SÉRIE DE ENTREVISTAS: CARNAVALESCOS DA INTENDENTE

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CARNAVALESCOS DA INTENDENTE

Nome: Renato Figueiredo

Carnavalesco da União de Maricá

Profissão: Representante Comercial e Agente Social

Idade: 40 anos

Escola(s) do Coração: G. R. E. S. Portela

1. Como foi o seu início no Carnaval?

Antes do profissionalismo vivenciei muitos carnavais da Em Cima da Hora, pois fui criado no bairro de Cavalcante, onde fica a agremiação. Ali, naquele convívio, comecei a entender o que era uma Escola de Samba. Pode-se dizer que foi minha primeira formação para atuar no carnaval.

2. Conte-nos a sua trajetória?

Cursei gestão de carnaval na Universidade Estácio de Sá, um curso de nível superior, em parceria com a LIESA, que tinha o intuito de formar profissionais para o carnaval. Já no 2º período foi convidado, junto com mais 3 colegas, pelo Milton Cunha (nosso professor à época), para fazer parte da equipe dele e do Carlinhos de Jesus na produção do 1º espetáculo da Cidade do Samba. Logo em seguida, Alexandre Louzada me convidou para fazer parte da nova equipe que ele estava montando na Beija-Flor, foi um ano de muito aprendizado, com ele e com o Laíla. Pude participar de várias etapas da construção de um desfile. Ali foi a minha verdadeira “graduação”. Louzada é, sem dúvida, o profissional certo para abrir os caminhos daqueles que estão começando. Foi gratificante ter a oportunidade de contribuir na criação daquela carnaval campeão de 2007.

Em 2008, junto a meu grande amigo Arthur Reiy, fiz o carnaval do Gato de Bonsucesso (na verdade, mesmo não assinando os demais, contribui, de certa forma, nos carnavais de 2009 e 2010, também). Em 2009 fui convidado para assumir a gestão de carnaval da Em Cima da Hora. No meio do caminho acabei contribuindo também no processo criativo do enredo, inclusive sou eu quem assino a sinopse daquele ano. Foi uma honra ter a oportunidade de contribuir para a Escola que foi meu berço no carnaval.

Logo em seguida, afastei-me um pouco do carnaval profissional, mas nunca deixando de ser folião, sempre atuante nos desfiles, principalmente da Portela, onde também fiz parte da diretoria da Torcida Guerreiros da Águia, a pioneira entre as torcidas de Escolas de Samba.

Alguns anos depois de me mudar para Maricá surgiu a possibilidade de participar do processo de criação de uma nova agremiação que representaria a cidade no carnaval do Rio de Janeiro, o GRES União de Maricá. No primeiro ano (2015/16) tentei contribuir em todos os aspectos, sem uma função pré definida, com o aval do Presidente. No mesmo ano fiz parte do quadro de Harmonias da Portela.

No ano seguinte passei a ser membro da comissão de carnaval da União de Maricá. Um carnaval bastante complicado, onde, na reta final, acabei tendo que fazer todo o trabalho sozinho, resultando num carnaval bem abaixo das expectativas. Já no ano seguinte, com tudo mais organizado, planejado e tendo a certeza de que não haveria interferências no meu trabalho, consegui apresentar um belo carnaval, conquistando o 1º título da Escola. No carnaval de 2019, na minha opinião e de várias pessoas e veículos do carnaval, fiz o maior desfile da agremiação, conquistando diversos prêmios de relevância, como melhor escola e melhor conjunto de fantasias e alegorias, mas, infelizmente, não veio o título do grupo B e o acesso à Sapucaí.

3. Cite-nos o(s) seu(s) ídolo(s) na função.

Bem difícil de responder, pois tive a oportunidade de trabalhar e/ou adquirir conhecimento com muitos grandes profissionais. Além daqueles que se tornaram referências para a minha formação no carnaval.

Mas, para citar alguns nomes, posso mencionar: Fernando Pamplona e João 30, como carnavalescos pioneiros em suas propostas; Therezinha Monte e Ney Roriz (foram quase tudo em suas respectivas agremiações – Cabuçu e Em cima da Hora. De carnavalescos a Presidentes, grandes conhecedores do carnaval). Alexandre Louzada e Laíla (com quem exerci a função e aprendi muito, na prática). Arthur Reiy, que infelizmente, por opção, não atua mais no carnaval. E, atualmente posso citar o Leandro Vieira, Jorge Silveira e Roberto Monteiros, em características distintas, como grandes referências profissionais.

4. Fale-nos do enredo da escola para 2020?

O enredo NOS TEMPO IDOS é o resgate de uma importante passagem da nossa história, por muitas vezes ocultada, esquecida ou até mesmo, por ocasião, descartada.

