Flor da Mina do Andaraí
Carnaval 2025
ENREDO: SALVE O CABOCLO VENTANIA
Carnavalesco: Clovis Costha
Sinopse
O vento que venta lá, venta cá
E tudo começa com um vento!!!
Se passarmos pela história do mundo e da humanidade, tudo começou pelo vento… Foi o sopro de inspiração do criador que deu luz a vida… empurrou as águas dos rios das nascentes ao seu destino… cachoeiras e mares ensaiam suas coreografias em harmonia com o vento… foi o vento que derrubou os frutos das árvores, que ao chão virou semente e dando reinício ao ciclo da criação…
O vento acompanha o movimento de translação da terra, o vento também sopra as páginas dos livros para frente e para trás, é ele que lança o perfume e o aroma no ar, empina as pipas, joga o cabelo aos céus.
Sem o vento que impulsionou as desbravadoras caravelas, não teríamos descoberto o mundo, e nem tão pouco o fundo do mar…
Motivada pelo vento, a Flor da Mina do Andaraí vem suspirar essa história fantástica do Caboclo Ventania…
Segure-se!
Na aldeia do Andaraí, um terreiro encarna o espírito do Caboclo Ventania. Presente em forma física na pessoa de Dona Sebastiana, ela por tempos, contou aos seus discípulos a vida e sua adoração por essa entidade.
Envolvida de luz, Dona Sebastiana contava que o Caboclo Ventania, tinha uma ligação forte com o mar, daí veio sua adoração por Iemanjá, ele passava horas sentado em uma pedra, pedindo ajuda a Rainha das águas, para dar-lhe conselhos nos seus rituais de cura dos enfermos.
Em forma humana, Ventania viveu nos Estados Unidos como um índio Cherokee, suas mulheres também índias, se dedicavam à lavoura, plantando milho e abóboras e nas horas vagas dedicavam ao ofício de excelentes bordadeiras. Dona Sebastiana nos contava ainda, que naquela tribo os índios caçavam ursos, cuidavam da pesca e eram doutrinados na espiritualidade de curar vidas.
“Ventania era um Xamã caçador, naquela tribo os homens fortes enfrentavam ursos e búfalos, ele acreditava que a sua força era ofertada pelos Deuses por tal bravura”, disse Dona Sebastiana certa vez sentada em seu terreiro.
Ventania era inteligente, habilidoso e aprendia muito rápido, era dominador de línguas estrangeiras e até mesmo conhecia o dialeto e os hábitos e outras tribos de diversas nacionalidades.
Dona Sebastiana encarnava o dom dos Xamãs para praticar em seu terreiro a cura de doenças, entendia ela que usando a receita dos ancestrais do Caboclo Ventania, todos os males iam embora… essa era a essência. Seu terreno era coberto de velas e aroma e os elementos da natureza, desenhavam o ambiente de cura!
Na paixão, nossa Dona Sebastiana, relatava que o desencarne do Caboclo aconteceu por uma disputa por seu amor. “A tribo tinha por expediente quando uma índia era pretendia por dois ou mais índios, eles disputavam em luta”, assim o perdedor ou aceitava, ou se convencia da derrota ou pedia para ser morto pelo vencedor. Ventania perdeu para o índio Chuva Vermelha (excelente atirador de flechas) a luta pelo seu amor… O vencedor, disse que não mataria Ventania em respeito a inúmeras curas e caças celebradas por ele… Apaixonado, Ventania pediu que o matasse, não conseguiria viver sem sua amada… Com uma machadada na cabeça ele desencarnou… Contou Dona Sebastiana em lágrimas!
Já em outro plano espiritual, Ventania ou Raio de Vento, se tornou um espírito de luz! Inspirando umbandistas por todo o Brasil.
O vento continuou a soprar, e levou Dona Sebastiana ao encontro do seu mestre, deixando nessas terras do Andaraí, a bondade, sabedoria e o desejo de espiritualidade em prol dos necessitados de ajuda.
Nesse carnaval vamos brindar essa história com vinho tinto suave e suco de milho, atrair as energias das pedras de cascalhos, basaltos e quartzo verde, com esses amuletos vamos seguir o vento que nos levará novamente ao palco principal.
Que continue ventando…

