Recordando Carnavais…
Inhaúma volta a ter uma escola para chamar de sua, a Mocidade Independente de Inhaúma (MII) retorna da inatividade (seu último desfile foi em 2018) para o carnaval de 2025. Comandada pelo presidente Hygor Monteiro e Matheus Otero, vice-presidente, pleiteia uma vaga no Grupo de Avaliação da Superliga Carnavalesca.
O Bloco Carnavalesco fundado em 15/02/1963 (só registrado um ano depois), virou Escola de Samba em 07/05/1995. O Recordando Carnavais celebra a volta dessa aguerrida agremiação da Zona Norte Carioca relembrando os dois campeonatos de sua história como escola de samba: 1997 e 2007.
GRÊMIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA MOCIDADE INDEPENDENTE DE INHAÚMA
CARNAVAL DE 1997
SONHAR É VIVER!
Resultado: Campeã do Grupo E
Data, Local e Ordem de Desfile: 7ª Escola a desfilar no Grupo E em 11/02/1997, terça-feira, Av. Rio Branco, Centro, RJ
Carnavalesco: Neil de Paula Ferreira
Presidente: Neil de Paula Ferreira
1º Casal de MS e PB: Jorge Caçapa e Edléia “Léa” dos Santos
O primeiro título foi conquistado no carnaval de 1997, em seu segundo desfile como escola de samba. A azul e branca trouxe o enredo: “Sonhar é Viver!” do Carnavalesco e Presidente Neil de Paula Ferreira e foi campeã do Grupo E.
Samba-Enredo
Autores do Samba-Enredo: Moacir Ferreira, Bira do Pagode, Bruno e participação Júlio Barbudo
Puxador: Alexandre Raposo
Cantor de Apoio: Sidney “Ney” Mesquita
No balanço desse povo / Abracei o talismã / Quem espera sempre alcança
Em querer ser campeã!
(Mas eu vou mergulhar) Vou mergulhar na alegria / E me perder na ilusão (ilusão)
Jogar os versos na folia / Na sublime inspiração
(Sonhar é viver) Sonhar é viver / Fazendo a vida um futuro bem melhor (bem melhor)
Eu sou o luxo e riqueza / Ser feliz com a Natureza / Sem essa de uma pior
O amanhã pode chegar / No esplendor da fantasia
Em devaneios encontrar / O despertar de um novo dia
(Vou viver) Viver a beleza de um sonho / Ver o mundo risonho
Um ser feliz a cantar (a cantar) / Sem o poder da tirania
Chega de soberania / Sofrimentos nunca mais
Zumbi e Tiradentes lutaram / E fizeram dos seus sonhos seus ideais
Sonhando Mocidade na avenida / Através dos carnavais
A seguir o áudio inédito do samba campeão, gentilmente cantado à capela por Ney Mesquita e publicado no canal do YouTube TR Sambas de Enredo, do Túlio Rabelo.
*Não possuímos nenhum registro fotográfico do desfile de 1997
GRÊMIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA MOCIDADE INDEPENDENTE DE INHAÚMA
CARNAVAL DE 2007
A NEGRITUDE ESTÁ EM FESTA! UM REI NEGRO É COROADO NO QUILOMBO DA MOCIDADE
Resultado: Campeã do Grupo E
Data, Local e Ordem de Desfile: 7ª Escola a desfilar no Grupo E em 20/02/2007, terça-feira, Estrada Intendente Magalhães, Campinho, RJ
Carnavalesco: Edson Siqueira
Presidente: Rubem Otero Júnior “Rubinho”
Diretor de Carnaval: Tércio Cândido de Azevedo
Diretor de Harmonia: Beto
1º Casal de MS e PB: Denílson Fernando de Lima Marcolino e Danielle Rohr
Coreógrafo da Comissão de Frente: Antônio Martins
Bateria Tsunami: Mestres Dinho (Degazito Domingos da Silva), Neguetti e Luiz Cláudio
Diretora Responsável pela Ala das Baianas: Maria da Penha
Diretor Responsável pela Ala das Crianças: Anselmo
Presidente da Galeria da Velha Guarda: Álvaro Albano de Souza
Com o enredo “A NEGRITUDE ESTÁ EM FESTA! UM REI NEGRO É COROADO NO QUILOMBO DA MOCIDADE”, a escola inhaumense voltou a soltar o grito de campeã no carnaval de 2007, também no último grupo (Grupo E). No seu último campeonato, a escola tinha como carnavalesco Edson Siqueira e ele irá desenvolver o carnaval da agremiação no seu retorno em 2025.
