Sou Boca de Siri, raiz, eu sou a voz da massa / O couro vai comer, o chão vai tremer / Bate atabaque que hoje tem xirê (Sinopse, Samba, letra e Áudio)

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Escola: G. R. E. S. Boca de Siri

Enredo: DO REINO DAS YABÁS… AS CANDACES E A RIQUEZA CULTURAL DO BRASIL

Carnavalesco: Valério Guidinelle

Presidente: Edivaldo Pereira de Oliveira “Vadão”

Data, Local e Ordem de Desfile: Grupo de Acesso C, 2ª Escola de 08/02/2016, segunda-feira, Estrada Intendente Magalhães, Campinho/RJ.

*Foto de abertura do tópico do fotógrafo Carlos Lúcio

Samba:

Compositores: Aldair Senna de Souza, Francisco Antônio Gomes, Jéferson da Conceição Mendes, Mariano de Araújo Filho, Paulo Cezar de Oliveira e Uberal Carvalho da Penha

Intérpretes: Claudinho, Pau Queimado, Sinistro.

Oh! Mãe Àfrica / Vem de lá essa magia / Candaces, mulheres guerreiras, Yabás

A pura essência dos Orixás / Ventre mãe, rainha guardiã da criação

É força, é vida, amor religião / Traz no sangue a energia

Riqueza poder que conduz uma nação / Meu canto hoje exalta a nossa raça / Respeito à mãe natureza

Orayêyêo mamãe Oxum oh Eeparrey Oya / Saluba Nanã, Odoyá Yemanjá

Salve tia Ciata ô ô ô / E mãe menininha do Cantois

São expoentes da cultura popular / Tem candomblé, maracatu, maculêlê

Tem capoeira, samba de roda e dendê / Hoje tem quizomba nessa procissão de fé

Roda baiana peço paz e muito axé

Sou Boca de Siri, raiz, eu sou a voz da massa refrão

O couro vai comer, o chão vai tremer / Bate atabaque que hoje tem xirê

Sinopse:

Não é a toa que o continente africano tem o status de “Mãe África”. Sua rica mitologia conta histórias de mulheres guerreiras, conhecidas como Yabás, verdadeiras mães e rainhas que receberam a missão de contribuir na criação do mundo e manter sua existência.

A força da terra está em todos os seres que nela habita, mas nas mulheres de forma especial, pois são elas que como frutas, guardam suas sementes e no ventre dá seguimento a perpetuação da vida.

Nas religiões de matriz africana, como o candomblé, as Yabás: Oxum, Yansã, Iemanjá e Nanã, detém todos os ritos de passagem, assim elas acompanham desde o nascimento de todos os seres da terra até sua morte, pois dela, tudo provém e para ela deverá retornar. São essas mulheres, guerreiras, mães, caçadoras, médicas, comerciantes e militares, que mantém o poder de comandar a natureza, habitando na terra, nos mares, cachoeiras, lagos, ventos e matas, podendo se transformar em peixe, pássaro, búfalo, leopardo e borboleta.

Na África a mulher sempre teve papel fundamental na governança de suas nações e aldeias, muita delas se tornaram exímias militares e conduziram grandes exércitos em batalhas, sempre respeitando o poder da natureza, pois para o povo africano, manter a abundância de sua fauna e flora, é manter a vida em constante renovação.

Oxum, deusa da mitologia africana tem seu habitat nas águas doces dos rios e principalmente nas cachoeiras, é a senhora da fertilidade. Orixá mãe é ela que comanda o útero e todo o período materno. Considerada a deusa do amor gerou um filho, orixá (Logum -Edé). Exime cozinheira é considerada a dona e interpretar o jogo de búzios e por esse motivo é considerada a dona da visão. Sua saudação: Orayê yeô Oxum.

Iansã, orixá feminina que lutou na guerra. Asenhora das tardes cor de rosa, habita nos bambuzais, ventos e raios, tem o poder de se transformar em búfalo para ir à luta, e em uma borboleta, quando demonstra sua fragilidade e beleza. Saudação: Eparrei Oyá.

Iemanjá, senhora das águas do mar, está presente nas praias, maré e oceanos, a grande sereia e senhora das pérolas, protetora de todos os seres marinhos e provedora da pesca, orixá mãe de todos os homens que habita a terra, é ela que protege e atua em nossas cabeças, senhora que rege a família e mantém a harmonia do lar, sua saudação: Odoyá Iemenjá.

Nanã, deusa dos pântanos, regente das chuvas, nasceu do contato da água com a terra, e tem a lama como seu principal habitat. A senhora mais velha, mais temida das Yabás e mais respeitada. È ela a orixá da vida que representa a morte, detentora do portal de passagem entre a vida e a morte, que permite que a vida seja mantida. Também é considerada a senhora da sabedoria. Saudação: Saluba Nanã.

São com Ya Kala, Ya Tala e Ya Nassô, três princesas africanas trazidas como escravas para o Brasil, que nações de Angola, Keto e Gêge aqui chegam e se difundem, fazendo hoje o Brasil o maior praticante das culturas oriundas da África. É por intermédio do Candomblé que histórias de Oxum, Oyá, Iemanjá e Nanã se fazem conhecidas, mães, rainhas e guerreiras, como Agotime, Tereza de Benguela, Dandara, Chica da Silva, Mãe Menininha, Tia Ciata e muitas mulheres desse país, que lutaram e lutam para manter essas tradições, são elas verdadeiras candaces, mulheres que lutam para manter seu destino.

É com contribuição da cultura africana, que surge às manifestações que enriqueceram a cultura do nosso país. Como nosso idioma, que recebeu inúmeras palavras de origem Bantu, como: marimbondo, tanga, fubá, quitanda, farofa, bunda, cochilo, dendê, canjica, moleque, gingar, capanga, minhoca, samba, quiabo e muitas outras. Bem como, as influencias das danças e sons africanos, que tem com a capoeira, o maculelê, o maracatu, a congada, o samba e o carnaval. Que eis aqui o Grêmio Recreativo Boca de Siri, em procissão negra de raça e fé, exaltando a origem do seu povo.

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