Grêmio Recreativo Escola de Samba Passa Régua

“O Passa Régua traz o Poder e a Justiça de Xangô”

Carnavalesca: Sandra Andréa

Autor da Sinopse: Renato Álvaro – Diretor de Carnaval

Pedimos a sagrada e devida permissão, e caminhos abertos, para que possamos adentrar à passarela do samba com o sagrado Regente da Justiça divina, Xangô.

Foi o terceiro ou quarto filho do lendário Rei de Oyó, na Nigéria, Oronian com Torosi, a filha de Elempê, rei dos Tapáz o qual havia firmado uma aliança com Oronian. Xangô também é conhecido pelas variações: Shango, Sango ou, Badé, esta na Bahia.

Xangô é considerado o rei de todo povo iorubá; é viril e atrevido, violento e justiceiro, castigando mentirosos, ladrões, e malfeitores. É considerado o Orixá do Poder, por ser a
representação máxima do poder de Olurum. A sua arma, o machado duplo, denominado Oxé, é o símbolo da imparcialidade. Segundo a lenda, também foi tirano, inclusive destronando seu irmão.

Dentre suas qualidades, estão: Afonjá, Obá Kosso, Obá Lubé… Sua saudação é, Kawô – Cabesilé. Uma de suas cores é o vermelho e sua comida é o Amalá e, dentre seus animais o leão.

É o Orixá dos raios, trovões e do fogo. Xangô teve 3 esposas: Oyá (Iansã), que divide o domínio do fogo com ele e é considerada a Orixá dos raios e das tempestades; Oxum, a
mais e senhora das águas doces; e Obá, a mais apaixonada e que por amor à Xangô mutilou o próprio corpo ao cortar uma de suas orelhas.

Teve sua filha Adubaiyani, assassinada pelas Iyámis Ajés após estas derrubarem sua filha de um pé de Obi em retaliação por Xangô tê-las desmascarado em sua brincadeira desrespeitosa ao culto de Egungun (Ancestrais). Em desespero, Xangô procurou Orunmilá, que o orientou a fazer oferendas ao Orixá Iku (Oniborun), guardião da entrada do mundo dos mortos, para que pudesse ver sua filha mais uma vez. Após o êxito, pegou para si o controle absoluto dos mistérios de Egungun, estando este controle hoje sob domínio dos homens.

Dita a lenda que Oxalufã ao visitar o reino de Xangô, e ser confundido com um ladrão, foi preso e torturado. Após esclarecido o equívoco, Xangô determinou à Ayrá, um dos seus pares mais próximos, que levasse Oxalufã nas costas na continuação de sua jornada até a próxima cidade; isto por se tratar de um ancião e ter tido suas pernas quebradas, dificultando sua locomoção.

Ayrá, aproveitou-se da situação para insuflar Oxalufã contra Xangô, dizendo que Xangô tinha conhecimento do ocorrido e conquistando com isso a confiança de Oxalufã, o qual o tomou para sí, vindo daí a origem das vestes brancas de Ayrá, mesmo não sendo da mesma linha de Oxalufã.

Ao tomar conhecimento dessa traição, Xangô cortou relações com Ayrá, por isso não devem ser cultuados ou mantidos juntos na mesma casa.

Já no Brasil, é cultuado como religião sob doze qualidades de acordo com o sincretismo religioso: São Jerônimo, das pedreiras; São João Batista, na cachoeira; São Pedro, oque tem a Chave do céu, dentre outros. Têm como locais de oferendas as Pedreiras. Seus instrumentos simbólicos, além do machado duplo (Oxé), são o Livro, a Pena e a Chave. Sua cor predominante é a marrom.

Em antagonismo ao Xangô de Iorubá, é uma divindade da vida não tendo afinidade com a morte e nem com os outros Orixás que se ligam à morte.

São dedicados à Xangô, às quartas-feiras como dia da semana, e o mês de junho para ele, onde se acendem fogueiras ao Orixá do Fogo.

Nesta doutrina, Xangô também é o responsável pela falange dos Ybejis (beijadas/crianças).

Então, vamos homenagear e louvar o Grandioso Regente da Justiça Divina, o Glorioso Pai Xangô.

Kawó Kabiesilé!