União do Vilar Carioca divulgou a Sinopse do seu Enredo para 2024

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Grêmio Recreativo Escola de Samba União do Vilar Carioca

Carnaval 2024

“A DONA DOS VENTOS, SENHORA DAS TEMPESTADES, A FORÇA BÁRBARA DE TODA MULHER BRASILEIRA”

Justificativa do Enredo:

Dentre as diversas narrativas que envolvem as Deusas e os Deuses Orixás, em seu repleto universo, o GRES UVC escolheu homenagear a Orixá Iansã, através de uma história sobre a construção e conquista do seu Império – o que reafirma a força e o empoderamento feminino. Essa energia ancestral chega ao Brasil trazida pelos negros escravizados que, para poder cultuar e adorar Iansã, sua guerreira africana, precisam sincretizá-la com Santa Bárbara, santa católica, vítima de misoginia e feminicídio, aprisionada e assassinada pelo próprio pai, pelo simples fato de ter nascido mulher. A força e a energia feminina dessas duas mulheres, que amaram, resistiram e lutaram, convergem em uma só energia: a da mulher brasileira, que é capaz de enfrentar diariamente seus desafios para conquistar os seus objetivos, mantendo-se firme e forte contra os seus opressores. Este enredo exalta a força e coragem da mulher brasileira através da força e da energia da grande guerreira Iansã, que pela necessidade imposta pela opressão, também é cultuada como Santa Bárbara, padroeira do GRES UVC!

Sinopse:

Iansã, Orixá feminina, no candomblé é reverenciada como Oyá!

Mãe de 9 filhos, sua origem se encontra nos solos sagrados da grande mãe África. Nas religiões de matrizes africanas, umbanda e candomblé, os seus filhos costumam agradá-la com 9 acarajés fritos no azeite de dendê, servidos dentro de um alguidar e oferecido aos pés de um lindo bambuzal, o seu ponto de força na natureza. Iansã ou Oyá tem o poder de comandar os ventos, os raios e as chuvas; não é à toa que é conhecida como a senhora dos ventos, a dona das tempestades.

Orixá é amor e amor é Orixá! A minha história vou contar…

“A todos os meus filhos e filhas, o meu axé, amor e proteção! Sou Iansã para uns, e para outros sou Oyá, nome de rio africano, sinônimo de vida e fertilização da biodiversidade local. Sou energia feminina viva, latente, que arde como fogo. Minha força tem suas raízes na grande mãe África. Sou a energia transformadora da realidade, destruo e reconstruo a todo momento, domino os ventos, as chuvas e as tempestades, não tolero injustiças e o meu coração é repleto de amor! E falando em amor… Seduzi e amei, afinal sou mulher, sou chama que arde, seduzo e encanto, com Ogum e Xangô vivi duas lindas histórias de amor!

O meu grande objetivo era construir o meu reinado, o meu grande e imponente império, e para isso, precisava adquirir conhecimentos. Usei todo o meu encanto, sabedoria e sedução para conquistar os meus objetivos…

O primeiro reino pelo qual passei foi o de Exú. Lá aprendi a lidar com os caminhos, com os sentimentos mais terrenos que envolvem os seres humanos, aprendi sobre os mistérios do fogo e da magia… Afinal, Exú é sentinela. Saindo do reino de Exú, passei pelo reino de Oxóssi, que com toda a sua sabedoria, me ensinou sobre o poder das ervas e das matas, a expertise da caçar, e lá me apaixonei pelo bailar das lindas borboletas, pela força dos búfalos, onde aprendi a tirar a sua pele e me transformar no próprio animal com magia.

Também passei pelo reino de Logunedé, deus da guerra e dá água, protetor dos navegantes das águas doces e dos amores duradouros, filho de Oxum com Oxóssi. Lá aprendi a pescar, guerrear e entendi sobre a necessidade da existência do amor!

