CONFIRA A SINOPSE DO BLOCO COMETAS DO BISPO

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GRÊMIO RECREATIVO BLOCO CARNAVALESCO COMETAS DO BISPO

cometas

PRESIDENTE: MARCELO VELASCO NASCIMENTO

CARNAVAL 2017

ENREDO: RUBEM CONFETE: A VOZ DO SAMBA!

CARNAVALESCO: GIL FELIX

SINOPSE

“Talento múltiplo, repositório da mais pujante energia afro-brasileira, CONFETE é um “jequitibá velho”, “madeira-de-dar-em-doido”. Então, deixem-no passar, com sua elegância, com sua “non challance” de negro jeje.” (Nei Lopes)

As primeiras memórias da minha existência vem de um tempo em que era criança, com aproximadamente 5 ou 6 anos e ouvi a voz meiga e doce de minha mãe a me chamar: – Rubem, o café está pronto. Rubem, não demore. Rubem dos Santos, deixe para brincar depois.

Momento mágico, pois a casa em Madureira, zona norte do Rio de Janeiro, dava-me a liberdade e a alegria: conquista de bairros ainda não invadidos pelos prédios. As datas festivas eram sempre comemoradas de forma intensa por todos. Mas, o carnaval era especial, pois aquele batuque fervilhava o sangue, a alma e o corpo do povo. Eu passei a experimentar estes primeiros acordes com muita admiração. Palhaços, índios, bailarinas, piratas, marinheiros, pierrôs e colombinas transformavam as ruas num caloroso cenário de fantasia, fazendo do samba uma das partes da minha essência. Nesta fase também, mediante a preocupação de meus pais, começo a conhecer as primeiras letras com as Donas Etelvina, Dinorah e Anita, e a me encantar com as maravilhas da literatura.

O tempo passa, torno-me um jovem curioso, sempre ávido às descobertas, para então cursar a Escola de Artes Gráficas e aprender tipografia, encadernação e foto gravura. Ali irrigava-se a semente da comunicação que me traria muitas gratas surpresas. Paralelamente ao fascínio pelas letras, seria também conduzido pela dança às artes. Nas Gafieiras Elite e Estudantina e no Dancing de Irajá, nos finais de semana e, às vezes, às quartas feiras, arrumava-me impecável, querendo impressionar, para bailar com belas damas de vestidos, cabelos e acessórios encantadores.

Entre um baile e outro, eis que surge Xangô da Mangueira convidando-me para atuar como passista da Estação Primeira. Mais que rapidamente disse sim e se estabeleceu um casamento de amor e felicidade eternas. Por lá fiquei alguns anos, e, abrindo-se assim outras, como fazer parte do corpo de baile de passistas da Acadêmicos do Salgueiro e apresentações em diversos eventos particulares. Foi num show no Clube de São Cristóvão Imperial que nasceria o Confete na minha história. Ao bailar no assoalho muito liso e com a sola de sapato de couro, os confetes lançados pelos convidados, como forma de agradecimento, deixavam o piso escorregadio, possibilitando qualquer acidente. Rapidamente pedi: “- Parem de jogar confete” e um folião começou a me chamar “Confete, Confete !”, sobrenome que carrego no sangue até hoje. O apelido se consolidou mesmo pouco depois, quando estagiei na Imprensa Nacional e trabalhei na Guanabara em Revista, órgão oficial do Museu da Imagem e do Som do diretor Ricardo Cravo Albin, que sacramenta a descoberta de Confete, desaparecendo no tratamento entre amigos e imprensa o dos Santos. A partir daí passei a ser Rubem Confete.

Fui integrante da ala de compositores da Império da Tijuca e da Imperatriz Leopoldinense. Além de samba-enredo, compus várias músicas em parcerias com João de Aquino e Nei Lopes, entre outros. Algumas das quais gravadas por Wilson Simonal, João Donato, Caetano Veloso, Nei Lopes e Roberto Ribeiro.

Os anos 70 me proporcionaram muitos desafios, pois recebi o convite para desenvolver o enredo da escola de samba paulista Camisa Verde e Branco, em homenagem ao poeta modernista Jorge de Lima. Convite feito, convite aceito. Daí resolvi, dentre os muitos poemas negros do autor, focar na obra Negra Fulô e criar “Uma certa Negra Fulô”, que primou pela visão mais concreta e verossímil, e simpática, pode-se assim dizer, da participação do negro na formação da sociedade brasileira, marcada pela observação valorativa da etnia negra. Como reforço do meu ideal, acredito que o negro passou a ter maior dignidade a partir das mudanças promovidas por Fernando Pamplona, com se enredo Zumbi dos Palmares, permitindo que se discutisse essa importância dentro do Carnaval.

Trabalhei na Rádio Continental, fundei o grupo de capoeira Filhos de Angola, e ao lado de Wilson Moreira, Candeia e Delcio Carvalho fundamos o Grêmio Recreativo de Artes Negras e Escola de Samba Quilombo, atuando como compositor e mestre-sala. Minha dedicação à causa do resgate da ancestralidade africana se faz presente na música, na dança e na religião, na minha atuação como Ogan, receber de energia, olhos e mãos da casa, até hoje, na Casa da Nação Jeje-Vodum, na tradição dos orixás no Ilê Obatalá. Neste mesmo período fiz participações na Rádio Roquete Pinto como comentarista e produtor do programa A Hora e a Vez do Samba. Sou fundador do Instituto de Pesquisa de Cultura Negra, escrevi para jornais e revistas, como: Pasquim, Jornal Lampião, Revistas Nacional, Panorama e Unidos da Tijuca e Jornal Tribuna da Imprensa. No final dos anos 80, fui comentarista de carnaval da Rede Globo, e integrante, 2 anos depois, do júri paralelo de carnaval da Rede Manchete.

Eu, um jovem senhor, não me contentava com a expressão aposentadoria da vida. Desta forma, o envolvimento com a comunicação e o samba foi endossado como conselheiro da Associação Independente dos Comunicadores do Carnaval, Sócio Honorário do Cordão do Bola Preta e presidente da Associação dos Barraqueiros do Terreirão do Samba, conduzindo e encaminhando as legítimas reivindicações do imenso contingente de foliões trabalhadores que lutam por manter acesa uma das mais importantes tradições cariocas: o SAMBA. E como grande momento de felicidade em minha trajetória, fui agraciado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro com a medalha Pedro Ernesto, pela importância e destaque na sociedade carioca.

Hoje aos 79 anos, continuo em plena atividade profissional, conduzindo todas as tardes, de segunda a sexta um programa na Rádio Nacional, em defesa do legado do samba. Faço do dom e da missão que me foram atribuídos uma forma de fazer com que ícones como: Cartola, Silas de Oliveira, Francisco Alves, Ivone Lara, Clementina de Jesus, Monarco, Candeia, Clara Nunes, Elizete Cardoso, e tantos outros não sejam esquecidos pelas novas gerações com a certeza de que estou plantando sementes que germinarão, na esperança de um mundo humano. Sou um jequitibá velho e com os amigos do Armazém do Senado formamos a família do samba. Reservo parte de algumas tardes da semana o momento de degustar meu vinho predileto, acompanhado de saborosos aperitivos, e ter excelentes dedos de prosa com a fiel turma da arteterapia.

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