Outra curiosidade é a posição de desfile, novamente a 7ª posição, igual no ano da primeiro conquista em 1997. Quem sabe no sorteio do Grupo de Avaliação de 2025 ela não seja a 7ª escola a desfilar e não seja novamente campeã!?
Samba-Enredo
Autores do Samba-Enredo: Paulo Arnot “Arnot da Fazenda”, Carlinhos Ouro Preto e Luiz Reza Forte
Puxador: Sidney “Ney” Mesquita (foi campeão na quadra defendendo o samba da parceria e campeão na Avenida)
Ecoam… os atabaques / No quilombo Mocidade / Botando um rei congo na congada
Mostrando aqui / Toda sua identidade / (E a mãe África) A mãe África é a festa
A hora é essa de mostrar toda verdade / Reis, rainhas e guerreiros
Capoeiras e jongueiros / Fazem a festa na cidade
O Congo tem um rei que é coroado / Por São Benedito ele é abençoado
Chêue-pa babá vou acender os candeeiros
Ilumina vossos filhos / Clareia nosso terreiro
(E hoje) Hoje a velha guarda está feliz / Presta tributo a raiz / De riqueza negra cultural
A fé e devoção se faz presente / Na nossa Independente / Mostrando todo ritual
Em azul e branco estende o manto / De beleza triunfal
Orgulhosamente os quilombolas / Cantam e dançam em nosso carnaval!
Um grito de liberdade / Se tornou realidade / O negro é rei do quilombo Mocidade
Sinopse
A negritude está em festa! Um rei negro foi coroado no Quilombo Mocidade
Objetivo: O objetivo do Enredo é a exaltação da Raça negra através de uma das vertentes do folclore brasileiro, conhecida como a Coroação do Rei Congo, ou mais precisamente a Congada. É uma forma de exaltar o negro em sua plenitude, como figura central em que será ovacionado como personagem principal, e não como um coadjuvante, sofredor e vítima. Aqui ele será o personagem principal, representado por vários heróis negros de nossa história.
Introdução: As últimas descobertas científicas reconhecem a África em seu lugar de berço da Humanidade, e atestam que os africanos são originários de seu próprio continente. Nas diferentes civilizações há profissionais e figuras mitológicas responsáveis por desempenhar no seu dia-a-dia, o papel de transmissores da cultura, guardiãs de costumes, mantenedores e recriadores de crenças, lendas, contos, cantos, versos que encerram sentimentos sociais, culturais, religiosos, éticos, constituintes da cultura da sociedade a qual pertencem. Estas sociedades, hoje, estão espalhadas pelo mundo inteiro, dentre elas a chamada Afro-brasileira. É a marca do ser africano que se espalhou pelo mundo inteiro. Afro é, portanto, todo ser humano, toda cultura, toda sociedade que tem no seu sangue, o continente africano, mesmo em espaço e tempo diferentes.
Os africanos chegavam no Brasil desde o século XVI. Para o nosso país vieram africanos principalmente de Angola, Guiné, da Costa da Mina, das civilizações Iorubá, Bantu, Haussás, Geges, Benguelas, Mandingas e Congos. Traziam consigo suas religiões, espiritualidade, seus rituais, seus valores, suas tradições, seus domas, seus costumes e ciências.
