FEDERAÇÃO DOS BLOCOS CARNAVALESCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FBCERJ – GRUPO B – CARNAVAL 2019

9 – GRÊMIO RECREATIVO CLUBE BLOCO CARNAVALESCO CANARINHOS DAS LARANJEIRAS

cann

Fundação: 06/09/1949 (69 anos)

Presidente Administrativo: André Luiz Santos da Silva “Dedeco”

Cores: Amarelo, Preto e Branco

Sede/Quadra: Rua Prefeito Olímpio de Melo, 92, Benfica, Rio de Janeiro, RJ

Diretor de Bateria: Mestre Luizinho Mendes da Silva

Rainha de Bateria: Dandara Amorim

Intérprete: Walter Sena

ENREDO: “MUITOS ANOS DE LUTA, MUITOS ANOS DE GLÓRIAS… 70 ANOS DE CANÁRIOS DAS LARANJEIRAS NA HISTÓRIA!”

Comissão de Carnaval – André Luiz Santos da Silva “Dedeco”, Agnaldo Corrêa, Hélio Juber e Soca Silva

Sinopse

Desvendando as lendas, a escritora Clarice Lispector narra o nascimento de uma estrela segundo a lenda indígena:

“Pois é, todo mundo pensa que sempre houve no mundo estrelas pisca-pisca. Mas, é erro. Antes, os índios olhavam de noite para o céu escuro – e bem escuro – estava esse céu. Um negror. Vou contar a história singela do nascimento das estrelas.

Era uma vez, no mês de janeiro, muitos índios. E ativos: caçavam, pescavam, guerreavam. Mas nas tabas não faziam coisa alguma: deitavam-se nas redes e dormiam roncando. E a comida? Só as mulheres cuidavam do preparo dela para terem todos o que comer. Uma vez elas notaram que faltava milho no cesto para moer. Que fizeram as valentes mulheres? O seguinte: sem medo enfurnaram-se nas matas, sob um gostoso sol amarelo. As árvores rebrilhavam verdes e embaixo delas havia sombra e água fresca. Quando saíam de debaixo das copas encontravam o calor, bebiam no reino das águas dos riachos buliçosos. Mas sempre procurando milho porque a fome era daquelas que as faziam comer folhas de árvores. Mas só encontravam espigazinhas murchas e sem graça.

Vamos voltar e trazer conosco uns curumins (Assim chamavam os índios as crianças.) Curumim dá sorte….

… Mas, quanto a mim, tenho a lhes dizer que as estrelas são mais do que curumins. Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, “sempre” não acaba nunca.” (Como nasceram as estrelas: doze lendas brasileiras – Clarice Lispector)

Assim, como na lenda indígena, em 06 de setembro de 1949, nascia o Clube Carnavalesco “Canários das Laranjeiras”, carinhosamente chamado como “Canarinhos”, conforme um curumim.

Assim como tantos blocos, surgiu de uma necessidade da sociedade para manifestar sua arte, sua cultura, sua educação, sua poesia e sua história. Tradicionalmente enredava pelas ruas de Laranjeiras com seus tamanquinhos de madeira para tornar-se conhecido como a “sinfonia dos tamancos”.

Nascia assim uma nova estrela que brilharia ao longo dos seus 70 anos e como as “Bodas de Vinho” completa seus 70 anos em 2019.

Conforme descreve outro poeta:

“Das estrelas à poesia diz que é possível sonhar, mas é necessário acreditar nos sonhos. Das estrelas, o amor pousou na poesia, trazendo consigo a certeza de que chegou para sempre ficar. E não importa de que jeito das estrelas chegue o amor, mesmo sendo de avião, o pouso é sempre certo dentro de cada coração. Ouse como eu, acredite, sonhe, o amor está no ar, tentando a ti chegar.” (Das Estrelas à Poesia – Claudio Freitas da Costa)

Desta forma seguiu o Canário pelos meandros da história de nossa cidade e de seus carnavais.

São muitos anos de lutas e algumas bem difíceis, porém também são muitos anos de glória e assim “o Canarinhos tem seu nome na história…”.

Com idas e vindas, encontros e desencontros, sucessos e muitos obstáculos, o caminho foi percorrido com batalhas vencidas e anos de glória… Afinal, não é só de felicidade que é feita a vida não é mesmo?

Estamos aqui para contar as pérolas preciosas que foram colhidas e as pedras de menor valor que construíram nossa estrada, pois o nosso maior e principal objetivo foi a cultura, a educação, a arte e, sobretudo, nosso maravilhoso carnaval brasileiro contado e recontado em verso e prosa pela nossa sinfonia “canariana” que adentrava os lares, ruas e praças para contar a nossa trajetória.

