FEDERAÇÃO DOS BLOCOS CARNAVALESCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FBCERJ – GRUPO A – CARNAVAL 2019

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10 – GRÊMIO RECREATIVO BLOCO CARNAVALESCO UNIDOS DO ALTO DA BOA VISTA

Presidente Administrativo: Sérgio Luiz Moreira Costa “Serginho”

Fundação: 1973 (45 anos)

Cores: Azul e Branco

Sede/Quadra: Estrada das Furnas, 1.275, Mata Machado, Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, RJ

ENREDO: “COLORIDO DA SAUDADE”

(Reedição do Carnaval de 1997 e 2014)

Carnavalescos – Comissão de Carnaval

Sinopse

COLORIDO DA SAUDADE – Saudade boa, saudade que faz o olho encher de alegria e contenta a alma com sua alegoria de lembranças, vem trazendo uma melodia empolgante que atravessa a história carioca em versos curtos. Apesar de breves, são completos de história, dando um banho de informação e de cultura. Alegra-se aos ouvintes jovens pela batida da bateria e pelo vigor na voz do intérprete, traz aos mais antigos a saudade dos tempos passados e da alegria nas ruas da capital carioca, lembranças de consagrados blocos como o Cordão da Bola Preta, Banda de Ipanema, que são repletos de magia e samba.

Uma miscelânea sem paetês, com menos nudez pintada, mas cheia de cores. As cores da lembrança e da saudade.

O retorno à Praça Onze carioca é uma sacada maravilhosa, que remonta a uma imensa área do Rio de Janeiro que não mais se recorda como tal. Estamos falando do período em que a Praça Onze de Junho ocupava o espaço de São Cristóvão indo até o que se conhece como SAARA.

Até mesmo a praça traz lembrança, pois seu nome foi dado em razão da vitória do Exército do Brasil sobre o Grande Paraguai, celebrando na terra da capital a grande conquista. De D. João VI à Tia Ciata, do pântano que era o terreno da Praça Onze ao concreto, aos imigrantes judeus, italianos, espanhóis e africanos, da libertação dos escravos à Favela, primeira favela do Rio de onde saíram muitos intérpretes e compositores da música popular e do samba. Tia Ciata, abrindo o espaço de sua casa, servindo a mesa dos sambistas, permitindo a construção do samba de hoje em dia.

Da Favela e do comércio dos judeus no SAARA, tudo se criou com trabalho conjunto, com suor no rosto e muita dedicação à construção de uma capital. Assim também se esforçou o samba, em ganhar notoriedade e modernidade, a ganhar apito com valor rítmico e surdo a acompanhar a bateria. À praça se desposou da lama e virou passarela, abrindo, como Tia Ciata, espaço à mesa para o primeiro desfile de samba, que desde então se passa a cada ano.

Os sambas foram criados, a perseguição e censura também, mas nenhum sambista de respeito se privaria de cantar seus sonetos balançados. Da música de malandro a patrimônio cultural, o samba é a graciosa junção de história moderna e antiga, de fato falado e história anotada, no papel e na garganta é a marca registrada de uma miscelânea cultural e étnica que faz desse povo um povo com benção adquirida. Da marginalidade do samba surgiu a cadeira apoteótica da Marques de Sapucaí, da musicalidade escondida ao terreno consagrado do samba.

Além das lembranças de onde se instalavam os recém-chegados de povos distantes, conduz o ouvinte para a evolução do carnaval, partindo do samba de rua para a avenida da Sapucaí, onde se encheu de orgulho e pompa o samba brasileiro, com suas cores, sons, suor, juntos numa demonstração de alegria e fé.

Muito trabalho, muita luta. Foi assim que o Rio de Janeiro surgiu. A dor, o sangue e o suor só eram suavizados pela alegria no culto da tradição e da fé, que deu início ao samba da sandália rasteira e dos passos miudinhos bem ligeiros do samba de bamba, do paiol da senzala para a avenida. Dor e alegria, festa e fé, amor de 7 dias, é trabalho e carnaval. A UNIDOS DO ALTO DA BOA VISTA LEMBRA ESSA REALIDADE E ESSA HISTÓRIA SEM DAR TOM DE TRISTEZA, MAS DE ORGULHO E DE CORAGEM PARA SEGUIR ADIANTE.