Caminhando um pouco mais, chego ao reino de Ogum, que me ensinou sobre manuseio da espada. Não apenas seduzi Ogum, mas por ele me apaixonei e vivemos uma linda história de amor, afinal eu já sabia o que era o amor e me entreguei. Ogum é um grande guerreiro, e com ele aprimorei o meu poder de guerrear! No objetivo de construir o meu reinado, não podia parar, e segui o meu caminho…

Cheguei então ao reinado de Oxaguian, jovem guerreiro, por muitos conhecidos como Oxalá mais jovem, que preza pela saúde, e encoraja os seus filhos a terem força e fé. Com este Orixá, aprendi a utilizar o escudo para me defender e compreendi o sentido da força e da fé. Continuando a minha trajetória, chego ao reino de Omulú, senhor da palha, da cura, dono da pequena calunga. Orixá sério e sem muitos gracejos, e devido ao seu temperamento e seriedade, não o seduzi com os meus encantos, mas a sua sabedoria e bondade fizeram com que eu ficasse por lá, e com isso aprendi a transitar entre o mundo dos vivos e dos mortos, auxiliando e dando caminho àqueles que vagam pelo plano terreno em busca de luz e salvação. Aprimorei a minha capacidade de feitiço.

Enfim, cheguei ao reino de Xangô! Com Xangô vivenciei o mais forte amor, o amor verdadeiro, aquele que arde em chamas, afinal somos Orixás da guerra, do fogo. Além dos ensinamentos da justiça, aprendi com o deus do fogo e dos trovões a dominar os raios, trovões e tempestades, e não é por acaso que muitos dizem que eu sou a sua versão feminina!

Caminhei, seduzi, amei, conquistei e construí meu próprio reinado!

Cheguei ao Brasil através do povo africano, cruelmente escravizado. A dor desse povo tão sofrido e injustiçado tornava latente a necessidade de cultuarem a sua fé, porém eram proibidos e torturados se isso fizessem. Por conta dessa intolerância, infelizmente até hoje tão presente, para burlarem esse sistema de opressão tão macabro, assassino e cruel, sincretizaram a minha fé na imagem de Santa Bárbara, santa da igreja católica romana.

Bárbara foi uma virgem mártir do século III, filha de um homem da nobreza. Em um ato de intolerância e misoginia, foi aprisionada no alto de uma torre e, no momento em que teve sua vida ceifada pelo próprio pai pelo simples fato de ter nascido mulher, um raio riscou o céu e um enorme trovão foi ouvido pelo povo. Então, para o assombro de todos, o corpo de seu pai caiu no chão sem vida, atingido pelo raio, como se a natureza se revoltasse contra a atitude desse pai. Santa Bárbara ganhou o status de “protetora contra relâmpagos e tempestades”, além de ser a padroeira das pessoas que trabalham com fogo.

No sincretismo, Bárbara e eu viramos uma só energia, conectadas através da dor, da fé e das coincidências do destino. Éramos uma só nos ritos desta terra, os olhos de quem via estavam na imagem da Santa, porém seus cânticos, lamentos e fé estavam em mim!…

O tempo passou…

Somos energias conectadas e entrelaçadas. Nos centros de umbanda de ontem e de hoje, estamos lá, eu e Bárbara, nos sagrados congás. A imagem da santa sou eu, representa a minha força para o povo de fé. Na verdade, somos nós, transbordando amor, força e caridade, e por falar em força, somos a força dos raios, do fogo, da justiça e dos injustiçados, somos amor e também sedução, encantamos e lutamos, guerreamos quentes, no ardor do dendê. Somos mulheres fortes, e por falar em mulheres, estamos presentes em cada mulher brasileira, que apesar dos desafios, possuem força, determinação e enorme sensibilidade para ver e superar os seus obstáculos, que não são poucos: violência, misoginia, machismo, desigualdades, assassinatos, dentre outros lamentáveis fatos. Somos a força da mulher brasileira, valente e guerreira, que com seus raios é capaz de enfrentar e vencer os furacões e as tempestades diárias.

A todas as mulheres brasileiras, um forte brado: EPARREI guerreiras! (saudação à Orixá Iansã e significa um olá com admiração).

Salve a força bárbara da mulher brasileira, Salve Santa Bárbara, Salve Iansã!!”

Eparrei!!

Enredo: Pablo Azevedo

Carnavalesco: Pablo Azevedo

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