A política da Igreja procurou manter estas nações. As nações africanas eram inimigas entre si e essas lutas continuaram no Brasil. Havia necessidade de evitar uma revolta contra o branco. O folclore manteria, em parte, a velha tradição guerreira. Os negros, no Brasil, nas suas brincadeiras, formavam tribos que guerreavam – suas danças eram guerreiras. A Igreja conseguiu transformar o instinto guerreiro do negro em cruzada religiosa…
Desenvolvimento do enredo – A congada:
A Coroação do Rei Congo é um auto de origem africana, que representa a coroação do Rei do Congo.
Rei Congo e Rei Bamba lutam para obter o privilégio de realizarem a festa de São Benedito (o padroeiro dos negros no Brasil).
Rei Bamba é vencido, sendo ele e toda sua corte batizada pelo Rei Congo. Como é de costume na tradição africana, o batismo termina com uma festa em honra ao Rei Congo, quando, então, se canta e dança o Ticumbi. Durante a dança são utilizados pandeiros e chocalhos e lata, denominados ganzás ou canzás.
Mas Rei Congo quer festejar muito mais! E escolhe o Quilombo Mocidade, e toda sua corte azul, branca e ouro, para sua coroação. E decide, do alto de sua nobreza africana, compartilhar este momento com todos os seus irmãos negros, de sangue e fé. Ecoam os atabaques!!!
Manda convidar os negros das nações africanas de Angola, da Nigéria, do Sudão, a nação Iorubá e toda a suntuosidade negra.
Príncipes africanos, os negros senhores, negros guerreiros… Lembranças da África, as negras raízes presentes na coroação. Mas em festa de Rei não pode faltar Reis e Rainhas…
Rei Zumbi, com o qual o negro retomou sua liberdade… E do rodopiar da negritude, negro foi livre!
Chico-Rei. Cabeças negras, ouro nos cabelos, negra riqueza, liberdade enfim…
Xica da Silva… Negra feia e pobre, comprada pela graça, pelo amor, atrevida e requintada, fez-se Rainha em seu jardim, a negra influência sobre o requinte dos salões. Ouro e palha, veludo e prata. Consigo vieram suas mucamas, responsáveis pelos quitutes da festa.
Rainha Ginga, que durante 13 anos lutou contra os portugueses em Angola, em defesa da dignidade dos negros. Considerada a última Rainha autêntica. Os Reis do Maracatu também vêm trazer o seu reconhecimento e trazem consigo o luxo e o requinte que uma corte merece, abrilhantando ainda mais este acontecimento.
Rei Congo, em seu trono de marfim, abençoado por São Benedito, recebe a todos com garbo e elegância. Negro, de tronco nu, e manto de damasco a lhe tapar os pés.
É festa no Quilombo Mocidade! A corte negra, vinda de várias partes da África visita à negrada afro-brasileira, recepcionada pela garbosa Velha-Guarda Inhaumense… Lampiões e máscaras, adornos africanos em terra brasileira. Jongos, quilombos, bate-coxa e capoeira…
Rei Congo está feliz!! O negro é Rei!! O Rei é negro!!
Ele dedica esta festa a seu povo. Povo este que guarda as tradições de sua cultura, alimentada pela fé e esperança balançadas pelo modernismo desatinado, sem rumo e destino duvidoso, sem saber para onde será levado. Os tambores continuarão a bater, a cantar, a dançar, apesar das agruras da vida e dos sofrimentos. O povo, porém, sobreviverá guardando na memória suas singelas tradições.
É… O negro é Rei! Saravá no Congá!!
Edson Siqueira
Por Danilo Guerra Couto
Pesquisa Danilo Guerra Couto
Agradecimentos
Ao Ney Mesquita que resgata e canta à capela os sambas campeões
Ao Túlio Rabelo do Canal do Youtube TR – Sambas de Enredo
Fontes:
Academia do Samba
Galeria do Samba
Fotos: O Batuque
