G.R.E.S. Sociedade Razões de Almeida

Presidente: Yuri Freire

Enredo: “Na Corte do Samba… uma rainha Em Cima da Hora!”

CONVOCAÇÃO REAL:

Vossa majestade o Rei Razões de Almeida anuncia com alegria que no décimo sétimo dia, do segundo mês, de dois milésimo décimo oitavo ano do calendário gregoriano, será realizado uma festa para celebrar a trajetória vitoriosa de sua majestade, a Rainha Em Cima da Hora.

Todos os reinos estão convocados para a comemoração real que acontecerá na Estrada Intendente Magalhães. Campinho – RJ

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Ao longe o som dos clarins anunciam o início das comemorações reais.
Nobres, monarcas e súditos de todos os reinos
Vieram para mais uma vez me reverenciar e homenagear.
Muito me orgulho de fazer parte da corte do samba
Sou do samba, não tem jeito, Deus me fez assim.
De honras e glórias o meu destino foi traçado,
Minha trajetória está repleta de vitórias
E por um instante as lembranças, como um filme,
Passam diante dos meus olhos
Sinto como se voltasse ao passado e revivesse as mesmas emoções.

Fui batizada pela nobreza,
Fiz do azul e branco o meu manto
E da águia altaneira a minha madrinha.
Embarquei em uma viagem pitoresca pelas obras de Debret
Em uma missão artística por terras francesas
Em cada cor, cada traço e cada tela
Vi em aquarela a arte que só a arte tem.
Me espelhei em Anita Garibaldi
Guerreira, apaixonada, revolucionário
Na luta pela liberdade
Um pouco gaúcha de corpo e alma,
E pelo Rio me apaixonei!
O Rio que samba, o Rio do samba,
Dos malandros e mulatas,
Da alegria… do carioca
Que faz das ondas do mar inspiração,
Que recebe de braços abertos, meu Rio redentor.
Muito aprendi com a nação nordestina,
Povo guerreiro, sofrido e devoto
Que nas mãos de Padre Cícero entrega o seu futuro,
O seu destino, e mesmo com dificuldades não se cansa de agradecer!
Atravessei o solo rachado do sertão,
Segui os passos de Antônio… cabra macho, arretado
Um fiel “conselheiro”
E lutei… fui mais um “jagunço” a defender Canudos na guerra fatal!
Fiz do samba embaixador, representante do povo, ministro cultural
Me enfeitei com laços de fita e batuquei na marmita
Para passar o tempo…
Andei de trem, lotado, para ganhar meu pão.
Meu destino? 33 – estação D. Pedro II
E, cada vez mais cansada com esse tal de ir e vir,
Imaginava quem vem de Japeri.
Corri a gira, firmei o ponto,
O som dos tambores ecoaram e no terreiro apenas agradeci
Salve os deuses afro brasileiros!
Mas o tempo não para,
Estava completando cinquenta anos, jubileu de ouro,
Coroado com mais uma estrela em meu brasão
Quem diria… tanta história para contar e vitórias para festejar.
Dei um nó na madeira
Fui além do espelho para em versos exaltar João Nogueira
Do samba, de todos os sambas,
Bamba como eu, boêmio
Mais um nobre nesta imensa corte.
Ah João… que saudade!
A lágrima escorre, o corpo arrepia
A cada nota dedilhada em seu violão.
João está vivo! É imortal!
Sua obra te eternizou!
Hoje embarco em mais uma viagem
Atravesso a Guanabara para em aquarela
Encontrar com os ares da cidade que é só sorriso
Viajo em telas para te traduzir, te fazer reluzir
E mais uma vez brilhar no lugar mais alto do pódio!

Agradeço a todos os nobres, monarcas e súditos
Que vieram me homenagear, me aplaudir e me coroar
A lágrima é de emoção e alegria.
Foram tantas recordações, lembranças que guardarei para sempre em meu coração.
Mas a festa não pode parar,
Estarei sempre presente na mais pura arte,
Na expressão popular do povo brasileiro
E, quando pensarem no bom samba,
Lembrarão das obras que já imortalizei!
Meu brasão já marca três horas,
Despeço – me, não com um adeus, mas com um até breve
Em 2019 tem mais.
Despeço-me com certa pressa, me perdoem, mas estou Em Cima da Hora!

Comissão de Carnaval