UNIDOS DE LUCAS

O português José Lucas de Almeida foi, na primeira metade do século 20, um próspero agricultor que possuía terras na região entre Cordovil e Vigário Geral, antiga sesmaria de Irajá. Quando houve a extensão dos trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina, José Lucas doou uma parte de suas terras para a construção de uma parada de trens. Ao ser inaugurada, a estação ficou conhecida como Parada de Lucas.

Seu Lucas era profundamente católico. Em virtude da devoção, construiu uma pequena igreja em um morro da região, que imediatamente passou a ser conhecido como Morro da Capela. O que o português jamais poderia imaginar é que essa história envolvendo a Parada de Lucas e o Morro da Capela fosse acabar em samba.

A Unidos de Lucas nasceu da fusão entre a Unidos da Capela (uma das campeãs do tumultuado desfile de 1960) e a Aprendizes de Lucas, duas escolas tradicionais do bairro da Leopoldina carioca. Entre os seus fundadores estavam os sambistas Buzinfa, Jangada, Morenito e Tolito.

A fusão aconteceu no dia 22 de abril de 1966, em uma reunião no Centro Social de Lucas. As cores escolhidas foram o vermelho e o ouro e o símbolo determinado pelos fundadores da agremiação foi o galo pousado sobre duas argolas, representando a união que gerou a nova escola.

Em seu primeiro desfile, no carnaval de 1967, a Unidos de Lucas apresentou o enredo, de autoria de Clovis Bornay, Festas folclóricas do Rio de Janeiro. Ladyr Goulart foi o autor do samba.

No ano seguinte a escola desfilou com o enredo A história do negro no Brasil (Sublime pergaminho), também de autoria de Clovis Bornay, relatando a história do negro desde a chegada dos primeiros escravos até a Abolição da Escravatura. Verdadeira exaltação à figura da Princesa Isabel, o samba de enredo, de Nilton Russo, Zeca Melodia e Carlinhos Madrugada, logo se destacou e é até hoje citado como um dos maiores do gênero.

Desde então a Unidos de Lucas apresentou pelo menos mais dois sambas sempre mencionados entre os grandes do carnaval. Em 1976 o Galo da Leopoldina desfilou com Mar baiano em noite de gala, de Carlão Elegante, Pedro Paulo e Joãozinho. Foi o último ano de Lucas entre as escolas principais do Rio de Janeiro.

Em 1982, no Grupo de Acesso, Lucas conquistou um dos dois Estandartes de Ouro com o samba Lua viajante, em homenagem ao músico nordestino Luiz Gonzaga. O samba, de Dagoberto de Lucas, Zeca Melodia e Dona Gertrudes, contou com a participação, na gravação do puxador Abílio Martins, do próprio homenageado.

Entre seus grande sambas, além dos citados, estão: Rapsódia folclórica (1969); Cidades feitas de memória (1975); e França, bumba, assombração no Maranhão (1980).

Autor dos vídeos: Leonardo Fernandes

Texto do Livro Samba de enredo história e arte de Alberto Mussa e Luiz Antônio Simas,  Ed. Civilização Brasileira, de 2010