Carnaval 2025 – Confira a Sinopse do Bloco Resistentes da Lapa

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Resistentes da Lapa é uma agremiação carnavalesca sediada no bairro mais boêmio do Rio, a Lapa. Fundado em 20/01/2021, no dia de seu santo padroeiro São Sebastião e, também, da cidade do Rio de Janeiro. O Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco e Cultural Resistentes da Lapa filiou-se à Federação dos Blocos do Estado do Rio de Janeiro (FBCERJ) em 2024 e irá estrear no Carnaval de 2025 no Grupo 2, no dia 1º de março, sábado de carnaval, na Avenida Chile, com o enredo: “Lapa: Resistência, Amor e Carnaval”.

Presidido por Kelly Cristina Rio Leite e pelo vice-presidente Dhel Aquino, que também é um de seus fundadores e carnavalesco do Bloco.

O Enredo e a Sinopse são de autoria do Carnavalesco Dhel Aquino.

A seguir conheça a Sinopse do Enredo: “Lapa: Resistência, Amor e Carnaval”:

Atenção senhores passageiros, o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco e Cultural Resistentes da Lapa, orgulhosamente, tem o prazer de convidá-los para uma viagem fantástica ao bairro mais emblemático e boêmio da cidade do Rio de Janeiro, a Lapa. E é na passarela de asfalto da Av. Chile, Centro do Rio, que vamos embarcar nessa viagem. Tudo pronto? Então vamos lá, pois vai começar! Primeira Parada: Século XIV. Olha quem encontramos, são os índios tupinambás, os primeiros habitantes da Lapa. Os nativos, de pele morena e olhos amendoados, trajam ousadas vestimentas. Eles parecem assustados, mas estão encantados com a nossa presença. Avançamos rapidamente para o século XVIII e nos deparamos com o Aqueduto da Lapa. Ele foi construído com a mão-de-obra escrava dos índios e dos negros africanos, para levar água do bairro de Santa Teresa ao Largo da Carioca. Esses bravos guerreiros trabalhadores são símbolos de luta e de RESISTÊNCIA. Temos pressa! Saudamos e nos despedimos de todos, seguimos a viagem. Segunda Parada: Avançamos bem e chegamos à Década de 1930. É um lindo final de tarde de sexta-feira. A Lapa ferve! Hotéis, hospedarias, cafés, restaurantes e bares estão cheios. Pessoas elegantemente vestidas, transitam por suas ruas e calçadas. O bonde corre, num frenético vai e vem. Passageiros sobem, outros descem, o motorneiro acelera, ele tem pressa! O vendedor de jornal grita: “Extra, extra, a polícia está a procura de Madame Satã!”. Mas quem seria Madame Satã? Dizem ser um temido malandro, famoso por suas confusões e por sua habilidade nas rodas de capoeira. Falam que ele já enfrentou até policiais, o sujeito é brabo! Mas deixa pra lá, vamos caminhar, temos muita coisa ainda pra fazer. No Largo da Lapa, cantores e músicos, com seus violões, entoam belas canções, deixando as cabrochas, que assistem, extasiadas. Entre os cantantes, há um rapaz franzino, de queixo pequeno, que é chamado pelos ouvintes de Noel Rosa. Outro, de pele morena, dizem ser Francisco Alves, o “Rei da Voz”. Parecem rapazes bem talentosos. Ah, têm duas cantoras entre eles, uma parece ser Aracy de Almeida, a outra, Carmem Miranda. Sim, são elas! Reconheci pela voz afinada da Aracy, a “Dama da Central”, e pelo sorriso e jeito faceiro da Carmem, a “Pequena Notável”. A noite cai, e é noite de lua cheia! Cavalheiros, com seus ternos de linho branco engomados, damas impecavelmente vestidas, adentram às gafieiras. Olhares se cruzam, nascem namoros repentinos, uns se tornam duradouros, outros ficam só naquela noite. Nas ruas, já é madrugada e observamos grupos de seresteiros, rodas de capoeira e alguns malandros solitários. Os casais apaixonados estão por todos os cantos, parece que o AMOR está no ar! Já é tarde, é hora de