Canto para o Mundo inteiro ouvir / Unidos das Vargens é felicidade…

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Escola: G. R. E. S. Unidos das Vargens

Enredo: A FALA DA FAVELA PARA O MUNDO

Carnavalesco: Thiago Avis

Data, Local e Ordem de Desfile: Grupo de Acesso B, 1ª Escola de 09/02/2016, terça-feira, Estrada Intendente Magalhães, Campinho/RJ.

Samba:

Compositores: Thiago Meiners, André Kaballa, Victor Alves, Rafael Tubino e Igor Vianna

Intérpretes: Edmilson Nunes “Gago” e Sebastião Nino Smith Bendelak

Letra:

Eu sou a voz da favela, Eu sou a força e a raiz / Sou resistência, comunidade

Canto para o Mundo inteiro ouvir / Unidos das Vargens é felicidade…

Meu samba abraça o funk / O ritmo embala e encanta o asfalto

Minha voz se espalha, mistura de sons / A rua é o palco

Sou eu que faço o malandro gingar / E ela vai girando na batida do tambor

A inspiração vem do estrangeiro / E hoje em cada baile a emoção

Fiz a cabeça, sou do povo brasileiro / Vencendo barreiras e proibição

Cantei a união, sou paz e amor / Por uma razão, pensar e querer

Pra emocionar, lindas melodias / A alma carioca irradia

Com humildade, disciplina eu brilhei / Me fiz o rei… Da pista / Agora estou na tela da TV

Diversidade aqui se conquista / Vesti a esperança e a igualdade

“Prepara” que hoje vou eternizar / Em todos os cantos, sou a liberdade / O Rio é o meu lugar

Sinopse:

Um ritmo surgido entre os becos e barracos. Majoritariamente negro, foi marginalizado e perseguido pela polícia. Sua força suplantou barreiras sociais e conquistou, não só a sua cidade maravilhosa, mas o país. Virou sinônimo da cultura carioca e brasileira. Um patrimônio cultural, exemplo da força da periferia.

Um ritmo?

Não, dois. Funk e Samba. Duas vertentes, uma mesma trajetória.

O samba encontra o funk.

Os ritmos que trilharam caminhos singulares, desceram pro asfalto feito furacão encantando geral.

Tá tudo dominado!

Sou a voz da Favela!

Como bom malandro, chamo a popozuda pra quebrar até o chão. De vestido coladinho, a porta-bandeira gira com o tigrão de mestre-sala. A rainha desce, desce, no batidão frenético da bateria.

No ritmo do maior espetáculo da terra, saúdo o som que conquistou o Brasil.

É samba-funk, meu irmão!

Solta o som DJ!

O fundamento

“Hello crazy people aqui quem fala é Big Boy. A Mundial é show musical!”

A voz rouca e cheia de efeitos conquistou os brotinhos com seu balanço americano.

“Eu gosto de música americana, vou pro baile dançar todo fim de semana.

Olha a rapa, olha a rapaziada. Deixa a rapa, deixa a rapaziada.” (Rap da Rapaziada – Ademir Lemos)

Das ruas de Miami veio a inspiração da batida. Do funk só ficou o nome.

Assim o Miami Bass foi a base da Melô.

Com uma beca bacana vou aos bailes pelo subúrbio carioca, enquanto as equipes se espalhavam da zona oeste à Niterói.

“Deu Mole?”

“Vou azarar a nega”.

Com lábia malandra, fiz a cabeça do morro e para comunicar o jeito foi abrasileirar!

“Eu estava lá no baile quando eu encontrei uma mulher feia. Cheira mal como urubu.” (Melô da Mulher Feia – Abdula”)

A “minhoca de metal” liga a cidade partida. Durante o dia, o lado A, a noite, o lado B. O caminho era longo.

A violência fez barulho, a mídia pressionou e o baile foi proibido. Funk era coisa de bandido.

A alma carioca

Paz e Amor, DJ!

Como estava não podia ficar.

Virei o disco e cantei a união.

“Brigar pra que se é sem querer, quem é que vai nos proteger?

Pare e pense um pouco mais e violência aqui nunca mais.” (Rap do Festival – Danda e Taffarel)

O lance é paz e amor. Só canto o que penso, o que vivo e dela faço melodia pra emocionar.

Só love, nada mais.

“Porque te amo e quero você sempre aqui. A vida dá voltas e o destino trouxe você para mim.” (Porque te amo – Mc Marcinho e Mc Cacau)

A batida eletrônica se mistura com o atabaque. Foi quando o tigrão chamou a tchutchuca linda para fazer muito carinho. Sem neurose nem caô, na humildade e disciplina, glamorosas ganharam a pista no salto de cristal.

Tá tudo dominado

Sou personagem da novela.

Com amor e tamborzão, ultrapassei as paredes da favela.

Vai Lacraia, vai Lacraia, mostra a diversidade, enquanto as boladonas soltam o grito entalado.

Querem um pente certo. Pente rala é coisa de havaiano.

“Agora eu sou solteira e ninguém vai segurar.” (Agora eu sou solteira – Gaiola das Popozudas)

Dali pra São Paulo, vesti roupas de marca, óculos e deixei o pescoço pesado. Fiz questão de ostentar.

Tá maluco? Respeita o funk, deixo até avó maluca.

Ao som do quadradinho, o lance agora é divar.

O “Papa é pop” e o funk também.

O recalque passa longe e o preconceito lá no além.

É samba, é funk, é a mistura do Brasil.

E nesse flow, Zumbi com o Tupy dão um beijo no ombro para o recalque de Cabral.

Prepara! É hoje! Eu vou ecoar e não me calarei, eternizando as batidas cariocas.

Pesquisa e texto: Thiago Avis e Leonardo Antan

 

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