Os raios de Iansã / Vem clarear / As águas de Iemanjá Caô meu pai Xangô / Sou Boi da Ilha do Governador

Publicado por

boi

G. R. E. S. Boi da Ilha do Governador

Enredo: FÚNLÈFÓLORUM – O GRITO DE LIBERDADE ECOOU

Carnavalescos: Comissão de Carnaval formada por: Rosa de Lourdes Fontenele, Márcia Teixeira Rodrigues e Jorge Luiz da Silva

Presidente: Mestre Arerê

Data, Local e Ordem de Desfile: Grupo de Acesso E, 1ª Escola de 13/02/2016, Sábado, Estrada Intendente Magalhães, Campinho, Rio de Janeiro/RJ.

Diretor de Carnaval: Gabriel Almeida

Samba

Fonte: Youtube: TVOrangeblue

Compositores: Djalma Falcão, Gugu das Candongas, Mongol, Fábio Glinardello e Marquinhus do Banjo

Intérprete: Anderson Moreno

Participação Especial: Marquinhus do Banjo

Agradecimento: Paulo Guimarães

Os raios de Iansã / Vem clarear / As águas de Iemanjá

Caô meu pai Xangô / Sou Boi da Ilha do Governador

No meu lugar, tinham reis e rainhas / E o brilho do luar / Venho com os olhos marejados

Viajando pro futuro, / Relembrando meu passado / Sou Quilombola filho de Zumbi

No corpo a marca das correntes / Na senzala um grito de dor

A fé foi o que me restou / O negro no Brasil chegou

Chicote na carne, / O som do atabaque / O sabor do acarajé

Bate tambor vem crioula, / Negra linda menina / Preto bom é o de canela fina

Ô… ÔÔÔ na força os meus Orixás / Ô… ÔÔÔ tem dança nos meus rituais

Abre a roda hoje tem capoeira / Rabo de arraia, berimbau / Ginga no corpo e jongo no quintal

A negritude é uma cor / Nasceu pra brilhar / E num lampejo aguça os olhos de sinhô e sinhá

A minha raça tem gente bamba / Eu sou negro / E negro é o samba

Sinopse:

Abram às cortinas o show vai começar, o GRES BOI DA ILHA DO GOVERNADOR vem enaltecer a negritude que tanto lutou o seu grito ecoou. Somos todos quilombolas, filhos de Zumbi que por amor o seu povo batalhou, dos grilhões e das senzalas o negro se libertou! Glórias a princesa que nos deu a redenção.

Nós viemos de muito longe! Viemos de quando éramos reis e rainhas donos de nossas terras. Cultuávamos nossos Orixás e celebrávamos nossas vidas. Mas eis que surge um navio, fomos sequestrados, éramos tantos e mesmo depois de separados permanecemos unidos. Roubaram nosso chão, proibiram nossa fé, aprisionaram nossos corpos, desprezaram nossas mentes. A lembrança dos atabaques, da nossa ancestralidade, fomos jogados ao tempo e carregados pelo vento vivemos as memórias dos que se foram e dos que vieram traficados. Fomos despatriados, pelos senhores humilhados, pelo chicote machucados e nos troncos amarrados.

Porém nunca foram capazes de calar nossos gritos! Vem “sinhozinho” vem cá escolher o que mais lhe apetecer, seguindo a receita de séculos que já prescrevia preto bom é o da canela fina! E é por isso que ainda persistem os nossos tambores a prova de que não fomos apagados. O lundum embala nossa resistência, à imagem viva dos batuques bantos ainda corre nas veias. Vamos cantar nossa aflição que nunca pôde ser chorada. Seguindo a estrada que liga os negros na nova era, entre umbigadas e pernadas, o tempo marcado no pandeiro ao som do berimbau salve a capoeira o negro se tornou imortal. Tem jongo no quintal, geme a corda no congado, ora, veja! Batuca tambor de crioula, rufa tambor de mina, vem negra linda dançar coloca saias coloridas. Acompanhando os cantos de Tia Ciata, que enquanto a comida com as mãos preparava, nos pés, o caminho do samba criava. Para nunca esquecer as nossas riquezas roubadas dos nossos reinos explorados do nosso ouro saqueado.

Tem batuque no terreiro faz o corpo esquecer quem é. No barulho do trovão Kaô meu Pai Xangô! Os raios são Iansã clamando por dias de glória. Súplicas a Mãe Iemanjá o som que vem das conchas é a Rainha do mar a sussurrar. Na lavagem do Bonfim a romaria não pode parar, peço paz somos filhos de Oxalá. Na cura com pipocas Atotô Obaluaê, cheiro de beijoim toca os atabaques Alabê. É dia de festa desce o dono do terreiro para comemorar, coloca dendê no taxo para meu acarajé.

Foram mais de 200 anos de uma sórdida escravidão, mas na raça, crença e cultura ainda se vê a segregação. Negro, com raízes firmes ainda alimenta seus galhos espalhados construindo laços que não podem ser quebrados, uma história que foi criada por mãos de personalidades que se destacaram na luta por dias melhores. História que não se cala, e sim se conta, porque mesmo desmembrados, divididos e subtraídos ainda nos restará um negro para contar, por isso que resistimos! O sacrifício nunca foi em vão e para continuar lutando por liberdade outros heróis virão.

E o GRES BOI DA ILHA DO GOVERNADOR encerra esse louvor à raça negra, exaltando nomes que mudaram os rumos e honraram sua negritude. Na religião, artes plásticas, dança, música, literatura, medicina, esporte ou política. Nossos sinceros agradecimentos a Zumbi dos Palmares, Menininha do Gantois, Juliano Moreira, Lima Barreto, Ernesto Carneiro, Abdias do Nascimento, Luiz Gonzaga, Pelé, Pixiguinha, Clementina de Jesus, Machado de Assis, Luíza Mahin, Mestre Bimba, Cartola, Neguinho do Samba, Manuel Quirino, Jamelão e tantos outros anônimos que com seu suor derramado no chão, construíram um Brasil de guerreiros um povo que não foge da batalha e não cansa de lutar.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.