descansar, vamos para o Grande Hotel Bragança, pois amanhã o dia promete, é sábado de Carnaval. Isso mesmo, será o início do Carnaval carioca! Hum, acordamos, o sono foi relaxante e maravilhoso. Vamos ao café da manhã. Que tal irmos à Leiteria Mineira, lá dizem que são servidos deliciosos quitutes, tem uma variedade de chás e um saboroso cappuccino. O preço e a qualidade são ótimos, bem parecidos com os da Confeitaria Colombo. Já é possível ouvir o som de um cordão carnavalesco, que se aproxima. É o Bola Preta! Corram, vamos vestir nossas fantasias! São pierrôs, colombinas, arlequins, índios, mascarados. Então, todos prontos? Vamos lá! Lá vem o corso, olha que lindo! Confetes e serpentinas cruzam o ar. Alguém pergunta: que cheiro diferente é esse? Um brincante responde: “é lança-perfume, sintam na pele, é geladinho. Venham, venham, vamos, é CARNAVAL!” E lá vamos nós, seguimos acompanhando aquela animada procissão. Mas à frente, cruzamos com os luxuosos carros alegóricos dos Democráticos, Tenentes do Diabo e dos Fenianos, são as grandes sociedades. Pôxa, ainda teremos mais três dias de carnaval, mas por hoje chega, precisamos seguir a viagem. Partimos! Terceira Parada: O ano é 2025, é noite de Sexta-Feira de Carnaval. Olha a Lapa, nossa, quanta diferença! Ela resistiu ao tempo, mas continua imponente e encantadora. Alguns lindos sobrados desapareceram, mas agora os arcos estão mais visíveis. Os bares estão fervendo! Muita gente fantasiada, músicas e variedades de ritmos para todos os lados. Tem pagode, samba-enredo, marchinhas, funk, forró, hip-hop, charme, entre outros, todo mundo se divertindo. Jovens, adultos, moças e rapazes, se misturam aos travestis, roqueiros, funkeiros e outras tribos, numa paz e total harmonia. É um carnaval bem democrático. Os blocos tomam conta das ruas, são vários, incontáveis. Vamos ali à Rua Joaquim Silva, passamos pelo Santuário do Zé Pelintra. Na famosa via, também moraram a Carmem Miranda e o músico Jacob do Bandolim. Por ali, provavelmente, também transitou o camelô Silvio Santos, vendendo suas capas de títulos de eleitores e canetas. O apresentador nasceu na Lapa, no ano de 1930. Seguimos mais à frente e chegamos à Escada Selarón. Ela faz o maior sucesso entre os turistas e tá conhecida no mundo inteiro. O artista e ceramista chileno nos presenteou com essa obra sensacional. Obrigado, Selarón! Ih, gente, acordei, não acredito, foi tudo um sonho! Vamos voltar a realidade e correr, pois, hoje é 1º de março de 2025, Sábado de Carnaval, a noite se aproxima, e o Resistentes da Lapa vai realizar seu primeiro desfile na Av. Chile, é a nossa estreia como bloco de enredo. É muita responsabilidade, meu povo! Atenção diretoria, comissão-de-frente, baianas, passistas, porta-estandarte, mestre-sala, compositores, intérpretes, todos, vamos que vamos! Já que infelizmente foi tudo um sonho, que tal a gente contar para o público e à comissão julgadora, como foi a linda viagem que fizemos pela Lapa, o nosso amado bairro, lugar de RESISTÊNCIA, AMOR E CARNAVAL! Avante, Resistentes, vamos rumo à vitória!

Pesquisa e texto: Dhel Aquino – Jornalista, Vice-Presidente e Carnavalesco

Fontes consultadas para a pesquisa:

www://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/14465-os-ind%C3%ADge

www://vejario.abril.com.br/cidade/hotel-abandonado-e-leiloado-e-reabre-na-lapa/mobile

https://pt.wikipedia.org/wili/FranciscoAlves 

https://raizesmpb.folha.com.br/vol-19.shtml 

https://www.rio.rj.gov.br/web/portaldoservidor/exibeconteudo?id=5834892 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/20233/arcos-da-lapa-de-aqueduto-a-viaduto

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