Confira a Sinopse da Mocidade Unida do Santa Marta para 2024

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Sextou é uma ode à alegria.

No sexto dia os deuses, em comunhão, criaram os seres humanos com a função da plena felicidade. Bate a hora cheia, a liberdade é plena. Malandro Belo, de sorriso largo, assume o samba. Garçons equilibristas dançam entre mesas cada vez mais apinhadas. A lua está cheia, a noite quente. Nos corpos rebolantes o suor escorre, a libido bate picos altíssimos, as rodas alucinam. O final de semana está apenas começando e tudo é possível.

Afinal, Sextou  só sucesso!

G. R. E. S. Mocidade Unida do Santa Marta

Carnaval 2024

Autoria: Carila Matzenbacher, Patrick Silva, Gustavo Jugend e Ricardo Costa

Arte: Carila Matzenbacher e Rodrigo Cardoso

Presidente: Nestor Bordini

Vice Presidente: J. Jorge Nascimento”Dedi”

Carnavalesca: Carila Matzenbacher

Comissão de Carnaval: Caliquinho, Hugo Bordini, Julie Pontes, Kleyton Macedo e Victor Bordini

Comunicação: Rafaelle Vieira

Patrocinador oficial: Marcelo Manhães, o melhor amigo dos aposentados.

Sinopse

Brincar é meu destino,
ainda quando há desrazão de ser feliz,
ou por isso mesmo.
Quem sabe?
(Carlos Drummond de Andrade)

Amigo Tião,
o expediente acabou
diz aí m’ermão
qual o boa do sextou?
No sexto dia Deus criou o ser humano.
Depois de uma semana inteira de labuta, a inventar tudinho que há,
O Pai então decretou:
SEXTOU!
E diz o povo por aí,
que foi numa sexta-feira que Adão e Eva, cansados de paraíso, provaram das
delícias da maçã.
Você não sabia? Ah meu amigo Tião, o que a gente não sabe a gente inventa.
Tem até uma sexta feira que é santa,
quando a gente celebra o sofrimento e chama ela de sexta da paixão.
Oh coisa boa, se apaixonar numa sexta-feira.
Pro povo do santo, sexta é dia de vestir branco em homenagem à Oxala,
orixá que também criou os seres humanos.
Um punhado de barro, um sopro de vida e
axé: surgimos.
E você sabe o porque fomos inventados?
Para sermos felizes!
e nada melhor que a sexta-feira pra isso.

Chega de trabalho, para de correr do relógio do coelho da Alice,
agora decretamos o país das maravilhas,
somos donos do nosso tempo e ele está só começando.
Bate a hora cheia, a balada dos relógios se mistura ao apito das fábricas, às
sirenes das escolas: é sinal de liberdade.
Os escritórios, as obras, as lojas começam a esvaziar.
Oxalá delega o cuidado do mundo para os donos da noite:
os senhores e senhoras das gargalhadas.
É o momento em que o cinza do cotidiano vibra em cores.
Tião, olha as crianças,
abandonaram os uniformes e estão na ladeira com suas latas a ritmar.
Isso é coisa sua né, meu amigo?
Você disseminou a brincadeira da batucada aqui na Santa Marta,
e temos a furacão azul pra isso provar.
Compartilhar, trocar ensinamentos, isso também é coisa de sexta-feira, olha as
mesas dos botecos, tem maior sala de aula?
Toda filosofia da malandragem é ali discutida. Coisa séria.
Mas antes de levantarmos os copos e molharmos as palavras,
temos que falar daqueles que preferem em casa ficar,
chafurdar no sofá com filme e pipoca, até se acabar.
E se for uma sexta-feira 13 então?
Nada melhor do que se esconder nas cobertas para não virar assombração.
Sexta-feira é o princípio do final de semana que está só começando, dinheiro no
bolso, deu no bicho! tudo é possível,
é festejando que a gente espanta a miséria.
E tem Sextou no Rio pra tudo quanto é goxto: churrasco pra quem é de
churrasco, bola e chuteira pra quem é da pelada; forró pra quem goxta de
balançar agarradinho, umbigada para os do jongo, seresta na areia para quem
canta pra lua.
Veja, a lua tá cheia! É inegável a magia em cada ritual e pequeno detalhe dessa
contagiante noite.
Os bares, se enchem de vida. Garçons equilibristas rebolam entre mesas cada
vez mais apinhadas.
São Jorge, com seu copo de cerveja garantido, abençoa a todos.
O burburinho vai aumentando, os celulares não param de vibrar, memes rolam
soltos, contatinhos se agilizam, queremos mesmo é safadeza.
A poética música do beijo é embalada pelo tilintar dos copos cheios.
Panteras com garras de gel escolhem esmaltes coloridos, cabelos se descolorem,
cheiro de perfume brisa o ar, a libido bate picos altíssimos. As ruas se enchem
de exuberante, luxuriante e despudorada beleza.
A liberdade de ser e querer é plena, os corpos e corpas dançam, o suor escorre,
as rodas de samba se apimentam.