Vem o Rei Momo, com a tradicional entrega da chave da cidade, e os guias, para dar a festa ao povo e trazer felicidade. Com a entrega, não mais se fala em deixar espações para carros que não sejam os alegóricos, nem deixar ruas cheias que não sejam de gente. Gente feliz e cantante, que quer fazer barulho, que quer fazer amor. Dá até saudade dos amores de carnaval, que vem e se vão, amor igual à chuva de verão, corações de arlequins e paixões de muitas colombinas. Mostra a melhor face da festa coletiva, o carinho generalizado com muito brilho e paetê. Em tempos de carnaval, não se quer luta ou conflito, se quer é paz e alegria.  A cantoria de rua, agora retomando sua força e dando mais inspiração ao compositor, é a porta-voz do clima de contentamento que o samba faz existir. Ela é referência de fé, de costume, de alegria, de presente e do passado.  É maneira brasileira em cultura e tradição.

Tia Ciata, mulher da Bahia, baiana de nascença, e carioca por opção, fez do Rio de Janeiro sua morada final, onde se imortalizou na cultura do samba – carnaval. Chegando ao Rio, foi trabalhar como cozinheira, mas sem abandonar seu trabalho de fé. Em sua casa recebia muitos sambistas, sendo, inclusive, criado o primeiro samba a ser gravado, “PELO TELEFONE”. Uma das mais significantes pessoas envolvidas com o samba e uma mulher de coragem. Também buscou a tradição e a raiz do samba, que remonta à história carioca e tudo que circunda o samba atual.

E nessa chamada pelos grandes nomes no transcorrer do samba e dos nomes imortais e para sempre imortalizados, fez-se chamar os guias de vida e de fé e a sua importância para a escola e para o povo.

AROLDO TRANSA, saudoso fundador de nossa agremiação, em sua visão, tratou de dar reconhecimento e visibilidade a uma coletividade de força e de garra, os moradores do Alto da Boa Vista. Escondidos pelo relevo, protegidos pela fauna e pela flora, ungidos pela proximidade com o céu, fez Aroldo dar voz a esse coro. Povo este, cheio de garra e perseverança.

AROLDO nos deixou um legado que até hoje ecoa em nossos corações, o amor pelo samba, dedicação e o prazer de ter esse bloco querido, que no passado se chamava “CURTIÇÃO”, por seu valor e importância aqui se faz essa merecida e honrosa homenagem a esse patrono que nos deixou o legado de uma agremiação com firmeza de caráter e pé no chão, mais que isso, pé no samba.

E como não falar e também exaltar a mais antiga entidade do carnaval carioca – FEDERAÇÃO DE BLOCOS CARNAVALESCOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – que até os dias de hoje defende a nossa existência e permanência na avenida para que nossa cultura e raiz prevaleçam cada vez mais. E por estar desde 1965 abrilhantando o verdadeiro carnaval, também em nosso desfile entraremos com uma singela homenagem.

As crianças, daquela época, quase todas gostavam de se fantasiar de ciganinhas, índios, piratas, palhaços, bate-bolas, pierrôs e colombinas. Zé Pereira com seu surdo imortal e Tia Ciata, baiana tradição, aqui vamos nós, mais uma vez, para um GRANDE DESFILE.

Nossa agremiação vai cantando esse samba cadenciado, dando saudade aos mais antigos ouvintes e instruindo os novos para o valor e reconhecimento da cultura do samba carioca e do lugar perpétuo que o UNIDOS DO ALTO DA BOA VISTA faz jus a essa épica história de gigantes.

*Agradecimento especial ao nosso colunista e diretor cultural da FBCERJ Júlio César Ferreira.

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