LINS IMPERIAL

O Morro da Cachoeira, no bairro do Lins de Vasconcelos, recebeu essa denominação em virtude de uma grande queda-d’água que existia em sua encosta. Até 1933 o morro era um só. Com a construção, naquele ano, do Hospital Naval Marcílio Dias, foi dividido. O lado direito passou a ser chamado de Cachoeira Grande e o lado esquerdo de Cachoeirinha.

Na região da Cachoeira Grande foi fundado um clube de futebol para disputar os campeonatos de várzea – o Baianas da Cachoeira Futebol Clube. Foi esse time que deu origem à escola de samba Filhos do Deserto – apadrinhada pela Mangueira e dela herdado suas cores. A Filhos do Deserto logo se destacou pela excelência de sua ala de compositores, sob comando de Jones da Silva, o Zinco.

Há uma curiosa disputa pela primazia do reco-reco nas escolas de samba que envolve a Filhos do Deserto e a Portela. A agremiação de Oswaldo Cruz reivindica a introdução do instrumento na bateria. Os antigos integrantes da Filhos do Deserto garantem que partiu de Marinho Lélis, um de seus componentes, a ideia.

Em 1946 um grupo de sambistas deixou a Filhos do Deserto e fundou, no Morro da Cachoeirinha, a escola de samba Flor do Lins – que adotou as mesmas cores da escola da Cachoeira Grande.

Durante certo período, as disputas entre as duas escolas eram acirradas e reproduziam, não raro de forma violenta, a própria divisão do Morro da Cachoeira.

Foi só em 1963, por iniciativa dos presidentes Daniel Fernandes (Filhos do Deserto) e Agnelo Campos (Flor do Lins), que a paz entre as regiões da Cachoeira Grande e da Cachoeirinha foi feita e as duas escolas se fundiram para formar a Sociedade Recreativa Escola de Samba Lins Imperial.

Depois de um início em que priorizou enredos clássicos, a Lins viveu bons momentos em meados da década de 70. Em 1975, com o enredo Dona Flor e seus dois maridos (o samba de enredo, de Neneco e Preto Velho, é por muitos considerado o melhor da escola), a escola venceu o Grupo 2 e chegou pela primeira vez ao desfile principal.

É curioso notar que a Lins Imperial é, provavelmente, a escola de samba que mais exaltou a obra do escritos baiano Jorge Amado, além do já citado Dona Flor, a agremiação desfilou em 1973 com o enredo Bahia de Jorge Amado (samba de João Francisco, Djalma e Arlindo) e em 1987 com Tenda dos milagres (Zeca do Lins, Tiãozinho da Viola e Lula).

Detém dois Estandartes de Ouro, ganhos em 1980 (Guarda velha, velha guarda) e 1988 (Tributo a Zinco e Caxambu). Seus grandes sambas incluem, além de Dona Flor e seus dois maridos, Casa-grande e senzala, de 1971; Folia de reis, de 1976; e A guerra do reino divino, de 1979, que para alguns é superior ao hino de 1975.

Autor dos vídeos: Leonardo Fernandes

Texto do Livro Samba de enredo história e arte de Alberto Mussa e Luiz Antônio Simas,  Ed. Civilização Brasileira, de 2010