“Linear Histórico na Africanidade Meritiense”

Carnavalescos: Ricardo Paulino

Walter Guilherme

DESABAFO DO POVO MERITIENSE

Ao anoitecer a emoção vai tomar conta do meu povo

Vou seguir o caminho da luz

Que vai me conduzir

A um novo caminhar

Orgulhoso, vou cantar, sambar e ser feliz

Pisa forte na avenida

Minha Escola tão querida

Como é bom ver a felicidade

Meu povo orgulhoso novamente

Com a nossa Independente

Povo diz em lágrimas:

“ – Vou semear com carinho e orgulho

Essa linda semente

Que vai dar frutos novamente”

O G. R. E. S. INDEPENDENTE DA PRAÇA DA BANDEIRA, tem o orgulho de apresentar o Enredo “Linear Histórico na Africanidade Meritiense” . É um mergulho nas nossas raízes cantando para todos a importância do negro no desenvolvimento da Cidade de São João de Meriti.

Origem da Cidade

É magia, é encanto a história que a minha Escola vem contar.

De longe a natureza tão bela encantou a nobreza e despertou na princesa o interesse pelo lugar.

Quando os portugueses aqui chegaram, conduzidos pelo delírio da princesa que avistou de longe o manto de Nossa Senhora nas sinuosas curvas dos morros da Baixada Fluminense (atual Morro do Carrapato). Os portugueses não sabiam das possibilidades de riqueza na região e logo começaram a explorar o local.

Com a descoberta das terras próximas ao Rio Meriti (Freguesia de Meriti), surgem extensos canaviais que abasteciam os engenhos tocados pelo braço escravo. As culturas da freguesia de São João de Meriti, mantidas pelo esforço físico do negro escravizado, prospera  e transforma  essa região numa área de intenso movimento industrial com engenhos de açúcar, farinha, aguardente e “fábricas de barro”.

O Rio Meriti escoa livremente o produto das lavouras que rende verdadeiras fortunas aos senhores da terra.

Em meados do século XIX, atinge o seu mais alto ponto de desenvolvimento,  descoberta de novas minas de ouro em Minas Gerais faz com que as terras sejam cortadas pela Estrada de Ferro Rio D’ouro. O Rio Meriti deixa de ser navegável e o povoamento segue o roteiro da linha férrea.

Tribos Indígenas na Região de Meriti. No início da colonização, os portugueses enfrentam a resistência de várias tribos em todo Rio de Janeiro.

Com a ajuda de tupiniquins catequizados, os portugueses enfrentam os tupinambás.

Chegada dos Escravos Origem da Africanidade da Baixada Fluminense. A região da Baixada Fluminense pode ser representada por “mosaicos da escravidão”, É possível afirmar que a maioria esmagadora dos escravos que foram trazidos para a região durante o período colonial foi de origem Bantu, principalmente de Angola.

Construção da Estrada do Ouro. Sua história surge em meados do século XVII, quando a Coroa Portuguesa decidiu oficializar os caminhos para o trânsito de ouro e diamantes de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. Construída por mãos escravas. O rio Meriti deixa de ser navegável e o povoamento segue o roteiro da linha férrea.

Construção da Igreja Matriz. Sua construção começou com a doação de 30 contos de réis e mais a pia batismal feita pela Princesa Isabel.

Importância dos negros na construção da Igreja Matriz foi de fundamental relevância, pois foi de tijolo por tijolo, pedra por pedra que o negro escravizado construiu a Igreja da Matriz que virou referencia de fé.

Chegada dos Nordestinos – Na Baixada Fluminense. A migração nordestina para o estado do Rio de Janeiro se concentrou da região metropolitana fluminense, e se deu continuamente a partir da década de 1950. No auge da industrialização, entre as décadas de 1960 e 1980, passaram a migrar para a região Sudeste em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Ilustre Personalidade – João Cândido Felisberto (O Mestre-Sala dos Mares). Filho de ex-escravo, muito rebelde desde sua infância foi encaminhado a marinha que naquele tempo era vista como uma instituição disciplinadora.

Os marinheiros passaram a questionar o conjunto de leis a que estavam submetidos e que regulamentavam a disciplina na marinha, tais como: submeter os Praças a disciplina especial que forem de má conduta habitual e punir com prisão a ferro na solitária, a pão e água por três dias e 25 chibatadas.

João Cândido sempre exerceu influência sobre a marujada e neste momento de insatisfação essa influência ficava mais forte, o que foi notado pelo governo federal.

O Ilê Axé Opô Afonjá – Casa da Força Sustentada por Xangô. Mãe Aninha, originária de Salvador, Bahia, fundou essa casa de Xangô no Rio de Janeiro nos idos de 1896.

O primeiro terreiro de candomblé na cidade teve na Pedra do Sal seu local de origem. Mãe Aninha consagrou a primeira filha de Santo no Rio de Janeiro, Tia Conceição, do Orixá Omulu. Ela seria personagem fundamental para, depois de passar por vários endereços, a fixação do Ilê Axé Opô Afonjá em Coelho da Rocha, no município de São João de Meriti.

Projeto Social: Educafro – Frei Davi e Frei Tatá – Pré Vestibular. Missão. A Educafro tem a missão de promover a inclusão da população negra (em especial) e pobre (em geral), nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos, através do serviço de seus voluntários/as nos núcleos de pré-vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em forma de mutirão.