Brasil Africano:

O canto dos Silenciados

África, misteriosa… África, continente que veio a ancestralidade de muitos que aqui estão, que hoje a Império da Uva vem mostrar, de Angola, Congo, Daomé, Sudão… Terras nobres produtoras de ouro e diamante, não só pelo valor material, mas pelo valor humano, que no bojo dos tumbeiros vieram em nações, vieram heranças, vieram culturas, vieram nobres, vieram a força, mas esta força não se deixou se calar.

África, reinado de força e grandeza, de arte e cultura, empresta teu expoente que atravessa o mar para o Brasil miscigenar.

Resgatando a nossa ancestralidade, iremos nos deparar com uma África nobre onde negros benfeitores formam pequenos reinados dentro de um grandioso império, onde todos são submetidos as leis de seus ancestrais.

Chegando ao Brasil, negros vindos de suas terras, onde tinham seus reinados cheios de ouro, com belas peças de marfins nas suas grandiosas esculturas. Os cantos de glória viram melodias silenciadas, os passos antes de riquezas, agora embalam um minueto africano de humildade, mudaremos os rumos dessa história cantando os negros nobres, com histórias que antes não foram exaltadas, mostrando o negro como personagem principal.

Negro forte, escravo, a resistência da força em fazer seu pequeno reinado já mostrava a grandiosidade negra em nossa história, trabalho, luta e Fé. Eis os passos de toda uma nação escrava em uma terra chamada Brasil, foram acontecimentos de luta, exemplo de gritos de liberdade, personagens que se destacaram.

A Revolta dos Malês foi uma mobilização de escravos de origem islâmica, ocorrida na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então província da Bahia. No Brasil, a Revolta dos Malês pode ser compreendida como um conflito que deflagrou oposição contra duas práticas comuns herdadas do sistema colonial português: a escravidão e a intolerância religiosa. Comandada por negros de orientação religiosa islâmica, conhecidos como malês, essa revolta ainda foi resultado do desmando político e da miséria econômica do período regencial.

A revolta do Cosme durante a Balaiada é a maior insurreição de negros da história do Império do Brasil. Entre dois a três mil quilombolas acompanharam Cosme Bento das Chagas (?-1842) no auge de sua luta pela liberdade dos escravizados, e pelos direitos dos camponeses e vaqueiros pobres. Dom Cosme era nativo de Sobral, no Ceará, e forro. Apesar dele e muitos quilombolas serem “crioulos”, havia entre eles também muitos africanos, como se observa pelas listas dos presos. Eram Angolas, Congos, Cambindas, Mandingas e Nagôs. Desde antes da Balaiada, escravos fugidos tinham se aquilombado nas “matas de Codó”, no Ceará, em lugares ainda não identificados. Durante a Balaiada Cosme estabeleceu seu quartel general na fazenda da Lagoa Amarela, próximo aos rios Munim e Mearim no Maranhão, Vale do Itapecuru. Ele foi preso com os últimos remanescentes do seu exército no dia 7 de fevereiro 1841. Cosme foi condenado à forca por um tribunal na vila e cabeça de comarca do Itapecuru Mirim (Maranhão) e executado, na Praça do Mercado, em setembro 1842.

Povos negros, personagens negros, que em suas particularidades fizeram história nesta nação. Chico Rei foi um personagem lendário da tradição oral de Minas Gerais, do Brasil. Segundo esta tradição, Chico era o rei de uma tribo no Reino do Congo, trazido como escravo para o Brasil. Conseguiu comprar sua alforria, com ouro escondido em seu cabelo, e de outros conterrâneos com seu trabalho e tornou-se “rei” em Ouro Preto.

Xica da Silva que se destacou pela coragem e luta, em mostrar o seu valor com o amor a seu contratador, mostrou seu poder em uma sociedade que não aceitava o convívio em igualdade com escravas negras.

Dom Obá o Príncipe do Povo, rei da Ralé, torna-se uma figura folclórica e para alguns, um tanto quanto caricata da sociedade carioca. Porém, independente das contradições em relação a este personagem, efetivamente era reverenciado como um príncipe real por vários afro-brasileiros, escravizados ou livres que viviam nos subúrbios da capital do Império. É também neste cenário, em fins do século XIX, que Dom Obá transforma-se em um dos pioneiros na luta pela igualdade racial.

Dentre muitos que compõem essa história, começamos a ver que nem só de sofrimentos e angústias foi escrito esse livro, ainda desfolhando suas páginas em busca do seu lugar ao sol, o negro conquista seu espaço em várias manifestações artístico.

Aleijadinho negro mestiço, nos deixa de herança a satisfação artística do barroco mineiro, onde em Minas Gerais os negros exploraram as minas de ouro. Mercedes Batista, a primeira bailarina negra do teatro municipal do Rio de Janeiro, expoente da dança clássica, que rompeu um universo cheio de tabus de sua época. Pixinguinha foi o responsável pela popularização de instrumentos musicais afros no Brasil, ele misturou a sucessão de sons eruditos de origem europeia com ritmos negros brasileiros.

Movimentos culturais e religiosos, foram muitos que nasceram aqui, o samba, o samba de roda, entre outros, foram um exemplo. A Noite dos Tambores Silenciosos é uma cerimônia de origem africana que reúne nações de maracatus de baque-virado, procedentes de todo o estado de Pernambuco, com a finalidade de louvar a Virgem do Rosário, padroeira dos negros, e reverenciar os ancestrais africanos, que sofreram durante a escravidão no Brasil Colonial.

Os ritos de reverência aos antepassados é um costume que os escravos trouxeram para o Brasil, como na cerimônia de Coroação do Congo, onde elegiam seus reis e rainhas, lamentavam seus mortos e pediam proteção aos Orixás.

Soberania e fé, e um dos maiores símbolos da cultura religiosa negra no Brasil, Mãe Menininha herdeira de um clã religioso se torna uma das principais sacerdotisas de uma religião fundada no Brasil.

Sobre Fé, em 15 de Novembro de 1908, em Neves, São Gonçalo, nascia a Umbanda; religião que se tornou o maior símbolo religioso negro do Brasil, pelas mãos de Zélio Fernandino de Moraes, um homem branco, mas que lutou pelos negros onde deu voz ao Caboclo Sete Encruzilhadas e logo depois a todas as linhas de povo de rua e das almas.

Sendo assim exaltaremos a força negra, não pelo sofrimento e sim pelo seu brilhante papel, seja na música, na dança e na religião, abriremos as páginas que a história não contou. Negras pilastras que ergueram o país, afro melodias que nos fazem sonhar, cores africanas que nos fazem sorrir, gingas mulatas que nos fazem ganhar. Porém, essa ópera afro-brasileira eleva exaltação negra com figuras importantes do expoente de um país. Cantaremos com orgulho o Brasil Africano, o Canto dos Silenciados.

Miro Freitas – Carnavalesco

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