AH! EU TÔ FELIZ,  EU VOU À PRAIA COM A MATRIZ!

Rio de Janeiro…  Gosto de você

Gosto de quem gosta… Desse céu, desse mar, dessa gente feliz…

E dessa gente que é Matriz.

Desse meu vizinho Rio de Janeiro maravilhoso eu gosto de tudo, gosto do céu, gosto do azul do céu, gosto do sol, gosto do mar, gosto até do sal desse mar, gosto da gente, gosto do jeito carioca de ser, gosto do carioca irreverente e gaiato, do carioca amulatado pelo bronze desse sol que Deus nos presenteou. E daqui de São João de Meriti me sinto carioca e muito carioca.

Gosto muito desse Rio de Janeiro de samba, mulata, praia e futebol. Desse último a coisa desandou, e muito, na última copa do mundo, por isso, vamos esquecê-lo um pouco e focarmos nosso papo nesse tripé exemplarmente carioca – Samba, Mulata e Praia…

E o que faremos é trazer a praia para o samba, traremos a praia para um desfile de escola de samba, ou melhor, faremos de nosso desfile uma autêntica praia carioca.

Vamos lá povo bom de São João de Meriti! Vamos lotar um buzão e seguirmos em destino a Zona Sul carioca. Vamos pegar o Meriti-Copacabana, ou o São João-Ipanema-Leblon, se bem que a coisa, nos dias de hoje, não seria tão simples assim. Certamente pegaríamos o São João Cascadura, depois o Cascadura – Central e por fim, quem sabe, um Central – Zona Sul, mas isso é papo pára um outro enredo.

Poderíamos até mesmo irmos para a nossa gloriosa Zona Norte, Peguemos o Matriz-Ramos e vamos fazer do pitoresco Piscinão de Ramos o nosso desfile! Isso até me lembra uma música do também pitoresco sambista Dicró.

Domingo de sol…      Adivinha pra onde nós vamos…

Aluguei um caminhão …   Vou levar a família na praia de Ramos.

Com muita vontade de me divertir e fazer diversão para esse povão, apresentamos:

AH! EU TÔ FELIZ, EU VOU À PRAIA COM A MATRIZ!

O dia claro e o sol brilhante nos convidam para uma ida a praia. E lá vamos nós. Deixemos nossa terrinha pacata e nos aventuremos rumo ao mar. Vamos a praia!

Aos poucos a brisa marinha nos aconchega e o barulho das ondas nos chega com aquele jeito convidativo. O Sol, sempre um bom anfitrião, nos sorri e nos chama em alto e bom som: Aproveitai-me! sou seu rei nesta manhã. O calçadão, imitando as ondas, se abre ante nós como um tapete de pedras brancas e pretas. Enfim chegamos.

Estamos na praia e vamos nos divertir. O sorveteiro já nos chama, o moço do coco verde nos acena, o rapaz do mate apregoa um daqueles refrões de manhã festiva, o menino de pé descalço vende quitutes e camarão, ah! Que cheiro bom. E tudo seria mais bonito e agradável se por trás desse apregoar de tantas coisas não soasse um receio, um medo de uma nova ordem, uma ordem impiedosa, impensada e impopular, que não me deixa comprar desse povo humilde que ao sol, tenta seu lugar ao sol. Tudo continuaria sendo lindo não fosse esse tal de CHOQUE DE ORDEM. Mas vamos deixar isso pra lá. Nós viemos aqui “praiar” e não para reclamar.

E já descalço, com as sandálias na mão, sinto o calor da areia alva, branca e límpida, nem sempre, aquecendo, quase queimando na verdade, os meus pés. Desvio um pouco da quadra de vôlei, afinal a rapaziada merece seu espaço de lazer, passo por trás da baliza pra não atrapalhar o belo gol que estava por nascer, passo por uma, por duas, por três barracas de praia, por meia dúzia de toalhas e guarda-sóis e encontro meu lugar ao sol.

E fico me perguntando: — Que magia é essa que a praia tem? Será o sol escaldando? Será o mar refletindo o azul do céu e beijando a areia clara? Serão as ondas e seu rufar de água e espuma? Será a brisa acolhedora? Será o colorido das sungas, cangas, bermudas, guarda-sóis e biquínis? Será a alegria daquele povaréu alegre e sorridente?

E sem pensar muito me respondo: — A praia é tudo isso e muito mais. A praia é um estado de espírito e um raro momento de paz, prazer e lazer. A praia é tudo de bom. E por ser um paraíso precisamos preservá-las, conservá-las para o bem de todos. O lixo, os restos, os detritos, o côcô do cachorrinho da madame, não pode ter a areia de nossas praias como depósito. Vamos conservar o que é nosso. E a praia é nossa.

A praia não tem idade, não tem limites nem preconceito, a praia em si é um conceito. Um conceito de sociabilidade e de bem viver. As crianças de boias, baldes e pazinhas constroem seus castelos de areia que as ondas mais afoitas teimam em apagar. Os jovens namoram, paqueram e tentam namorar e os olhares se cruzam e se tocam e miram partes desnudas de corpos em bronze. Os de meia idade se protegem e protegem seus petizes e os mais velhos se espantam a cada corpo e a cada traje mais ousado. Os salva-vidas vigiam as moças que passam, as ondas que chegam, os surfistas e windsurfistas que vão e que vem e os banhistas mais afoitos e até mesmo o rapaz do biscoito eles tentam vigiar.

A praia é o lugar de toda a gente, de todas as tribos, de todos os rostos e de todos os gostos. Tem lugar pra tudo e pra todos. Tem farofa e farofeiros, tem pagode, batuque e pagodeiros, tem funk e funkeiros, tem turista brasileiro e outros tantos estrangeiros, As vezes tem arrastão, corre corre e empurrão, tem briga,  mas sem muita confusão. E nós sambistas estamos saudosos dos tradicionais banhos de mar a fantasia. Como era bonito aquele tempo, onde praia e folia se uniam em nome da alegria.

E o sol já esta se pondo, num belo entardecer, em Ipanema até aplausos o sol se despedindo faz por merecer. Já é hora de voltarmos, a noite vem chegando e um palco para um grande show vai se montando. Será rock, será samba ou pagode, será um sinfônica, um balé ou será um pastor da fé? E ai a praia será palco, continuará sendo festa na alegria de nosso povo.

E já no calçadão me volto para o sol quase sumindo e me lembro de mãe Yemanjá, agradeço o dia de sol, o dia de mar e o dia de praia e lhe faço a promessa de voltar no último dia do ano e lhe entregar um maço de rosas brancas e receber de suas mãos caridosas as bençãos de um novo ano que se iniciará.

E daqui de São João de Meriti só podemos agradecer ao nosso vizinho e querido Rio de Janeiro por essas praias maravilhosas. A Matriz de São João de Meriti vem humildemente homenageá-las em 2017.

Sorte sua Rio de Janeiro, não termos praia por aqui na minha querida São João de Meriti.

AH! EU TÔ FELIZ,  EU VOU À PRAIA COM A MATRIZ!

Luiz Fernando Reis, Carnavalesco