Os concursos de blocos – Parte I

Nesta edição da coluna, vamos passear pelos concursos de blocos antes da criação da Federação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro, que ocorreu em 1965.

Desde a década de 1920, iniciativas do gênero foram promovidas. O primeiro concurso é organizado pelo jornal A Manhã, em 1926, conhecido como o “Dia dos Blocos”, realizado posteriormente no ano seguinte.

Nesta época, já refletindo o crescimento do carnaval na região suburbana da cidade, outros periódicos apoiaram concursos de blocos como O Jornal, o qual passou a promover a partir de 1929 o “Dia dos Blocos Suburbanos”, realizado na Rua Dias da Cruz, no Meier.

Tal mobilização ao longo destes anos incentivou a prefeitura a oficializar uma programação do carnaval para o ano de 1932 através da criação da Comissão Executiva dos Festejos. Na publicação O Livro de ouro do carnaval brasileiro, Felipe Ferreira comenta sobre esta ação da municipalidade.

           ‘Foi organizado um “programa oficial” das atividades carnavalescas no qual faziam parte diversos eventos, tais como um “Banho de Mar à Fantasia” – brincadeira carnavalesca à beira-mar em que os participantes acabavam entrando na água, onde suas fantasias de papel se desfaziam – o “Dia dos Blocos”, um “Concurso de Marchas, Sambas e Músicas Carnavalescas” e um Corso de Automóveis” seguido de uma “Batalha de Flores e Confete em Copacabana”, esses dois últimos apoiados pelos Clubes Atlântico e Praia e pelo semanário Beira Mar, de Copacabana (O Jornal, de 20 de janeiro de 1932). Além disso, foi criado um grande baile carnavalesco oficial para a cidade, que iria ocupar a mais nobre sala de espetáculos do país, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, verdadeira jóia do estilo eclético inaugurada em 1909 dentro do projeto de reformas de Pereira Passos.’ (FERREIRA, 2004, p. 321-322)

Porém, cabe destacar que este comportamento da prefeitura neste período temporal em relação ao campo do carnaval carioca explica-se a partir da decisão estratégica do poder público em incorporar ao capital simbólico da festividade o acréscimo da imagem internacional da cidade e do país através da experiência de um carnaval definido como uma festa diferente, diversa daquelas já inseridas no mercado turístico internacional, sendo apresentada como uma “festa verdadeira”.

O concurso de blocos de 1932 foi chancelado pela municipalidade e promovido pelo Centro de Chronistas Carnavalescos (CCC), contando com representantes da Comissão Executiva dos Festejos, e realizado no final de semana anterior ao carnaval, sendo o dia chamado de “sabbado magro”; ocorrendo na Avenida Rio Branco, principal pista de desfile na época. Neste período, iniciou-se a concessão do auxílio financeiro às agremiações, conhecido no mundo do carnaval como subvenção.

Motivados pelo apoio estatal, parte destas agremiações organizaram para o carnaval de 1933 a Associação dos Blocos Carnavalescos, delegando ao CCC a organização do certame. Porém, devido a divergências internas, o CCC desistiu de organizar o concurso. Com isso, a Associação dos Blocos Carnavalescos não mais conseguiu se inserir no campo do carnaval carioca. Posteriormente, os blocos tentaram retomar a constituição de uma entidade representativa, porém sem sucesso.

O número de concursos para esta manifestação carnavalesca diminui consideravelmente nas décadas de 1940 e 1950, destacando-se mais uma vez a atuação do CCC (posteriormente, da ACC) para a realização de certames de blocos, voltados para a modalidade banho de mar à fantasia.

A redução de concursos de blocos na região central da cidade, deslocando-se principalmente para as praias, somada ao crescimento dos concursos de coretos nas regiões suburbanas da cidade tiveram por consequência o espraiamento das manifestações carnavalescas pelo território carioca.

Muitos jornalistas e pesquisadores levantaram a bandeira do fim dos grandes blocos e de seus concursos. Mas, os blocos de enredo estão aí e mostraram que a história continuou.