguns vultos históricos com o perfil igual ou parecido com o de Anastácia que em seu tempo também contribuíram e foram fundamentais em algum momento para a comunidade negra.

1. Dandara dos Palmares

Lutou contra a escravidão em Palmares. Foi contra a proposta da Coroa Portuguesa em condicionar as reivindicações dos quilombolas o dos Macacos pertencente ao Quilombo de Palmares, onde vivia também seu marido, Zumbi dos Palmares.

2. Luiza Mahín

Passou muito tempo na Bahia e participou do levante na Revolta dos Malês. Trabalhava como ganhadeira (no comércio de rua).

3. Tereza de Benguela

No Brasil, dia 25 de julho é comemorado o Dia de Tereza de Benguela em homenagem a líder quilombola. Era mulher do líder do Quilombo de Quarterê ou do Piolho, no Mato Grosso. Por lá, foram abrigados até índios bolivianos incomodando autoridades das Coroas espanhola e portuguesa. Tereza foi presa em um dos confrontos e como não aceitou a condição de escravizada suicidou-se.

4. Aqualtune

Era filha do Rei do Congo e foi vendida para o Brasil. Grávida no Quilombo dos Palmares organizou sua primeira fuga. Ficou conhecida por ficar ao lado de Ganga Zumba, antecessor de Zumbi, seu neto. A guerreira morreu queimada.

5. Zeferina

Líder no quilombo de Urubu, na Bahia. Era angolana e foi trazida ainda criança para o Brasil. As histórias relatam que ela confrontava os capitães do mato com arco e flecha.

6. Maria Felipa de Oliveira

Foi líder na Ilha de Itaparica, Bahia. Tinha como missão principalmente libertar seus descendentes e avós. Ficava escondida na Fazenda 27, em Gameleira (Itaparica), para acompanhar, durante a noite, a movimentação das caravelas lusitanas. Em seguida, tomava uma jangada e ia para Salvador, passar as informações para o Comando do Movimento de Libertação.

Foi uma mulher marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal.

7. Acotirene

Era considerada matriarca no Quilombo dos Palmares e conselheira dos primeiros negros refugiados na Cerca Real dos Macacos. Um dos mocambos (casa) foi batizado com o seu nome.

8. Adelina Charuteira

Era uma das líderes no Maranhão. Era filha de uma escravizada com um senhor, por isso, sabia ler e escrever. Apesar do pai, não foi libertada aos 17 anos, mas era ativamente parte da sociedade abolicionista de rapazes, o Clube dos Mortos. Para arrecadar dinheiro vendia charutos fabricados pelo pai, com essa articulação descobria vários planos de perseguição aos escravos.

9. Mariana Crioula

Era mucama em Vila das Vassouras, Rio de Janeiro. Se juntou com escravizados na maior fuga de escravos da história fluminense em 5 de novembro de 1838. Liderou a fuga e um quilombo com Manuel Congo.

10. Esperança Garcia

Ousou a escrever uma carta para o presidente da Província de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, denunciando os maus-tratos físicos de que era vítima, ela e seu filho, por parte do feitor da Fazenda Algodões.

11. Maria Firmina dos Reis

Foi considerada a primeira romancista brasileira, além de escrever o primeiro romance abolicionista, Úrsula, que narra a condição da população negra no Brasil com elementos da tradição africana. Dedicou sua vida a leitura e escrita.

12. Eva Maria de Bonsucesso

Era uma escrava alforriada que vendia frutas e verduras no Rio de Janeiro. Foi agredida por um homem branco e conseguiu que ele fosse preso, e condenado pela agressão.

13. Maria Aranha

Foi líder do Quilombo de Mola, no Tocantins. Venceu todos os ataques escravistas e organizou toda a sociedade do local.

14. Na Agontimé

Era rainha do Benim e foi vendida como escrava para o Maranhão, até ganhou um novo nome, Maria Jesuína. Ela fundou a Casa das Minas e reconstruiu o culto aos ancestrais.

15. Tia Simoa

Liderou a luta contra a escravidão no Ceará. Foi do Grupo Pretas Simoa.

16. Zacimba Gaba

Era princesa angolana e acabou no Espírito Santo. Provocou uma revolta das pessoas escravizadas contra a Casa Grande e liderou um quilombo onde foi rainha. Comandou durante anos ataques aos navios, surgindo no meio da noite em canos precárias para resgatar os negros escravos, a referência à sua morte seja em um desses enfrentamentos.

 

Prece a Anastacia

“Vemos que algum algoz fez, da tua vida, um martírio; violentou tiranicamente a tua mocidade. Vemos também, no teu semblante, macio, no teu rosto suave e tranquilo, a paz, que os sofrimentos não conseguiram perturbar.

Isto quer dizer: eras pura, superior e, tanto assim que Deus te levou para as planuras do céu e te deu o poder de fazeres curas, graças e milagres.

ANASTACIA, nós te pedimos por nós, protege-nos, envolve-nos no teu manto de graças, com teu olhar bondoso, firme e penetrante.

Afasta de nós os males e os maldizentes do mundo.”

Escrava Anastácia é venerada como santa e heroína em várias regiões do Brasil. De acordo com a crença popular, a Escrava Anastácia continua operando milagres.

Seus devotos das religiões de matrizes africanas e catolicismo sempre terão fé e devoção por ela.

Anastácia significa a vida das mulheres pretas brasileiras desde a chegada nos navios negreiros aos dias atuais. Direitos foram conquistados, mas as dores e chagas ainda são enormes, buscamos em seu legado força para resistir, quebrar as amarras e fazer ressoar nosso grito de liberdade.

Somos filhos e filhas de Anastácia e de outras mulheres pretas que ajudaram a construir este país com suor, sangue e lágrimas.

Símbolo de resistência e força.

Olhar que não se cala jamais!

 

Referências bibliográficas

Neto, Antonio Alves Teixeira, Anastácia Escrava e Mártir Negra, Editora Eco, 8ª edição

Gomes, Laurentino, Escravidão, volume II, Globo Livros

Site: http://www.mulheresdeluta.com.br

 

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