O mais importante sempre foi e sempre será o “Clube Carnavalesco Canários das Laranjeiras” sendo como bloco ou escola de samba afinal, como dizem os poetas:

“Eu sempre, estarei tentando fazer você sorrir, e brilhar como uma estrela que se destaca no Céu.” (Mainha Fera 10)

ou:

“A estrela que mais brilhar é daquele que mais amar.” (Ágape Maracajá)

Desta forma, o Bloco Carnavalesco Canários das Laranjeiras irá apresentar sua própria história no ano de 2019 quando completará 70 anos, destacando seus enredos históricos, sua história de fundação e a sua origem no bairro nobre das “Laranjeiras”.

Assim como o vinho, que envelhecido em tonéis de carvalho ganha mais valor, nossa agremiação completará suas “Bodas de Vinho – 70 anos de casamento com o carnaval carioca e com a cultura brasileira.”

Muitos anos de luta ainda hão de vir, muitas glórias ainda serão conquistadas porque se o Canário é da Terra, é do reino e das laranjeiras, nunca perderá sua majestade e muitas estrelas ainda serão conquistadas.

Se assim está escrito, assim será contada a nossa celebração.

Uma das mais antigas partes da cidade, Laranjeiras é, sem dúvida, uma das casas do Rio de Janeiro. A ocupação da região onde hoje em dia fica o bairro de Laranjeiras começou no século XVII, com a construção de chácaras no vale ao redor do Rio Carioca.

Por conta dessa proximidade com o Rio Carioca, o bairro foi, anteriormente, chamado de Vale do Carioca.

O atual nome se deu porque havia muitos pés de laranjeiras nas margens do Rio Carioca, onde nasceu o bairro.

No século XIX, foram surgindo, na região de Laranjeiras, chácaras luxuosas ocupadas por famílias ricas. Uma das primeiras foi a do Ouvidor Cristóvão Monteiro. Ao longo dos séculos, muitos outros sobrenomes, como Lisboa, Velasco, Roxo, Torre, Frontin, Pereira Passos, Teixeira de Freitas, Moura Brasil e tantos outros sobrenomes de nobres.

A presença da Princesa Isabel no palacete da Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado, contribuiu bastante para o seu crescimento do bairro.

No ano de 1880, a região de Laranjeiras sofreu grande transformação com a implantação da Companhia de Fiações e Tecidos Aliança, instalada na Rua General Glicério, fazendo surgir os primeiros comerciantes do bairro.

A presença da fábrica, que durou até 1938, trouxe ao bairro as primeiras vilas operárias. Os bondes elétricos também chegaram até Laranjeiras neste período.

“Em Laranjeiras e Cosme Velho também nasceram ou viveram intelectuais e artistas importantes da cultura brasileira como Lima Barreto e Villa-Lobos (que nasceram na rua Ipiranga), Machado de Assis, Coelho Neto, Max Fleiuss, Marco Carneiro de Mendonça, Marcos Rebelo, João Manuel Pereira da Silva, José Antônio Lisboa, Alceu Amoroso Lima, Gustavo Corção, Sobral Pinto, Múcio Leão, Lúcio Albuquerque, Lysia e Nilo Bernardes, Paulina D’Ambrósio, Augusto Rodrigues, Noel Netels, Silva Melo, Barão Homem de Melo, Cecília Meireles, Eugênio Gudin, Andrade Murici, Henrique Nienberg, Osvaldo Aranha, Dr. Fernando Magalhães e muitos outros”, escreveu Nireu Cavalcanti no site Bairro das Laranjeiras, na seção Cultura e Turismo.

Tamanha é a importância do bairro que nele estão situados o Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do RJ, o Palácio Laranjeiras, residência oficial do Governador do Estado do RJ, o Parque Guinle, o Fluminense Football Club, a sede da IV Região Administrativa da Prefeitura do Rio, a sede do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o BOPE, e a Sede Administrativa na cidade da Força Nacional de Segurança.

Dentro deste renomado Bairro carioca, nasce em 06/09/1949 o Clube Carnavalesco Canários das Laranjeiras, basicamente na Rua das Laranjeiras, nº 45, extinto bar “Montese”. Nesta localidade havia uma casa de cômodos onde o bloco ensaiava nos fundos e ficou conhecido como “sinfonia dos tamancos”, pois os integrantes marcavam assim o compasso do samba.

