FEDERAÇÃO DOS BLOCOS CARNAVALESCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FBCERJ – GRUPO B – CARNAVAL 2019

2 – BLOCO CARNAVALESCO CULTURAL E RECREATIVO RAÍZES DA TIJUCA

raizes

Fundação: 07/05/1995 (23 anos)

Presidente Administrativo: Sebastião Pinto Gonçalves

Cores: Vermelho e Branco

Sede/Quadra: Rua Potengi, s/nº, Tijuca, Rio de Janeiro, RJ

Escola Madrinha: G. R. E. S. Acadêmicos do Salgueiro

ENREDO: “O PODER ANCESTRAL FEMININO”

Carnavalesco – André Tabuquine

Sinopse

Mãe Terra, Mãe África, Mãe Natureza, Mãe Ancestral…

O poder feminino que gera a vida é o que move todo o universo

Gaya, a mão terra, de cujo ventre africano brota toda a vida que pulsa nesse planeta desde os primórdios. O ar, o mar, os rios, cachoeiras, florestas, animais, continentes e sua diversidade climática. De lá, vieram as guardiãs de toda essa força: as Yabás, orixás femininas, donas dos mistérios da criação, que carregam consigo todo o sagrado da existência. Mães, Esposas, Rainhas, Caçadoras, Guerreiras… Nanã, Yemonjá, Oxum, Yansa, Obá, Ewá, Onira, Otin e mais de uma centena de outras divindades eleitas por Oludamare para a missão de cuidar e dar segmento a perpetuação da vida.

São das Yabás a responsabilidade de todos os ritos de passagem, do nascimento a morte, pois da natureza tudo brota e para ela tudo retorna um dia.

Por tudo isso, na África, a mulher sempre exerceu papel fundamental nas nações e aldeias, seja governando ou mesmo liderando exércitos. Dessa ascendência certamente vem o respeito do africano pela natureza, pela hierarquia etária e o apego ao coletivo social e cultural.

Essa força ancestral está até hoje nos genes de cada mulher e foi fundamental em toda a história, em cada luta de superação pela falta de liberdade, de direitos e justiça.

Foi assim que Iyá Akalá, Iyá Adetá e Iyá Nassaô, as princesas africanas, descendentes diretas das Yabás, mesmo subjugadas pela escravisão, mantiveram elevados o moral, a união e a fé de seu povo. Foram decisivas na preservação cultural e religiosa através da tradição oral e, mais tarde, fundaram na Bahia a Casa Branca, o mais antigo templo do culto africano do país, que ainda hoje mantém o matriarcado e é referência de luta e resistência da africanidade.

Essa inspiração de amor e luta passou a fazer parte do DNA da mulher brasileira. O sagrado ancestral correu e corre nas veias de mulheres como Agotime, Tereza de Benguela, Dandara, Maria Felipa, Clara Camarão, Madalena Caramuru, Chica da Silva, Mãe Menininha, Tia Ciata, Carolina de Jesus, Bertha Lutz, Nise da Silveira, Cacilda Becker, Anita Garibaldi, Maria Quitéria, Maria Firmina, Chiquinha Gonzaga, Pagu, Maria Bonita, Tarsila do Amaral, Zilda Arns, Leila Diniz, Maria da Penha, Zuzu Angel, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Elza Soares, Rita Lee, Beth Carvalho, Clara Nunes, Zezé Mota, Marielle, nas heroínas da nossa comunidade como Dona Ana Bororó, Dona Dorinha do Caxambú, Dona Margarida do Cantinho do Papai, Dona Alice e em todas as outras desse país que lutaram e lutam para manter seu destino, independente da cor da pele, pois todas elas são candaces, descendentes da mesma matriz africana.

Exaltar o poder da ancestralidade feminina em toda a sua pujança é o que orgulhosamente se propõe o BCCR Raízes da Tijuca em seu carnaval.

*Agradecimento especial ao nosso colunista e diretor cultural da FBCERJ Júlio César Ferreira

Sem título