ACADÊMICOS DO ENGENHO DA RAINHA

O bairro do Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, era parte integrante da Freguesia de Inhaúma, criada em 1743 e posteriormente desmembrada. A pergunta mais simples, e mais pertinente, que se faz sobre o bairro diz respeito ao nome: quem é a rainha do engenho?

A resposta é simples. A região foi um dos locais de descanso da Rainha Carlota Joaquina, a mulher de Dom João VI, que ali adquiriu uma residência em um engenho de cana-de-açúcar.

Carlota Joaquina sempre fez questão de deixar claro que não gostava do Brasil e não simpatizava com os hábitos brasileiros. A rainha certamente não se entusiasmaria em saber que o bairro que a homenageou tem, desde 1949, uma escola de samba que, desfilou apenas duas vezes em as grandes escolas em 1951 e 1954, se destacou pela excelência de suas alas de compositores e por alguns sambas que fizeram história – a agremiação ganhou o Estandarte de Ouro de melhor samba do Grupo de Acesso em três ocasiões.

O primeiro estandarte veio em 1985, com o enredo Não existe pecado do lado de baixo do Equador. No ano seguinte a escola repetiu o feito, com Ganga Zumba, raiz da liberdade. O terceiro estandarte veio em 1990, com Dan, a serpente encantada do arco-íris. Merecem destaque os compositores Guará de Minas e Jaci Inspiração.

A despeito dos vencedores do Estandarte de Ouro, muitos admiradores de samba de enredo consideram que o hino de 1981, O curioso Mercado de Ver-o-Peso (Álvaro Sobrinho, Vanil do Violão, Carambola e Porranca) é o maior da história da agremiação.

Texto do Livro Samba de enredo história e arte de Alberto Mussa e Luiz Antônio Simas,  Ed. Civilização Brasileira, de 2010

Autor do Vídeos: Leonardo Fernandes