FEDERAÇÃO DOS BLOCOS CARNAVALESCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FBCERJ – GRUPO B – CARNAVAL 2019

7 – GRÊMIO RECREATIVO BLOCO CARNAVALESCO TRADIÇÃO BARREIRENSE DE MESQUITA

21616537_875184709306484_2051106224983115888_n

Fundação: 27/12/2000 (17 anos)

Presidente Administrativo: Marcos Vinícius Francisco de Souza

Cores: Azul e Branco

Sede/Quadra: Estrada Feliciano Sodré, 2138, Centro, Mesquita, RJ

Bateria: Chapa Quente

ENREDO: “O POVO FAZ A FESTA”

Carnavalesco – Moisés Ganga

Sinopse

Em 2019, o Tradição Barreirense de Mesquita traz para a avenida um desfile em que contará a história do Carnaval através do seu personagem mais importante: o povo. “O povo faz a festa” é um enredo em que mostraremos que desde os primórdios o Carnaval foi gestado nas ruas e praças, em manifestações espontâneas das pessoas que têm a alegria festiva na alma. Uma forma de purgar os males, as dificuldades e a dureza da vida.

Embora não seja uma festa originalmente nacional, aqui chegou trazida pelos portugueses e se transformou em nosso solo no espetáculo de cores, ritmos e danças.

No Brasil, as primeiras manifestações carnavalescas foram o entrudo. O entrudo era um tipo de brincadeira ruidosa e por vezes violenta, quando o povo saia às ruas cantando, dançando, grunhindo obscenidades, com o corpo pintado de carvão e lama, atirando polvilho, pó de mico, esguichos de água, cal e limão de cheiro. Os escravos aproveitavam esses dias de liberdade de expressão para zombarem de seus senhores. A repressão policial era frequente.

“Eu vou bebê / eu vou me embriagá / eu vou fazer barulho / pra polícia me pegá”.

Os cordões foram uma evolução do carnaval e a primeira forma organizada de desfile em forma de passeata. Uma adaptação pagã das procissões religiosas católicas, que permanece até hoje. Eram integrados por negros, mestiços e brancos das camadas pobres da cidade. Saiam fantasiados, tocando pandeiros, chocalhos, tamborins. Em 1885, o cordão Flor do São Lourenço atravessou o centro do Rio de Janeiro cantando:

“Ô Dona Mariquinha / agita o lenço / pra dar um viva / à Flor de São Lourenço”.

O Zé Pereira tem referência aos tocadores de bumbo da região do Minho, em Portugal. O introdutor desta figura no Carnaval foi o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Paredes. Nas décadas de 1850 e 1860, estes personagens, trajando camisetas, tamancos e cintos de couro, tornaram-se populares nos dias de Carnaval. É dessa época o estribilho que se fixou na memória popular, tocado por estes zabumbeiros:

“Viva o Zé Pereira / que a ninguém faz mal / viva a bebedeira nos dias de carnaval / viva o Zé Pereira / viva o Zé Pereira”.

Também no século 19, grupos concumbis proliferam na cidade. Os concumbis eram agrupamentos formados por negros descendentes de africanos. Seu cortejo lembra muito os das congadas de maracatu, sob o ritmo de afoxé e ijexa.

Ao mesmo tempo surgiam blocos comunitários, formados nos bairros, por moradores e amigos que se reuniam para brincar o carnaval. Vestiam fantasias improvisadas por eles mesmo. Eram homens travestidos de mulher, roupas usadas cortadas em trapos, bermudas, máscaras feitas de fronhas. Batucavam em latas e qualquer coisa que fizesse barulho. Com tal característica passaram a ser conhecidos como blocos de sujo.

As Batalhas de Confete remontam ao ano de 1892, quando um comerciante francês divulga o “confetti” pelo mundo. De diversas cores, dourados e até perfumados, foram com os anos adquirindo novas formas, como de estrelas e de animais. Tornou-se tão popular que em 1907 o jornal Gazeta de Notícias promoveu a primeira Batalha de Confete do Rio de Janeiro, realizando-se na segunda-feira de Carnaval, com grande sucesso, reunindo uma multidão. Nos anos seguintes, passam a ser realizadas em vários bairros, promovidas pela prefeitura, e também nos bondes que circulavam pela cidade.

Os ranchos foram uma espécie de precursores das escolas de samba e durante muito tempo a maior atração do Carnaval carioca. O primeiro rancho que se tem notícia a se apresentar na folia do Rio de Janeiro foi o Rei de Ouros, do baiano Hilario Jovino Ferreira, tenente da Guarda Nacional, radicado na cidade desde 1872. Ele fundou outros ranchos como o Jardineiras, Rosa Branca e Ameno Resedá.

Os ranchos traziam já uma organização e disciplina, diferente dos blocos e cordões. Seu conjunto era composto de instrumentos musicais como violão, cavaquinho, flauta, clarineta. Apresentavam enredo próprio e dispunham de um certo luxo nas fantasias, além do Mestre Sala e Porta Estandarte.

As escolas de samba foram uma forma de evolução e de busca de prestígio por parte de sambistas negros junto às autoridades. Prestígio que os ranchos tinham. Coube aos sambistas do Estácio, fundadores da Deixa Falar, denominar de escolas de samba estes grupos carnavalescos. A Deixa Falar foi fundada em 1928 e teve vida curta, extinguindo-se após o carnaval de 1932. Porém, deixou o seu legado.

A Praça Onze, localizada na região onde hoje fica o Sambódromo, foi durante muito tempo o verdadeiro palco do carnaval popular. Ali, durante os dias de folia, desfilavam blocos, ranchos, escolas de samba. Era o ponto de encontro de sambistas e foliões que vinham dos mais distantes bairros.

A Praça Onze ficou conhecida como “Pequena África”, por ser local de reunião da comunidade negra, além de ser a região de residências das baianas radicadas na cidade, como Tia Ciata, Tia Dadá, Tia Josefa, Tia Prisciliana de Santo Amaro. Com a abertura da Avenida Presidente Vargas, na década de 1940,  vários becos e ruas dessa região desapareceram, inclusive a Praça Onze, o que levou os compositores Herivelto Martins e Grande Otelo a lamentarem na letra do samba:

“Vão acabar com a Praça Onze / não vai haver mais escolas de samba / chora o tamborim / chora o mundo inteiro  / favela”.

O fim da Praça Onze dispersa os desfiles e a reunião de foliões na cidade. A cidade se elitiza e empurra o povo para a periferia, morros e subúrbio. As escolas de samba acompanham este processo de elitização. Entretanto, há uma vertente popular que resiste no Carnaval, que são os blocos de enredo. Agremiações populares, que continuam abrindo espaço para quem quer desfilar com baixo custo, e na maior parte disponibilizando fantasias gratuitas. Desde a década de 1960 os blocos carnavalescos de enredo insistem em realizar um desfile verdadeiramente popular, seguindo a tradição histórica, desde os tempos do entrudo.

*Agradecimento especial ao nosso colunista e diretor cultural da FBCERJ Júlio César Ferreira

Sem título