Nosso enredo se propõe a estudar a antropologia sociocultural da chamada “Pequena África do Rio de Janeiro”, culminando com a história da origem do samba, preconceituosamente intitulado de “cultura marginal carioca” e na concretização da arte e cultura das Escolas de Samba.

Uma história de resistência, perseverança e resiliência, onde a população negra fixou suas raízes, cultuando suas ancestralidades e evoluindo os seus saberes, no “real território afrocarioca”, da Pedra do Sal, do Valongo, dos zungus, do antigo Largo do Rocio Pequeno que se tornou a Praça Onze de Junho… “nação” dos descendentes da “Mãe África” e das tias baianas, pólo concentrador de múltiplas formas de expressões culturais, das mais distintas origens, promovendo assim uma espécie de síntese da cultura popular do país.

5. Quais são as suas expectativas para este carnaval?

Definitivamente será o carnaval da superação! As indefinições em relação a organização do carnaval da Intendente Magalhães, junto as dificuldades de acesso a subvenção (inclusive a de Maricá, aprovada, mas ainda não disponibilizada), fizeram com que repensássemos todo o nosso planejamento e cronograma, chegando a mudanças em parte do projeto. De qualquer forma, faremos o possível para colocar um desfile de qualidade na avenida.

6. Qual será o ponto alto do seu desfile?

A mesma “fórmula” do nosso último desfile; o equilíbrio estético e qualificado entre alegorias e fantasias. Destaco, também, o nosso grande samba de enredo, com um carro de som de muita qualidade, junto ao aprimoramento constante em segmentos, como: comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira e Bateria. Além de sempre termos o privilégio de contar com componentes que cantam e evoluem com muita vontade e alegria.

7. Como está o barracão da escola (fantasias e alegoria(s))?

A parte positiva, em relação ao barracão e o atelier, é que conseguimos manter a equipe que trabalhou no último carnaval. São diversos profissionais, de suma importância, para se fazer um carnaval de qualidade. Miro Freitas continua sendo responsável pela decoração das alegorias e, neste ano, também ficará no comando da reprodução de algumas alas no seu atelier particular, além de também colaborar com o Júnior Marinho, no nosso atelier próprio (que já está fazendo alguns trabalhos, principalmente de organização dos muitos materiais que temos de carnavais passados). Outros ateliês, que nos prestaram serviço, já estão negociados e prestes a iniciar os trabalhos.

Os protótipos estão prontos para, enfim, iniciarmos a reprodução das fantasias.

Em relação ao barracão de alegorias já estamos iniciando o trabalho de ferragens e, junto ao nosso escultor e pintor de artes, Alan, estamos finalizando os estudos das alegorias, para então colocarmos o projeto em prática.

8. Como virá a escola, em relação a nº de alas, componentes, quantos setores serão o desfile?

Serão 17 alas e 3 alegorias (dois carros e um tripé), estamos trabalhando com previsão de 800 componentes, mas com a possibilidade, via regulamento, de redução de contingente, podemos reprojetar para 650, divididos em 3 setores.

9. Um carnaval inesquecível?

Trabalhando, vivi grandes emoções, como no carnaval de 2007, participando do campeonato da Beija-Flor; em 2014, como harmonia, no retorno da Em Cima da Hora à Sapucaí, reeditando “Os Sertões” (já no esquenta, com “33, destino D. Pedro II” a emoção foi à flor da pele); e em 2018 e 2019, pela União de Maricá, com um campeonato e diversas premiações.

10. Qual é o seu maior sonho?

Em relação ao carnaval, ver (se possível contribuindo para que isso aconteça) a União de Maricá desfilando na Sapucaí.

11. Deixe-nos uma mensagem para a galera que acompanha o Carnaval da Intendente.

Antes, quero parabenizar, mais uma vez, o trabalho do SAMBA NA INTENDENTE frente ao carnaval da Intendente Magalhães, que é de grande importância e prestígio aos profissionais e agremiações que naquele palco desfilam o seu trabalho e amor pelo carnaval.

Sobre a mensagem, eu tiro de um trecho da sinopse deste ano, onde proponho a seguinte reflexão: “Sempre houve, há e haverá, infelizmente, a tentativa de se apagar o que é do povo, para o povo. Resta a nós, militantes das artes e culturas populares, reinventarmos saberes através das experiências deixadas, afim de conquistarmos os devidos valores e lugares, de fato e de direito, merecidos”.

Sambistas, uni-vos! Sejamos resistentes, perseverantes e resilientes.

Renato Figueiredo

“O samba é pai do prazer / O samba é filho da dor / O grande poder transformador”… “Negro forte, destemido / Foi duramente perseguido / Na esquina, no botequim, no terreiro… Agoniza, mas não morre” (Caetano Veloso – Desde que o samba é samba / Nelson Sargento – Agoniza, mas não morre)

Obrigado Renato Figueiredo pela participação e ótimo Carnaval!

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