Para o Carnaval de 2026, o Grêmio Escola de Samba Rocinha propõe um reencontro necessário com suas raízes, suas tradições e, sobretudo, com a força da ancestralidade que sempre sustentou os alicerces de nossa cultura. Os saberes dos terreiros, a oralidade dos nossos ancestrais, as práticas religiosas que resistiram mesmo quando relegadas aos subterrâneos da cultura oficial. Os terreiros, verdadeiros guardiões da memória e da espiritualidade afro-brasileira, nunca deixaram de pulsar. Ali, preservaram com dignidade os ensinamentos dos pais fundadores, os fundamentos de uma sabedoria que ecoa no tempo e se perpetua através dos itan, das histórias que, de boca em boca, atravessaram gerações.
Neste retorno às origens, nossa escola conta o itan de uma princesa, que representa a própria Rocinha, carinhosamente chamada “Princesinha da Sapucaí”, exaltando a urgência de valorizar a ancestralidade como ato de resistência e reafirmação da nossa identidade. E no culto aos orixás, nas batidas do tambor, nas danças e nos cantos que reencontramos o caminho para reconstruir os laços que o tempo e a modernidade tentaram enfraquecer.
A Rocinha entende que é hora de olhar para trás, não como quem retrocede, mas como quem busca, nas raízes, a força para seguir adiante. Valorizar as tradições negras e a religiosidade de matriz africana é um compromisso com a memória, com a história e com a continuidade de um legado que não pode e não deve ser silenciado.
Que este Carnaval seja, então, um retorno. Um chamado. Um reconhecimento de que nossa grandeza está justamente naquilo que guardamos, cultivamos e agora, com orgulho, trazemos novamente à avenida.