-Malandro Belo de sorriso largo assuma o pagode!
Sim, queremos seu ritmo no comando.
Nosso malandro do bem, que pisa suave, riscando de um jeito bem carioca.
Bamba da malandragem, samba miudinho, sempre dizendo no pé e agradecendo
com o largo sorriso no rosto. Aquele que sabe viver, cuja estrela não é solitária,
ao contrário, é uma constelação de admiradores. Afinal, quem não gosta do Tião
bom sujeito não é…
Tião, chegou a hora da onça preta beber água,
chegou a sexta-feira mais aguardada do ano:
É sexta de carnaval.
Hoje a felicidade explode,
o mundo gira, o eixo inverte,
quem está em desequilíbrio domina.
As ruas se entopem de suvacos, barbas, rolas preguiçosas, pelas sacos, calma
calmas, só caminhas, laranjadas, spantas,
e depois de tantos blocos, nós vamos todos pra avenida
cantar nossa Santa Marta Campeã.
Dá seu grito bem alto meu amigo,
Santa Marta é o que?
– É SÓ SUCESSO.
Sábado e Domingo?
sábado de: aguenta cabeça que dói!
domingo de: se não lembro não fiz.
Mas aí, são outros enredos.
Por enquanto, garçom bota mais uma saideira,
porque, afinal, hoje é sexta-feira.

Bibliografia

CAPOEIRA, Nestor. CAPOEIRA. a construção da malícia e a filosofia da malandragem, 1800-2010, Rio de Janeiro, 2011.
COSTA, Ricardo. ODARA, TUDO QUE É BOM E BONITO. São Paulo: Edições Barbatanas, 2018.
DA MATTA, Roberto. CARNAVAIS, MALANDROS E HERÓIS. PARA UMA SOCIOLOGIA DO DILEMA BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
DO RIO, João. A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS. Rio de Janeiro: Coleção biblioteca carioca, 1995.
MARTINO, Luís Mauro de Sá. SE TUDO É PARA ONTEM, PERDEMOS O SENSO DE HIERARQUIA DO TEMPO- O QUE É MESMO IMPORTANTE E O QUE FICA PARA DEPOIS. São Paulo: Revista E, Sesc, n11, ano 29, maio de 2023.
OXALÁ, Adilson de. IGBADU, A CABAÇA DA EXISTÊNCIA. MITOS NAGÔS REVELADOS. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.
RODRIGUES, Maria Augusta. DOMINGO. Sinopse do enredo União da Ilha, 1977.
SIMAS, Luiz A. SONETOS DE BIROSCAS & POEMAS DE TERREIRO. Rio de Janeiro: José Olympio, 2022
O CORPO ENCANTADO DAS RUAS. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.
SIMAS, Luiz A. e RUFINO, Luiz. FLECHA NO TEMPO. Rio de Janeiro: Morula, 2019.
SODRÉ, Muniz. CORPO DE MANDINGA. Rio de Janeiro: Manati, 2002.

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