FBCERJ/GRUPO B – Confira a Sinopse da Tradição Barreirense de Mesquita

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CARNAVAL 2020

FBCERJ / GRUPO B

GRÊMIO RECREATIVO BLOCO CARNAVALESCO TRADIÇÃO BARREIRENSE DE MESQUITA

Presidente – Marcos Vinícius Francisco de Souza

Ordem no Desfile – 7º Bloco de Enredo a desfilar

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Enredo: UM DRAGÃO NO MAR DA GUANABARA

Carnavalesco – Moisés Ganga

No dia 22 de novembro de 1910 os marinheiros negros da Marinha do Brasil, num acontecimento inesperado por parte dos oficiais brancos e da elite governante, tomaram o comando dos principais navios de guerra e gritaram por liberdade.

Da Baía de Guanabara apontaram os canhões para o palácio presidencial, numa resposta contra décadas de opressão, que impunha castigos físicos dolorosos aos soldados negros.

Desde a criação da Marinha, em 1822, estes castigos eram praticados. A maioria do contingente desta força era formada por negros e mestiços. Por falta de interessados e voluntários, o governo editava decretos estabelecendo o recrutamento forçado e o alistamento compulsório. Daí a grande quantidade de negros entre os marujos de baixa patente e em postos subalternos, muitos deles forçados ao serviço militar. Às vezes, permaneciam até 15 longos anos no engajamento obrigatório.

Nas embarcações, faziam o serviço pesado. Carregavam compras, cozinhavam, pintavam, faziam faxina, sempre a mando dos oficiais brancos, originários das famílias abastadas. Frequentemente eram relatados casos de deserção. As condições de trabalho eram péssimas, o soldo era baixo, a alimentação deficiente. Eram submetidos a uma rigorosa disciplina e vigiados intensamente. Até para gozarem de um dia de folga tinham que ter a autorização de um oficial. A desobediência era punida com chibatadas ou com o galielho, um ferro preso ao pescoço ou aos pés.

A Revolta da Chibata foi liderada pelos marinheiros João Cândido Felisberto, André Avelino, Francisco Dias Martins e Manoel Gregório do Nascimento. João Cândido tomou o comando do encouraçado Minas Gerais, o navio mais moderno da esquadra brasileira. Os revoltosos assumiram também os encouraçados São Paulo e Deodoro, do cruzador Bahia, além de outras quatro embarcações de porte médio.

Mais de 2 mil homens estavam mobilizados para enfrentar as autoridades na luta contra a opressão. A esquadra se movimentava pelas águas da Guanabara com destreza incomum, surpreendendo os oficiais, dada a tamanha habilidade com que navegavam. A marujada negra gritava a pleno pulmões “liberdade“ e “abaixo a chibata”.

Os rebeldes redigiram um memorial enviado ao presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, com as reivindicações. Exigiam melhores condições de trabalho, aumento do soldo, fim dos castigos físicos e a anistia aos revoltosos. Caso não fossem atendidos, bombardeariam a cidade. No senado, Rui Barbosa, mesmo sem apoiar a quebra da hierarquia e a indisciplina, articulou o fim da rebelião e o atendimento das reivindicações. Em 27 de novembro, terminava o motim.

Entretanto, a elite não aceitou que a história terminasse assim. Vários atos do governo permitiam a punição dos revoltosos. O comando da Marinha expulsou vários elementos considerados indesejáveis. Alguns desertaram por conta própria.

O líder João Cândido confiou na palavra do presidente Hermes da Fonseca. Mas a Revolta da Chibata continuava um pesadelo para os poderosos e meses depois, com a acusação de que havia participado de um novo motim na Ilha das Cobras, o que nunca ficou comprovado no processo a que foi submetido, o “almirante negro” é preso. Centenas de outros marinheiros também são encarcerados e deportados para a Amazônia e outros foram sumariamente fuzilados.

Somente em 1959, João Cândido passou a receber uma pensão de dois salários mínimos, concedida pelo governo do Rio Grande do Sul, seu estado natal. Em 1969, ele morreu aos 89 anos. Em 2008, o líder da Revolta da Chibata foi anistiado pelo estado brasileiro e sua expulsão da Marinha foi revogada. Um tardio e justo reconhecimento à luta dos que com todo sofrimento deixaram o legado do fim dos castigos físicos na Marinha brasileira.

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