Iniciou sua trajetória como bloco de embalo e assim permaneceu até o ano de 1965. Juntamente com o “Cacique de Ramos” e o “Bafo da Onça”, era considerado como um grande bloco do Estado da Guanabara. Logo após, com a organização do carnaval carioca em Federação, tornou-se bloco de enredo e começou seu período mais glorioso, conseguindo 10 títulos, sendo tetracampeão (67, 68, 69 e 70), tricampeão (75, 76 e 77) e campeão em três carnavais (80, 82 e 84). Um de seus sambas mais lembrados foi “Ganga Zumba” de 1970, escrito por Carlinhos Sideral e Colid Filho:

“O Negro / Escolheu a liberdade

Era um sonho que passou…

…Foi um negro, foi um bravo / Que o Brasil abençoou

Na senzala foi escravo / No Quilombo foi senhor

A Igualdade racial sempre foi uma bandeira defendida pela agremiação desde sua fundação até os dias de hoje.

Em 1988 filiou-se à Associação das Escolas de Samba e tornou-se o Clube Carnavalesco Escola de Samba Canários das Laranjeiras. No ano de 1994 ganhou o Estandarte de Ouro de Melhor Samba com o enredo “Quem é bom já nasce feito!”

“Ah, que nostalgia / Carmem Miranda me fez encontrar

Já chegou o dia / É carnaval, é Lamartine, vou brincar

Vê, Cartola em rosas vem me perfumar / Pintores e poetas vão deixar

As suas obras imortais / “quem é bom já nasce feito”

Onze carnavais, não esquecerei jamais.

Pisa forte meu canário, / Com orgulho vem mostrar / Seu cantar

E assim seguiu a história da agremiação que contou com períodos de glórias, sombrios e episódios desastrosos até retornar às suas origens como bloco de enredo.

Aí surge uma pergunta: por que contar esta história aos desfilantes, à comunidade e ao público que nos assistirá?

Simplesmente porque são 70 anos e neste período de bodas entre a agremiação e a cultura brasileira, nenhuma página pode ser arrancada.

Seguimos o voo e a determinação do pássaro que nos guia: o Canário. Por definição, é uma ave de pequeno porte que tem origem nas Ilhas Canárias, na costa Africana, berço da maioria dos nossos enredos. São aves populares pela beleza do seu canto e por serem extremamente dóceis com uma bela plumagem na cor amarelo ouro que sofreu transformações e mutações para a criação de derivadas espécies. São pássaros alegres de bela plumagem e canto agradável que tornam o ambiente mais feliz.

Assim é a nossa cultura, nossa sociedade e a nossa história que, como a natureza, se transforma e sofre nos momentos tristes, mas celebram seus momentos felizes.

Ao longo de nosso desfile, contaremos a história de nossa agremiação nestes seus 70 anos, louvando enredos, personagem históricos, pessoas ilustres, profissões que marcaram época, nosso berço indígena e a nossa africanidade.

Nessa trajetória, mostraremos que “quem é bom já nasce feito” como nasceu o Clube Carnavalesco Canários das Laranjeiras e a nossa agremiação “sempre estará tentando fazer você sorrir e brilhar como uma estrela que se destaca no céu.”

Nossa história será recontada desde o nascimento da “Sinfonia dos Tamancos” e passará pelos títulos conquistados desde a época de Bloco de Embalo, dos enredos como Bloco de Enredo, desde “Ganga Zumba” de 1970, passando pelos enredos da década de 1980 onde serão ilustrados os enredos “Mestre Arlindo”, “Máscaras”, “Kaleidoscópio”, “Lugar de Mulher é na História”, “Quem é bom já nasce feito”, “Seu Condutor, Din Din, seu Condutor”, “O Rei da Alegria”, “A criação da luz nas noites Carajás”, “Bahia com H”, “O Brasil põe a mesa – o Banquete do povo para acabar com a fome”, “Bahia de todos os deuses, templo de tradição e fé”!”, “Sou da terra do reino, sou Canários das Laranjeiras!”, “E o meu Brasil tem Chica Chica Bom!” e “Era uma vez… O Canário das Laranjeiras vai contar pra vocês!”

Que as nossas Sete Décadas, sete estrelas em constante mutação convidam a todos para essa celebração maior que é o carnaval através da cultura do nosso país. Que assim seja e que as “bodas de vinho” celebrem a melhor idade, pois assim está escrito.

*Agradecimento especial ao nosso colunista e diretor cultural da FBCERJ Júlio César Ferreira.

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